Um dia a caixa vem abaixo

Duas noites com alguns dos mais interessantes novos projectos nacionais. 27 e 28 de Janeiro na Caixa Económica Operária em Lisboa.

Portugal não é só fado, música pimba e canção ligeira à moda de Paulo Gonzo (sem desprimor para o fado). Felizmente que existem aqueles que acreditam nas suas ideias e conceitos e que procuram criar algo diferente, tendo conseguido captar a atenção dos mais curiosos para o seu trabalho. A primeira edição de “Um dia a caixa vem abaixo” pretende mostrar alguns desses projectos, em duas noites repletas de grandes motivos de interesse e que prometem servir de ponto de encontro entre bandas e público. 27 e 28 de Janeiro na Caixa Económica Operária em Lisboa.

Esta primeira edição do festival é da responsabilidade da Conta-Gotas, uma nova promotora de espectáculos que tem como objectivo “desenvolver projectos que privilegiem a criatividade e qualidade dos artistas”. Sem dúvida que com eventos desta natureza vão pelo bom caminho.

Aqui fica o alinhamento de dois dias de festa:

27 de Janeiro – Sexta-Feira – ByPass + Ölga + Lemur

A primeira noite de concertos está reservada para três projectos que partilham de algumas influências, embora cada um deles consiga encontrar “individualidade” criativa no seu trabalho.

Depois de um excelente EP e algumas participações em compilações da Bor Land, os Bypass editaram em 2005 o seu segundo registo de originais, “Mighty Sounds Pristine”, que servirá de mote a um concerto que se espera intenso e bastante interessante. Praticantes de um rock “atmosférico” repleto de pormenores instrumentais, os Bypass são um dos casos de persistência da nova música nacional. Será que 2006 é o ano da sua afirmação?

Os Ölga também exploram as sonoridades densas do rock mas ultrapassam a barreira da pop para patamares mais experimentais e psicadélicos. O trio tem um trajecto bastante interessante e já editou um EP e um disco de originais através da Bor Land (“Ölga” em 2003 e “What is” em 2005). Totalmente instrumentais, os Ölga são um projecto cativante ao vivo, com longas e “épicas” faixas repletas de “altos e baixos” sonoros que transformam um concerto num momento sublime de criatividade e improvisação.

Também praticantes de “rock instrumental”, os alfacinhas Lemur são mais um exemplo da grande diversidade e qualidade da nova música nacional. Com apenas um CD-R “editado” em 2004, a banda formada por Vasco Furtado (bateria), João Brandão (guitarra, baixo), João Marques (baixo, guitarra) e Pedro Rodrigues (violoncelo, teclas) tem já no seu curriculum diversas actuações, muitas das quais acompanhados pelos cúmplices desta noite (Ölga e Bypass).

28 de Janeiro – Sábado – Loosers + Linda Martini + Caveira

Depois da “calma” aparente do primeiro dia de festividades, no Sábado, a Caixa Operária aumenta o número de decibéis, numa noite de festa e muito rock.

O percurso dos Caveira tem um momento-chave: o concerto de Devendra Banhart. Antes da actuação do músico em Portugal, eram poucos aqueles que conheciam a banda. Depois de terem sido os surpreendentes convidados para a 1ª parte do concerto do músico na Aula Magna, a sua visibilidade tem crescido bastante. Formados por Rita Vozone, Pedro Gomes e Joaquim Albergaria (The Vicious Five), os Caveira são explosivos em palco. A sua música é totalmente improvisada e imprevisível, explorando da melhor forma o que alguns apelidam de “som livre”. A sua sonoridade reflecte influências dos mais díspares géneros musicais, desde os blues desfigurados ao hardcore mais “animal” dos anos 80. Editaram em 2005 o seu primeiro registo discográfico, o CD-R “África” e prometem ser um dos projectos a ter em conta para este ano.

Com a premissa de “suar e cantar em português” surgiu em 2003 o projecto Linda Martini. A banda de Queluz transformou-se num dos hypes do ano passado através da sua primeira maqueta de originais, disponibilizada na Internet. Praticantes de um rock denso, melódico, mas ao mesmo tempo bastante agressivo, a banda parece ter encontrado um nicho de mercado muito pouco explorado em Portugal, especialmente pelo facto de cantar em português. «Amor Combate» foi um dos hinos nacionais indie de 2005 e tem tudo para se tornar num dos hits radiofónicos e comerciais de 2006. No final deste mês será editado pela Naked o “primeiro” registo de originais em formato de EP. A banda vai estar em tournée com os God is An Astronaut, sendo que em Abril está agendado o lançamento do primeiro álbum de originais.

Os Loosers tornaram-se num dos projectos centrais da nova música urbana da cidade de Lisboa. Com uma discografia recheada de CD-R’s, maquetas, EP’s e afins, a banda de Tiago Miranda, Rui Dâmaso e Zé Miguel, editou em 2005 o disco que pode ser interpretado como o primeiro passo para o reconhecimento nacional e internacional. “For-All-The-Round-Suns” sintetiza da melhor forma o que a banda demonstra em palco: inconformismo estético e experimentalismo criativo. Embora se possam encontrar pontos em comum com projectos como os Liars (por exemplo), a banda lisboeta tem conseguido encontrar um estilo muito próprio, tendo conseguido alcançar muito bons resultados no estrangeiro, quer nas actuações ao vivo quer nas opiniões redigidas. É praticamente impossível saber como vai ser o concerto dos Loosers na Caixa Operária, apenas garantimos uma coisa: festa.

Os ingressos para este festival custam 8 euros para um dia e 12,5 euros para os dois dias. A Caixa Económica Operária fica na Rua da Voz do Operário (à Graça). Esta é uma óptima oportunidade para ficarem a conhecer muitos daqueles projectos que valem a pena na música nacional. Não percam.



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