“Um Estranho em Goa” | José Eduardo Agualusa

“Um Estranho em Goa” | José Eduardo Agualusa

Um fascinante roteiro sob a forma de romance

A reedição de um livro é muitas vezes um novo fôlego de vida. “Um Estranho em Goa” (Quetzal, 2013), de José Eduardo Agualusa, foi publicado pela primeira vez em 2000 e é, este ano, reeditado numa carapaça desenhada para provocar o desejo do ávido leitor.

“Um Estranho em Goa” é um livro pequeno. Das 200 páginas desta edição, muitas são as que se preenchem de títulos de capítulos e citações. Não obstante, este pequeno livro é um grande livro.

Emergimos no universo do narrador, José, um sujeito sobre quem pouco sabemos mas que sempre acompanhamos: um sujeito que pode ser como nós, se com ele desejarmos identificar-nos, um sujeito com o pensamento rico de associações, factos, memórias, sentidos e emoções, que se organizam através da escrita, mantendo o carácter orgânico de uma narrativa que se torna, assim, atractiva e envolvente.

Esta obra é uma fusão entre um romance e um diário de viagem e, pelo caminho que percorremos nos pés deste narrador, encontramos personagens em tudo distintos nas suas crenças e nas suas posições perante a vida, que constroem uma Goa de todos, tão singular como difícil de limitar numa definição.

José viaja até Goa para conhecer a verdadeira história do coronel Plácido Domingo, um homem que parece saber muito sobre muito, com particular postura perante o Mundo: «E sou [o Diabo]. Já lhe expliquei isso antes. Somos todos. E também sou Deus. Somos todos. Os defensores da chamada geração espontânea acreditavam na possibilidade de determinados seres serem gerados a partir do nada. Julgo que comigo se deu o inverso: fui gerado a partir do tudo». Tal como a Goa que nos é descrita, a partir de mil e uma sensações, de uma mistura de cheiros e sabores, tradições múltiplas e convicções diversas. Tal como o romance que seguimos, subtilmente desenvolvido nas curvas desta viagem.



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