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“Um Homem Falido”

Quando o limite é a própria existência.

“Um Homem Falido” conta a história de um homem (interpretado por Rúben Gomes) que abandona a sua terra natal na periferia de Paris para ir viver para a grande cidade. Com o abandono da sua mulher (interpretada por Sylvia Rocha), o isolamento e a espera tornam-no totalmente passivo perante a sociedade. Quando é “invadido” em sua casa pelo mandatário/liquidatário (interpretado por Américo Silva), inicia um processo introspectivo, por vezes confundindo com a perda de lucidez, criando assim o seu próprio mundo, isolando-se cada vez mais. Enquanto isto, o mandatário/liquidatário (o seu único companheiro), vai retirando todos os seus pertences que possam ser convertidos em dinheiro para liquidação das suas diversas dívidas.

O falido totalmente desprovido de todos os seus bens, excepto os bens considerados essenciais para a sua sobrevivência mais elementar, tenta por várias vezes a aproximação com a sua “ex-mulher”, provavelmente para a satisfação das vontades carnais. A sua insistência, revelou “algum proveito”. O mandatário/liquidatário que acaba por revelar humanidade para com o homem falido (e que normalmente é olhado com ausência de sentimentos), é quem o trata e se preocupa com ele.

Ao longo da peça o homem falido cria uma personagem fictícia que o reduz à sua existência e fala como se fosse a sua voz interior e que, ao longo da peça, intensifica-se na personagem. Quando este se encontra num estado de pureza/loucura tendo chegado ao básico dos básicos, inicia-se um processo de auto-construção do seu novo intelecto, do seu verdadeiro “EU”.

Uma peça que retrata uma situação de vida em que por vezes para mudar o quer que seja, previamente é necessário mudarmos nós mesmos, através de um processo de auto-conhecimento, para que a nossa indiferença/passividade acabe e seja possível recomeçar do zero.

Titulo original: “Un Homme en Faillite”, de David Lescot; Tradução: Marie-Amélie Robilliard e Joana Frazão; Com: Rúben Gomes, Sylvie Rocha, Américo Silva Luz, Pedro Domingos; Cenário e Figurinos: Rita Lopes Alves; Encenação: António Simão (com apoio de Jorge Silva Melo)

Em cena de 28 de Abril a 15 de Maio no Teatro Meridional Rua do Açúcar, nº64, Poço do Bispo, Lisboa (4ª a Sáb às 22H00|Dom às 17h00)



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