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“Uma história de amor” de Bruno Pacheco

Para descobrir até 11 de Março no Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea

“…existe no mundo um estado a que não podemos aceder, mas que as coisas aqui e ali por vezes deixam entrever quando nós próprios nos encontramos num estado de especial excitação. Só nesse estado nos apercebemos de que as coisas ’são feitas de amor’. E só nele percebemos também o que isso quer dizer. E só esse estado é então real, e nós poderemos ser verdadeiros”.

Organizada em três núcleos, a exposição remete para o estado evidenciado no excerto de Robert Musil (2008), o Homem sem Qualidades, acima descrito e revela os desafios que a ubiquidade e a ultramediatização da imagem colocam à pintura contemporânea.

“The Possible Ball” (2009), um objecto esférico composto por faixas de tela com a dimensão de cerca de 180 centímetros ocupa o espaço envolvente da primeira sala, e instala-se, de imediato, na nossa memória. É uma peça tridimensional, que cruza o olhar, enquanto o visitante vagueia entre corredores, enquadrada, como se pertencesse a uma pintura. Nesta sala, as três peças presentes inter-relacionam-se. “Nudists” (2009), “Revelation/Shelter” (2009) e “The Possible Ball” (2009) acertam o tom da história de emoções para a visita às duas salas seguintes. Neste espaço, vislumbra-se o enredo do casal de nudistas, que sorriem, e, calmamente, caminham em paralelo ao jardim de “Revelation/Shelter”, onde um par de naves espaciais estacionam. A possibilidade de uma revelação, em espaço livre e natural, à semelhança de um Jardim de Éden, surge uma esfera possível, fruto de uma história de amor, finita, entre o casal nu.

Na segunda sala do Chiado 8, o visitante é orientado pelo guia da exposição. Neste, figura uma única imagem de cada um dos sete dispositivos da sala, “R.,O.,Y.,G.,B.,I.,V.” (2010-2011), cuja estrutura e funcionamento assemelham aos expositores que podemos encontrar, por exemplo em loja de posters. Cada dispositivo conta uma história, e nessa experiência individual, ao “folhear”, o visitante é remetido para o conceito de imagem em movimento. Nesta experiência, identifica-se a recorrência de Bruno Pacheco à prática pictórica, utilizando a fotografia como ponto de partida. Destaca-se, a corporalidade dos “álbuns folheados”, presos à parede, em que “G.” (2010-2011), constituído por imagens de luvas de cozinha amarelas, revela o ressuscitar do objecto inanimado pelo o detalhe.

Bruno Pacheco vive e trabalha em Lisboa e Londres. Quando abordado, comunica a sensibilidade vigente de cada peça exposta, em sintonia com os estados de continuidade/descontinuidade inerente às emoções. Transmite, que o amor, presente no título, é, por si, uma emoção contínua/descontínua de acordo com a relação estabelecida com um sujeito/objecto. E é na terceira sala, com a série “Folding Box” (2010), que surge a simplicidade do tema continuidade. A luz, quente, imbuída nas cinco simples caixas de papel, encaminha-nos até à interpretação cruzada de um pôr-do-sol londrino, contínuo e laranja, com a intensidade flutuante da luminosidade mediterrânica.

Com curadoria de Bruno Marchand, a exposição “Uma história de amor” estará aberta ao público, de 24 de Janeiro a 11 de Março de 2011, entre as 12 horas e as 20 horas, no Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 – Arte Contemporânea, em Lisboa.

Fotografia de Sofia Ferreira



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