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Uncharted: The Lost Legacy

Uncharted no seu melhor!

Cerca de um ano depois dos eventos de Uncharted 4, a Naughty Dog expande a sua emblemática série com The Lost Legacy. Contrariamente ao que temos vindo a ser habituados, nesta nova aventura o protagonismo cai não sobre Nathan Drake mas sim sobre a dupla improvável composta por Chloe Frazer (introduzida em Uncharted 2) e Nadine Ross, a antagonista que ficámos a conhecer na mais recente aventura da série. Juntas, vão fazer parte de uma das mais deslumbrantes aventuras que já agraciou o mundo das consolas!

Em Uncharted: The Lost Legacy, vamos acompanhar as protagonistas numa viagem em busca da presa de Ganesha. Uma viagem que conduz o jogador à India, por sua vez à beira de uma guerra civil. Não se preocupem que não vos vou estragar nada da história mas posso adiantar que me prendeu de início ao fim e com relativa facilidade, diga-se. Se a ausência de Nathan Drake vos faz pensar duas vezes sobre a aquisição desta aventura, podem ficar descansados.

Como poucos, a Naughty Dog sabe fazer pelas suas personagens e no caso de Chloe, apesar de já ter aparecido em títulos anteriores, foi como personagem principal desta aventura que realmente a fiquei a conhecer. O mesmo acontece com Nadine que surge agora com uma postura bem mais pertinente que só me fez apreciar mais o seu desenvolvimento como personagem. De facto, um dos pontos altos desta nova aventura é mesmo a relação entre as duas protagonistas e isso deve-se à personalidade bem vincada de cada uma; Chloe é mais impulsiva e espontânea, ao passo que Nadine é mais terra-a-terra. Juntas, terão de pôr de lado as suas divergências, para em conjunto levarem a cabo uma aventura como poucas. Claro que isto é mais fácil de dizer do que fazer, pois estas duas formas de ser e de estar facilmente entram em conflito mas sempre com a boa disposição a que a série nos tem vindo a habituar e foi sempre com um sorriso no rosto que vi a sua relação a desenvolver-se, muitas vezes por intermédio de interactividades, à semelhança das de Joe e Ellie em The Last of Us.

Ou não fosse este um jogo a cargo da Naughty Dog, visualmente este é um jogo que impressiona e não demora a fazê-lo. Desde a animação das personagens a cenários, como áreas urbanas, florestas, templos e ruínas, acompanhar a aventura de The Lost Legacy foi sempre um deleite para os olhos. Tal como já acontecia nos títulos anteriores, vasculhar cada recanto em busca de um tesouro escondido, voltou a fazer parte da minha rotina, bem como o parar para apreciar cada paisagem. Só que desta vez, Chloe juntou-se a mim com o seu telemóvel. Além das incríveis fotos que podemos tirar, recorrendo ao Photo Mode que marca o seu regresso, muitas vezes vão dar de caras com partes do cenário com as quais podem interagir. Façam-no e, tal como vocês, também Chloe irá apreciar a paisagem à sua/vossa frente e tirar uma bela fotografia, para mais tarde recordar.

Ainda sobre os cenários, tal como em Uncharted 4, todos eles são bem ricos e detalhados e muitas vezes para os percorrer teremos de recorrer à acção de plataformas. Aqui é Uncharted tal como o conhecemos, com todas as qualidades e imperfeições que temos vindo a identificar ao longo da série. Quando não estamos a saltar de um lado para o outro, estamos a resolver puzzles e ainda que sejam relativamente simples, não deixam de ser dos mais originais que a série alguma vez viu e são bem gratificantes de superar. Além disso, para agitar um pouco as coisas, a história vai também colocar-nos ao volante de um jipe a explorar um enorme mapa open-world numa das secções do jogo, à semelhança de Madagascar em Uncharted 4. Mas cuidado! Mudem de capítulo e só poderão voltar a esta secção quando, depois de completarem a história, a quiserem repetir. Não há muito para fazer, além de tesouros para descobrir e de um puzzle opcional para resolver, mas que me deu um gozo tremendo meter prego a fundo, acelerar e percorrer este mapa de uma ponta a outra, vezes sem conta, lá isso deu!

Os cenários são também eles mais amplos e sujeitos às mais variadas abordagens, o que é óptimo para fazer frente aos homens de Asav, o novo antagonista. Em combate, Chloe mostra-se diferente de Drake. Enquanto que o herói da série assume um estilo de luta mais improvisado, Chloe não se poupa em exibir técnicas de artes marciais, muitas vezes em combinação com Nadine. Para o campo de batalha vamos encontrar algumas novidades, como uma pistola com silenciador que confere uma maior distância à acção furtiva do jogo, bem como novas armas para quando o caos se instalar. Chloe tem ainda a capacidade fazer lock pick, que introduz uma nova mecânica quando precisarmos de abrir algumas portas e que se mostrará útil ao permitir-nos abrir algumas das caixas que os nossos inimigos transportam consigo e que nos dão acesso a algumas das melhores armas.

Uma vez que este jogo funciona como um jogo próprio e não como uma simples expansão DLC, graças à sua longevidade (aproximadamente 10 horas), a sua aquisição dá-vos acesso ao mais recente Multiplayer da série. Aqui, além de novos fatos e de Asav agora como personagem jogável, a principal novidade é mesmo o Survival Arena (também disponível para os possuidores de Uncharted 4), um modo cooperativo que coloca os jogadores contra mais de 130 vagas diferentes de inimigos (novos e conhecidos).

O resto, como dizem, é história! Com um grafismo de excelência, aliado a uma boa narrativa – desta vez com esta dupla improvável de protagonistas – e um novo antagonista que fará de tudo para nos fazer parar, tudo acima descrito serve para dizer que The Lost Legacy é Uncharted no seu melhor! Ao longo das várias horas de jogo, foi com prazer que acompanhei a relação entre Chloe e Nadine e no final fiquei a pensar noutras possíveis combinações de personagens introduzidas pela série. Descansem os mais reticentes pois, para qualquer fã de Uncharted, The Lost Legacy é uma compra mais do que segura, as horas vão passar e vocês nem vão dar por isso!



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