Uni_Form

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"Não vamos parar até conseguir realizar mais uns sonhos". A entrevista com a banda a propósito de "1984" e o vídeo para «Walking on a fire line»

Os Uni_Form iniciaram funções no ano de 2006 com David no baixo e o irmão Nuno na bateria. Colocam um anúncio na internet e conhecem Billy, vocalista e guitarrista da banda.

Em 2008 junta-se à banda THE CODE para tocar guitarra e teclados, mas um ano depois voltam à formação original e editam “Mirrors”, que seria lançado em 2010, e assinam pela Compact Records.

Agora com mais um membro, o Miguel, lançam “1984”, “uma homenagem assumida à obra de George Orwell” e o vídeo «Walking on a fire line», que nos dão a desculpa para falar com o Nuno Francisco. Com umas ajudas dos restantes membros da banda.

Desde 2006, ano em que iniciaram a banda e fazendo uma retrospectiva de percurso, o que mudou desde então?

Muita coisa. Em 2006 éramos três amigos empenhados em mudar o mundo com a nossa música, agora somos quatro.

Já tivemos muitas formações diferentes; ao início éramos os três, depois colocámos um novo elemento para guitarra e teclados, já tivemos uma rapariga nos teclados, depois optámos por convidados. Até que encontrámos a pessoa certa. O Miguel entrou para os teclados e guitarra e ficou.

Mas, principalmente, a forma com que levámos o projecto para a frente. Sempre fomos muito independentes e objectivos na forma de trabalhar, e agora ainda mais. Desde a parte da produção até ao produto final, a sua divulgação e a agenda de concertos, somos nós que nos mexemos para que isso aconteça. Custa muito fazer tudo e dá muito trabalho mas quem olha agora para o nosso CV… não fica indiferente.

São sabidas algumas colaborações em músicas vossas de outros artistas, tais como Dave Scorp (BL), Deadboy (PT) e Papercutz (PT). Consideram que outras sonoridades podem servir como influências e um convite à vossa criatividade?

Somos todos atentos ao que se faz a nível musical, tanto a nível nacional como internacional; somos “Music lovers” mas as colaborações de que falas foram para um objecto em concreto, o álbum de remixes do “Mirrors” o nosso álbum de estreia. Temos convidado outros músicos a colaborar connosco por gostarmos do trabalho que têm vindo a desenvolver com os seus projectos, sem que a sonoridade ou a estética daquilo que produzem esteja directamente relacionada com o nosso trabalho enquanto UNI_FORM. Esse afastamento acaba por ser benéfico para ambos e para o público é interessante e surpreendente o resultado final. No “1984” tínhamos o tema «We are the dead» e achámos bem convidar o João Rui dos A Jigsaw para gravar umas vozes. Eles não se relacionam directamente com o nosso som, no entanto já partilhámos editora em Espanha e são uma das bandas que mais respeitamos a nível nacional. O tema correu tão bem que temos uma versão com e sem o João Rui, que consta num single limitado e numerado. Também usamos esse trecho de voz nos concertos ao vivo, portanto achamos que foi um casamento feliz. É por vezes fora da nossa zona de conforto que encontramos caminhos que nos conduzem de uma forma muito natural à evolução.

São pessoas que admiramos como artistas, o Dave Scorp foi uma surpresa pois não o convidamos (risos), ele apareceu por causa dos Beat bender do Porto que fizeram uma excelente remix, ouviu e pediu-lhes para fazer uma também sem nós sabermos. Ele nem sequer estava no calendário pois nós lançámos uma remix por dia no nosso site e no final já tínhamos a dele a mais e optámos por a colocar também, pois estava excelente.

Quanto às sonoridades, queríamos mesmo uma coisa diferente e foi o que conseguimos, pois tivemos artistas de variadas vertentes a dar uma nova roupagem aos nossos temas e achamos que resultou muito bem.

“1984”, o vosso último álbum, surge como homage à obra homónima de George Orwell, com que intenção?

“1984” é uma homenagem assumida à obra de George Orwell, principalmente pela sua actualidade, mas também representa o nosso “grito” contra os sistemas de controlo que conduzem a uma sociedade reprimida e adormecida.

O vosso último vídeo, «Walking on a fire line», realizado pela MOOPIE e que fecha o ciclo de “1984”, pretende de alguma forma ligar-vos a uma vertente mais dark-alternativa?

Não. As pessoas tentam sempre encontrar rotúlos para algo; claro que a vertente dark alternativa está associada aos Uni_Form, mas não só, como estão os anos 80 e os 90 pois foi aí que muitos de nós começámos a ouvir ou a criar algo musicalmente.

Os quatro elementos da banda adoram música e ela vai desde o Indie ao Rock, Metal, Electro e até à música clássica e do mundo, portanto não será por aí. Ficamos felizes por sermos acarinhados por essa onda dark-alternativa, mas os nossos horizontes não são curtos. O nosso post punk revival não tem apenas um lugar comum. Somos do Mundo e não queremos ser etiquetados.

Do já vasto percurso, quer de repertório quer de concertos e festivais, que aspectos positivos retiram dessa experiência?

Os concertos em solo nacional ou internacional sempre serviram para mostrar a música que fazemos e toda a parte cénica e visual da banda. Seja em clubes, seja em festivais tentamos dar sempre o máximo e surpreender de alguma forma.
Não terá sido por nada que já tocámos com nomes como She Wants Revenge, O´Children, Peter Hook and the Light que nos convidou ele próprio, mesmo não estando o promotor de acordo, e Peter Murphy a celebrar Bauhaus.

Aprendemos muito com estes senhores, tanto a nível profissional como mesmo a nível de atitude perante a vida. São experiências muito enriquecedoras e inesquecíveis.

A música em Portugal consegue comungar com o vosso estilo apresentado, ou têm mais projecção a nível internacional?

Temos verificado que existe um crescente número de pessoas a seguirem o nosso trabalho em Portugal, mas muito mais lá fora. As novas tecnologias e o feedback dos fãs é cada vez mais próximo de um click, de uma mensagem ou mesmo de um e-mail. Sentimos carinho em Portugal mas tem sido lá fora o salto maior. O público adere e gosta da sonoridade e performance, mas esgotar cd´s e merchandising em locais como por exemplo a Alemanha num dos seus maiores Festivais, fazer uma sessão de autógrafos na Bélgica, sermos convidados para tocar numa Rádio em streaming na Holanda, e ter o Razzmatazz cheio à nossa espera na vizinha Espanha foi surpreendente e maravilhoso.

Mas é aqui que ainda há muito a fazer, é o nosso País e queremos ser reconhecidos como somos lá fora. Falta talvez um empurrão de algum BOY… Big Brother is always watching you…

O que vos falta ainda fazer e que têm em mente projectado e ainda não conseguiram pôr em prática?

Falta muita coisa… um músico nunca está satisfeito com o que tem, aliás, é próprio do ser Humano querer mais e melhor e nós não somos diferentes.

Sabemos, no entanto, que já não estamos no patamar 0 e que já temos muita coisa boa feita, mas é isso que nos faz sonhar que é possível mais e melhor.

Existem muitas pessoas com quem queríamos trabalhar, tanto a nível de produção como a nível criativo, e não vamos parar até conseguir realizar mais uns sonhos. Talvez no próximo ano, e com o novo disco, seja possível revelar mais algumas surpresas… Estejam atentos!!!



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