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Universal Everything

A multidisciplinar agência criativa virtual pelas mãos de Matt Pyke.

Matt Pyke, 33 anos, acorda todos os dias às sete da manhã e desenha. Uma hora depois, leva o seu filho à escola, recolhendo informação de tudo o que vê pelo caminho. 30 minutos depois está a correr, com o volume do seu iPhone no máximo, enquanto ouve Dubstep. Às nove está no estúdio, dedicando-se a planear todo o seu dia durante uma hora. As próximas duas horas são dedicadas à criação, enquanto 48 e-mails caem na caixa de correio. Hora de almoço com a namorada. Às 13 está de volta e até às 17, antes de ir para casa, desenha, cria, clicka, fala e anda em videochats. Entre as 17h30 e as 21 dedica-se a cozinhar o jantar e à família. É então hora de ver um filme, desenhar e beber uma cerveja ou um copo de vinho. Às 23 tenta formatar a memória e dormir.

Este é um dia típico na vida do fundador da Universal Everything, multidisciplinar agência criativa virtual nascida em 2004 em Sheffield, na Grã-Bretanha, e que agora é uma autêntica rede global com mais de cinquenta colaboradores. O resultado é uma inteligente fusão entre design, arte, tecnologia, engenharia de som e moda, com a particularidade de se reinventarem a cada novo trabalho. Recusam criar algo remotamente parecido com o que foi feito anteriormente, pegando nas ideias dos clientes e levando-as para direcções totalmente inesperadas.

Em conversa com a RDB, Matt começa por explicar como consegue manter a agência tão activa a partir de Sheffield, que fica sensivelmente a duzentos quilómetros de Londres. “Vamos a Londres e a outras cidades europeias uma vez por semana. Aparte isso, comunicamos através de videochat, ichat, telemóvel, skype e e-mail.” Mas certamente existirão pontos positivos e negativos num modelo de agência virtual, que tenta trabalhar com pessoas de todo o mundo, afirmamos nós. “Os pontos positivos são que os recursos disponíveis são imensos e podemos mudar a orientação criativa a cada projecto. Podemos sempre encontrar novos talentos com quem trabalhar e sermos surpreendidos com o input recebido.” E os pontos negativos… “demasiadas diferenças horárias, difícil gestão da produção e o facto de que as pessoas extraordinárias estão sempre cheias de trabalho”.

Partimos então para o processo criativo da Universal Everything. “Geralmente a ideia nasce enquanto não penso em nada em concreto. Talvez tenha uma parede forrada com referências; fotografias, rascunhos, vídeos…” A partir daí, forma-se uma equipa criativa para o projecto e “começamos a pensar na direcção a seguir. Num vaivém de ideias.” Enviam então qualquer coisa ao cliente, ouvem-no e envolvem-no no refinamento da ideia. A produção propriamente dita começa enfim. “Planeamos o tempo necessário para a conclusão do projecto e vamos enviando coisas bonitas ao cliente.”

Uma vez terminado, documentam-no sempre. “Tiramos fotografias, fazemos vídeos e colocamos tudo na nossa página, no vimeo, youtube, flickr, etc. Soltamos o trabalho na selva, espalhando-o em sites noticiários, blogues e imprensa… Aí, um novo cliente vê-o e liga-nos”, solta entre gargalhadas.

Como em todo o trabalho criativo, alguns nascem puxados a saca-rolhas. “Forever”, instalação de vídeo feita para o V&A Museum, em Londres, é um deles. “Contrataram-nos para criar uma instalação de luz digital para o jardim central. Queríamos entregar algo envolvente, com vida própria. Tivemos de lutar contra o frio, chuva e ventos ridículos. Queríamos fazer flutuar uma parede de vídeo de 1500 volts num lago… Os sponsors ficaram nervosos quando entrámos em crise e abandonaram-nos. Por fim, a Apple apoiou-nos na criação de um videopodcast. Atingiu o segundo lugar do chart norte-americanos. Por um dia!”.

Quisemos também conhecer histórias sórdidas passadas na Universal Everything… “Uma vez fizemos um trabalho para a Marlboro. Demos o dinheiro para a caridade”, disse-nos Matt.

A conversa termina com a antecipação da conferência que vão dar em Maio, na OFFF e as expectativas para 2009. “Na OFFF podem conhecer 200 das nossas inspirações predilectas, projectos realizados em primeira-mão e um sorriso do tamanho do mundo. Para este ano queremos apenas continuar a evoluir, explorando e aprendendo”.

Vemo-nos em Maio então.



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