Unknown Mortal Orchestra | “II”

Unknown Mortal Orchestra | “II”

Rock psicadélico com uma pitada de funk dos 60's, a partir de uma garagem nos subúrbios

Imaginem que um grupo de rapazes dos Estados Unidos e da Nova Zelândia descobriam uma forma de viajar para o passado – a década de 60 é a que mais me vem à cabeça – e quando voltassem traziam uma mistura irresistível. Um pincelada de rock ali, um travo de psicadelismo ali, uma pitada de funk para rematar com estilo; tudo servido a partir de uma qualquer garagem de um qualquer subúrbio. Eis os Unknown Mortal Orchestra.

«From the Sun», a abertura de “II”, o segundo álbum da banda baseada naquela que é, para muitos, a cidade mais indie dos Estados Unidos, Portland (“Put a bird on it!” – procurem por Portlandia no Google), é talvez das melhores entradas que tive o prazer de ouvir nos últimos tempos. É um acorde simples aquele que se ouve logo nos primeiros segundos da canção, antes de ouvir a voz de Ruban Nielsen a cantar “Isolation can put a gun your hand”. Deixa-nos com vontade de continuar a escutar.

«Swim and Sleep (Like a Shark)» é uma canção em que a vergonha, o medo e o embaraço são postos a descoberto: “I wish that I could swim and sleep like a shark does / I’d fall to the bottom and I’d hide til the end of time / In that sweet cool darkness / Asleep and constantly floating away”.

A linha algo psicadélica seguida até aqui mistura-se um pouco com o funk alucinógeno de «So Good at Being in Trouble» e sentimo-nos ainda mas emergidos no álbum. A canção tem uma estrutura circular que tem tanto de simples como de viciante e versos como “So good at being in trouble / So bad being in love” revelam-se certeiros para caraças. Se «So Good at Being in Trouble» opera uma transição para o funk, «One at a Time» é funk puro para nos pôr a dançar. Neste ponto da nossa escuta compreendemos que existe uma estrutura claramente definida em “II”, tornando-o um objecto realmente interessante, apelativo, e que não se limita a trilhar um único caminho.

«The Opposite of Afternoon» e «No Need for a Leader» são rock daquele que nos dá vontade de acompanhar com palmas. São também duas canções com duração superior a cinco minutos, ao contrário do que se verificava até aqui, e que vincam, uma vez mais, as mudanças que experienciamos enquanto escutamos “II”. Segue-se «Monki» que é, não só a canção mais longa do álbum, – tem mais de sete minutos de duração – como também um dos objectos mais interessantes pela forma como pega no psicadelismo, no funk e no rock que se escutou até aqui de uma forma mais compartimentada, e os combina numa única peça. Fecham-se os olhos e conseguimos versos como “It’s in his conscience / That musical notes give him / Someone to mourn”, ficam a ecoar na cabeça. «Dawn» é um momento de curta introspecção, que desperta e se recolhe sempre ao som de uns teclados, até aqui num registo quase sempre de segundo plano.

A sequência final, composta por «Faded in the Morning» e «Secret Xtians», complementam-se de uma forma perfeita. A primeira como que nos pede um último esforço, noite a dentro, até ao raiar do dia. Já a segunda, é a canção que nos embala no nosso regresso a casa.

“II” não é uma obra-prima mas é um belo, belo álbum.



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