Ursula Rucker

Portugal está no trilho da profecia.

Quando, em Novembro de 2003, atribuímos a primeira capa da rua de baixo à “profeta” norte-americana, nunca imaginámos que dois anos e uns poucos meses depois estaríamos de novo a escrever sobre mais um álbum e digressão de Ursula Rucker pelo nosso país. Felizmente estamos. A spoken word urbana de Ursula Rucker está de regresso com “Ma`at Mama”, um disco que será apresentado em três concertos: dia 16 de Março no Lux em Lisboa e dia 19 de Março na Casa das Artes de Famalicão.

Depois de um excelente segundo álbum, meticulosamente analisado na primeira edição da rua de baixo (ver artigo relacionado), Ursula Rucker regressa com “Ma`at Mama” que, embora continue a evidenciar a natural tendência para o spoken word, apresenta-se como um disco ainda mais urbano, utilizando da melhor forma balanços instrumentais hip-hop, downtempo e jazzy.

Liricamente Ursula continua “sem papas na língua”. Os temas abordados nos discos anteriores continuam a servir de mote para grande parte dos “poemas” de “Ma`at Mama”, designação retirada de um antigo princípio Egípcio, “a fundação da ordem e balanço universal”.

Racismo, pobreza, emancipação da mulher, capitalismo, mentira, hip-hop, amor e sexualidade, são alguns dos temas que explora no decorrer dos 15 temas do disco, através de um discurso “cru”, por vezes muito duro, mas sempre “verdadeiro”, que retrata as suas próprias vivências e funciona como um autêntico manual (ou Bíblia se preferirem).

Pelo meio, existem ainda passagens por alguns dos mais recentes êxitos da música “negra” mainstream («Hot in Here»-Nelly e «Hollaback Girl»-Gwen Stefani, por exemplo), bem como algumas referências nostálgicas das raízes do hip-hop (“When hip-hop was funky … when hip-hop was life”, em «Church Party»).

Uma última nota para o tema “Libations”, onde Ursula Rucker cita uma enorme lista de “personalidades” e figuras, nossas antepassadas, pedindo-lhes para “olhar por todos nós”. Nessa lista encontramos Amália e “Ferdinand Paseo” ?? Embora Ursula já tenha pedido desculpa pelo erro (numa recente entrevista), não deixa de ser uma falha que ficou registada em disco e que é importante registar.

Se puderem, não deixem de assistir a esta “senhora” ao vivo, porque vale mesmo a pena.

Aqui ficam as datas:

16 de Março – Lux ,Lisboa
19 de Março – Casa das Artes de Famalicão



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