Uxu Kalhus

Caldeirada musical portuguesa.

Sejamos sinceros: para quem nunca tenha ouvido falar, o nome Uxu Kalhus não é um cartão de visita muito aprazível. Contudo, mesmo para os mais cépticos, a solução é simples: basta ouvi-los, de preferência ao vivo.

É impossível ficar indiferente aos Uxu Kalhus. Este colectivo nacional é um autêntico caldeirão de influências musicais (eles próprios se definem como uma banda de trad-rock-folk), que funde décadas de música tradicional anglo-saxónica com os ritmos africanos e orientais, numa linguagem contemporânea bastante própria. Imaginem uma versão ska do corridinho ou uma abrodagem jazz do vira. Agora injectem-lhe umas doses de adrenalina e loucura e têm uma ideia aproximada do que são os Uxu Kalhus.

A música dos Uxu Kalhus exprime-se melhor ao vivo. Não só pela energia que impregnam nas suas actuações, mas especialmente pela relação intrínseca que o conjunto mantém com a dança. Utilizando esta vertente, a banda recupera e divulga as danças tradicionais nacionais e europeias, animando os concertos em bailes sofisticados, onde até o mais pé-de-chumbo dos dançarinos se rende a uma polka ou uma valsa. Num concerto dos Uxu Kalhus não existe limite entre o palco e a pista de dança.

É com o intuito de tentar captar esta energia que o tão aguardado disco de estreia dos Uxu Kalhus, com saída agendada para este mês, foi gravado ao vivo numa forma bastante original de estreia discográfica. O álbum apostará num repertório de temas tradicionais portugueses, como é o caso de «Erva Cidreira», «Regadinho» e «Malhão», mas sobretudo em temas originais. O primeiro deles, «Xotica», já pode ser ouvido na página da banda no myspace (www.myspace.com/uxukalhus).

Falta então apresentar a banda: Celina da Piedade [voz e acordeão] e Paulo Pereira [Flautas e Rauchspfeiffe] são a metade tradicional deste grupo, complementado pela linguagem mais contemporânea de Eddy Cabral [baixo eléctrico], Vasco Casais [guitarra eléctrica e Bouzouki] e Ricardo Reis [bateria e percussão]. A Rua de Baixo esteve à conversa com eles.

RDB: Os Uxu Kalhus definem-se como uma banda trad-rock-folk, com influências de afro-jazz-rock-ska. Como funciona esse caldeirão de influências?

Uxu Kalhus: É um processo natural. Cada músico tem formações, experiências de vida e influências diferentes que tentamos misturar da melhor forma durante as nossas criações.

E porquê esse nome, Uxu Kalhus?

Uma vez o Paulo Pereira (flautas) aquando da véspera de um concerto em França com músicos portugueses, perguntou à Srª Margarida Moura por telefone, que nome deveria dar ao projecto musical que ia a França, ao que ele respondeu “Os Chocalhos” que entretanto mudou para Uxu Kalhus.

A maioria de vocês têm vários outros projectos, alguns completamente diferentes. Como arranjam tempo para os Uxu Kalhus?

Com alguma dificuldade, mas com muita vontade tudo se arranja.

Durante os vossos concertos, o público é convidado a dançar ao som da música de raíz tradicional. A dança é indissociável da vossa música?

Sim. Somos assumidamente um grupo de baile, ou pelo menos é sempre a partir da dança que construímos as nossas músicas.

O grupo tem ainda participado em vários eventos relacionados com as danças tradicionais, como o Andanças e o Entrudanças. É uma ideia a prolongar?

Sim.

Qual é a situação actual da música tradicional em Portugal e na Europa?

Na nossa opinião em Espanha e França está estável, em Portugal existem bandas que se preocupam em recuperar a herança musical deixada pelos nossos avós.

Portugal encetou, actualmente, uma guerra contra a pirataria musical na internet. Qual é a posição dos Uxu Kalhus nesta batalha?

Isso é um problema das editoras. No nosso caso, o nosso disco é encarado como um objecto artístico, não só pelo conteúdo musical assim como pelo exterior. Quem adquirir o disco tem em seu poder um objecto de arte. Para além disto, os verdadeiros Uxu Kalhus só podem ser bem apreciados ao vivo.

Quanto ao novo e tão ansiado disco de estreia, que nos podem adiantar? Já há data de estreia? E título?

Estamos a apontar para a segunda quinzena de Maio. O nome vai ser “A Revolta dos Badalos”.

Para finalizar, não posso terminar sem perguntar quais são os planos  da banda para o futuro?

Ter mais filhos, continuar a fazer música com qualidade e esperamos lançar a semente para uma nova abordagem à música tradicional.



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