“Vai, Brasil” | Alexandra Lucas Coelho

“Vai, Brasil” | Alexandra Lucas Coelho

O Apocalipse nunca vai acontecer no Rio de Janeiro

Há cerca de duas semanas, a Associação Portuguesa de Escritores (APE) atribuiu a Alexandra Lucas Coelho o Grande Prémio de Romance e Novela, relativo ao ano de 2012, pelo romance “E a Noite Roda”.

Cronista e colaboradora do jornal Público – saiu por opção dos quadros do jornal no início deste ano -, Alexandra Lucas Coelho é um misto de jornalista e romancista, tendo tomado a decisão de se dedicar, por agora e por inteiro, a escrever livros. O próximo romance, intitulado “Deus Dará”, irá situar-se no Rio de Janeiro, cidade para a qual, em Dezembro de 2010, Alexandra Lucas Coelho se mudou, e que aparece retratada de forma surpreendente em “Vai, Brasil” (Tinta da China, 2013), livro que integra a já extensa – e muito recomendada – colecção dedicada à literatura de viagens editada pela Tinta da China.

A escritora portuguesa tornou-se, de certa forma, brasileira – «português a falar brasileiro não tem jeito» -, ouvindo testemunhos no ônibus, subindo às favelas e olhando para a realidade brasileira de vários ângulos, num relato que começa no final do governo de Lula e finaliza no começo das grandes manifestações públicas contra o estado actual do país e das coisas.

Conhecemos a rivalidade imensa entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo – acredita-se que «o Apocalipse nunca vai acontecer no Rio de Janeiro» -, damos conta de que as verdadeiras caipirinhas são feitas com gelo inteiro e açúcar branco, vamos à praia, dançamos no carnaval, comemos como reis. Ficamos também a saber que no Brasil há mais mulheres que homens e que, num país de café, também é hábito beber-se mistelas pouco recomendadas. Temos ainda uma ode imensa aos índios, numa viagem pela Amazónia onde, segundo se lê, «crime é investimento.»

No final da viagem, mesmo que desta longa jornada se retire a ideia de que entre o atraso e o progresso do país a sua estrutura perversa permanece, fica uma palavra de esperança: amanhã. Quem sabe, amanhã. Entre o jornalismo e o romance, Alexandra Lucas Coelho ofereceu-nos mais um passaporte para o mundo. É seguir viagem.



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