Vampire Weekend | “Modern Vampires of the City”

Vampire Weekend | “Modern Vampires of the City”

A convergência dos primeiros trabalhos

Surgidos internacionalmente por volta de 2008, grosseiramente impelidos pelo homónimo álbum de estreia, os Vampire Weekend afirmaram-se incolumemente pela ligeireza africana do seu indie rock, pela fluência curiosa nas invulgares influências que povoavam a sua musicalidade. Tratou-se, de facto, dum crescendo qualitativo, dum logro pessoal, a jornada expediente das texturas bold e do contraste brotado das cordas atrevidas por vezes, tipicamente esmorecidas por outras, de “Vampire Weekend” para o consequente “Contra” de 2010, de mordazes, imorais composições que influência tiveram para a definição derradeira da importância da banda no panorama indie mundial.

Os sons ásperos que tomaram de assalto o último álbum revelavam-se apropriados à condição única de VW. «Cousins» viciava na plenitude dos tambores festivos, «Holiday» festejava no clima radioso de que desfrutava; constante ao longo do álbum. Traçava-se, então, um percurso que, embora se procurasse a renúncia ao seu fim, pecava na possibilidade protuberante do mesmo.

Então, “Modern Vampires of the City”. Denota-se, claramente, que o mais recente trabalho se determinou não pela tentativa (i)lógica de prosseguir a fórmula que vence, à sombra de quaisquer razões que não musicais, mas sim pelo rumo a nenhures, pela barca que apenas à tona se mantém, nada  mais; uma travessia pela criatividade.

Tomado levemente por influências pop, passeia-se uma comedida, concreta e homónima envolvência, atordoante dos cromáticos traços espontâneos de “Contra”, prosseguindo na amplitude das cordas; trata-se de um récord mais específico, coerente no todo, onde todo um movimento contrastante entre os sons agudos e graves cria uma dualidade docemente complementada pelos vocais de Ezra: «Obvious Bicycle» lança a sonoridade, de texturas aveludadas, de pianos vibrantes; «Everlasting Arms» prova a concordância pelo background oneroso.

«Diane Young» protagoniza, então, uma expansiva ascensão enérgica do pós-début inicial: salpicada por agudos, graves, médios infiéis e determinados, peca na falta de unidade, na volatilidade inerente à sonoridade. De facto, entre um vocal stereo distorcido escalarmente, e entre o desconforto melódico de «Don’t Lie», denota-se uma frieza clínica que, embora não seja insípida, provoca um prejudicial efeito contrário a «Hannah Hunt», num crescendo sensível, causa das cordas de algodão; «Worship You», por sua vez, distorce-se numa bateria cavalgante, num dos poucos registos, a par de «Finger Back», onde as vicissitudes pulsantes não se domesticaram e mantiveram a frugalidade de Chris Tomson.

Esta delinquente concessão pop, embora não recaia na indiferença, demonstra-se aérea, apesar da unidade geral do álbum: possuído por tons veraneantes, turistas de nova cidade natal, o verde, o azul, demonstra-se largamente diversificado na pressão com que se pinta: os contornos gris e breus e monocromáticos de «Hudson» fluem tanto como os suaves ataques pianistas de «Young Lion», que tanto fluem com as metáforas vítreas da composição lírica.

Mantém a identidade. Sintetizadores aglomeram-se; as cordas versáteis caracterizam-se pela existência própria desde o álbum de estreia, embora descuidadas; momentos de florais sons de “Contra” presenciam-se: culmina, justamente, pela semelhança dupla dos trabalhos anteriores. De delicada condição, de geral coerência, embora intrinsecamente contrastante, de experimentalismos vulgares, designa-se pela importância das entrelinhas musicais: há mais nos tons encobertos que, de relance, seria invisível.



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