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“Venom”

Indigesto.

Dizer que fui criado pela MARVEL e pela DC, apesar de parecer ser uma crítica pungente aos meus pais e irmãs – o que seria imerecido e até ingrato – é antes, a constatação que o nerd que habita em mim se alimentou muito destes universos tão complexos quanto apetecíveis.

Por essa razão eu deveria ser um homem muito mais feliz nestes passados anos pela adaptação de muitos dos meus amigos de infância ao grande ecrã …mas apesar da enorme evolução tecnológica e imagética do cinema moderno, da assessoria técnica de nomes grandes da indústria como Stan Lee e até a inclusão de atores de primeira linha do mainstream nos elencos destas películas, a verdade é que raramente saio do cinema satisfeito após ter revisitado a “minha rapaziada”.

a simplificação é de tal modo abusiva que tanto as personagens principais como as suas motivações se tornam em muitos aspectos irreconhecíveis

Talvez esteja a exigir demais, é possível que queira recuperar aquela magia infantil/juvenil que sentia após ter lido os exemplares de: Herói da TV, Super Heróis Marvel, O Incrível Homem Aranha, A Liga da Justiça entre tantos outros…o que provavelmente nunca mais irá acontecer a não ser que a infantilização comum a quem adentra a última fase da vida me devolva esses momentos únicos.

Seja como for, compreendo no entanto (principalmente quando falo com marvetes  e/ou dc´s com menos de 30 anos) que o seu conhecimento acerca destes Multiversos não só é bastante limitado mas raramente ultrapassa as mais recentes Graphic Novels e….os filmes.

E era precisamente aqui que queria chegar: Os filmes baseados nos chamados livros de super-heróis, foram, na sua maioria, construídos para entreter aqueles que pouco conhecem acerca dos personagens e não necessariamente para aqueles que os conhecem intimamente há largos anos.

Para estes jovens que buscam o entretenimento em estado bruto típico dos Blockbusters, não é necessário cruzar a biografia dos protagonistas, não existe a necessidade de explicar a mitologia e muito menos se exige uma cronologia coerente. As histórias são enormemente simplificadas para melhor absorção, mas a que custo?

Isso é muito evidente neste Venom, onde a simplificação é de tal modo abusiva que tanto as personagens principais como as suas motivações se tornam em muitos aspectos irreconhecíveis.

Mas já voltaremos a esta parte da crítica, detenhamo-nos para já no produto cinematográfico.

Realizado por Ruben Fleischer em “cima” do argumento criado pela tripla constituída por:  Jeff Pinkner , Scott Rosenberg e Kelly Marcel , a obra conta com a participação de um dos mais multifacetados atores da actualidade, o britânico Tom Hardy que aqui veste literalmente a pele de Eddie Brock / Venom.

O resto do elenco apesar de algumas surpresas como Woody Harrelson e Riz Ahmed, não merece, na minha opinião, mais qualquer comentário pois o filme reparte-se entre Tom Hardy/Eddie Brock e Tom Hardy/Venom.

Do ponto de vista da realização e do desenvolvimento da acção, o filme segue a linha narrativa habitual deste tipo, com o uso de CGI a tentar tapar os enormes buracos abertos por cenas de acção mais previsíveis que uma entrevista a um treinador de futebol que perdeu em casa e diálogos que não deixam recordações…infelizmente, desta vez, não temos sequer aquelas tiradas cabotinas mas memoráveis habitualmente entregues aos vilões de serviço.

Com valores de produção bastante razoáveis mas com um guião evidentemente fraco, temos pouco mais de hora e meia que não deixarão nem boas nem más recordações.

Encerrando o assunto anteriormente levantado acerca da simplificação extrema da história e das personagens, gostaria de referir que o Symbiote (vão procurar o que é…) Venom está no top 30 dos melhores vilões da MARVEL de todos os tempos, muito por “culpa” da enorme complexidade das suas motivações e das relações, por vezes, simbionantes e outras vezes parasitárias que estabelece com mais de uma dezena de outras personagens e que o levam a ser vilão e quase herói em momentos diversos.

Lembremos que a história de Venom nasce com o “Amazing Spider – Man #258” em Novembro de 1984 e é com ele que se notabiliza, só depois transferindo a força da sua presença para Eddie Brock.

Se esta revisitação ao mundo dos Symbiotes (ainda não procuraram?) como Venom e Carnage, tivesse começado com um pouco daquilo que o filme Spider-Man 3 nos deixou e só depois passasse para Eddie Brock…provavelmente teríamos todo um outro animal…assim temos mais uma medíocre adaptação do maravilhoso mundo da MARVEL ao grande ecrã, onde apesar dos pequenos Cameos (agora já esperados) de Stan Lee…nada mais se encontra dele, de Miller , Shooter, Zeck ou Michelinie…

Se tivesse que dar uma nota a Venom, teria que a dividir por escalões:

Para quem não é iniciado no universo da Marvel – Satisfaz Pouco.

Para quem é iniciado no universo da Marvel – Não Satisfaz.



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