Veronica Falls | “Waiting for Something to Happen”

Veronica Falls | “Waiting for Something to Happen”

A banda que nada tem a provar

Veronica Falls, banda encabeçada pela vocalista Roxanne Clifford e pelo baterista Patrick Doyle, surgiu no panorama musical mundial no ano de 2008. O seu début, “Veronica Falls”, verificava uma estrutura musical coerente, quer em diversidade, quer na sua uniformidade, agregada a uma sensibilidade fora do normal na incomum cáustica sonoridade, levemente trash, presente nas guitarras entrecortadas do indie pop alternativo dos britânicos.

O timbre característico da banda estaria perpetuamente interligado à sua identidade, reconhecendo, como seus expoentes, a docemente arrogante «Beachy Head», possuída pela lírica macabra – aliás, presente em todo o seu primeiro trabalho -, em contraste com a aparente leviandade da melodia, ou a frenética «Found Love in a Graveyard».

“Waiting for Something to Happen” corroborou parcialmente esta realidade: as componentes intrínsecas ao estilo Veronica Falls mantiveram-se facciosamente: o suave low-burn de cordas constante vibra por entre a química entre Roxanne e Patrick, todos os tons gris que as melodias pintavam no nosso imaginário prosseguem na sua existência; ainda assim, a atmosfera noise que fluía inocentemente foi modificada pela inclusão de harmoniosas guitarras entrelaçadas mais sensíveis; o cinzento som protagonizou não uma perda, mas um progresso cromático que envolve o ouvinte num casulo de conforto quanto baste.

É, de facto, um álbum que se assemelha menos à mistura de Trashmen e Sonic Youth do estreante e mais a The Jesus and Mary Chain: este ponto é particularmente notável. A influência de The Velvet Underground é, além de ténue, reconhecida nas emaranhadas cordas de «Tell Me»; The Mamas and the Papas ecoam pela generalidade do récord. Veronica Falls provoca, em curtas, apelativas, consolidadas composições, uma sinfonia homogénea originada em fontes tão diferenciadas como as referidas.

Resulta, portanto, num trabalho constante e coerente do início ao fim, fundado pela aérea sensação de leveza que pouco de ligeiro tem: essa envolvência que não afoga – mas que tende a persistir – demonstra-se no seu auge em momentos como «Shooting Star», dotada duma brilhante esperança encoberta na pluma da voz de Clifford, ou «If You Still Want Me», possuída pela linha de baixo melancólica.

A continuidade destes elementos ao longo do álbum rapidamente descai para a inevitável conformidade das “diferentes” melopeias: suavemente, adquirem um valor extremamente próximo, evidente principalmente nos refrões; avança delicadamente numa monotonia que retira o brilho ao politicamente incorrecto, condensando num só. Consequentemente, não existe a vivacidade tão premeditada de outrora; no entanto, existe ainda a energia peculiar às canções de Roxanne.

Todo este adocicado ambiente contagiou a composição lírica, perdendo a mordacidade prévia, mas obtendo uma puritanismo pueril que não tende para o romantismo ineficaz. Tratam-se de letras perspicazes: “Every seed’s a flower / And every second’s an hour”, por exemplo, paira em «Falling Out».

É, portanto, um trabalho constante e capaz da tarefa de florescer pós-início. Enevoa-se uma expectativa que foi cumprida nos parâmetros decididos pela banda. O sentimento de desejar apenas fazer música mantém-se: não existe nada a provar, nada a dever.

Recordem aqui a entrevista aos Veronica Falls.



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