Vetiver @ ZDB a 16/09/2006

Doce América

“To Find Me Gone”, disco recente do colectivo Vetiver, é um diamante em bruto. Peca um pouco na consistência global enquanto disco, mas ganha imenso nos pormenores. Nas canções em formato isolado, umas mais inspiradas que outras, certíssimo. Mas quando acerta, acerta em cheio. «Been So Long», faixa de abertura do disco, é candidata natural a canção mais bonita da classe 2006, por exemplo. E ao vivo? Resulta tudo muito bem, em traços gerais. Mas vamos por partes.

Consta que o ano passado tocaram para uma plateia de vinte pessoas no Lux. E tinham Devendra Banhart em digressão com eles na altura, inclusive (o que não sucede por estes dias). Agora, depois do segundo de originais e em época propícia a uma certa recuperação de sonoridades mais folk, Vetiver ao vivo em Portugal equivale a casa cheia na ZDB.

Antes do concerto de Andy Cabic e restante pandilha, o espanhol AA Tigre apresentou as canções de “Felicidades”, disco de estreia a editar brevemente. Acompanhado por um clarinetista que pouco se fez ouvir, AA Tigre cantou e tocou viola de forma discreta, baixa. Silenciosa. Com momentos interessantes, outros nem tanto. Contudo, o saldo final deixa antever boas ideias que talvez em disco sejam esplanadas de forma mais convincente. A rever com maior background do repertório do músico.

O concerto dos Vetiver tomou como referência central a novidade “To Find Me Gone”, como seria de esperar. Mas não só – escutaram-se também algumas pérolas maiores do disco de estreia e houve tempo para, inclusive, ser apresentada uma versão de um tema de Michael Hurley, um histórico da folk e dos canadianos (históricos também pelo que conta Cabic) Great Speckled Bird. Ainda mais despidos do que em disco, os temas dos Vetiver não perdem nada com isso. Ganham ainda mais beleza, ternura, doçura até.

«Amour Fou», um dos momentos maiores da banda até hoje, foi o final que todos desejariam para uma noite quente, suada, mas feita de sorrisos. Do público presente à banda, visivelmente satisfeita por retornar a Lisboa com um maior público conhecedor da sua obra. Efeito Devendra Banhart ou não, os Vetiver têm a partir do fim-de-semana passado ,e como dizia o disco dos outros, mais alguns amigos em Portugal.



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