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Vodafone Mexefest 2012 – Porto

Pôr a mexer a Alta Baixa do Porto!

Foi este o mote do festival de música Vodafone MexeFest, que se deslocou de Lisboa, onde se estreou no final do ano passado com sucesso, para se inaugurar na Invicta.

Primeiro dia

A Rua Passos Manuel estava cortada ao trânsito mas ninguém se sentia liberto para pôr o pé fora do passeio. Cedo para iniciar a festa, nada melhor do que armazenar energias comendo um delicioso pastel de carne na Casa das Chaves e organizar o itinerário. Por volta das 20h, houve tempo para passar na FNAC, onde a frenética banda de Barcelos Alto! apresentava o seu novo álbum homónimo. Em contraste com este frenesim rockeiro, no Majestic, o piano de Tiago Sousa revelava uma intimidade melódica envolta no amarelo das luzes.

Ao sair para a rua ainda nos batemos com os (Farra) Fanfarra, que apareciam dentro e fora do eléctrico da Vodafone e paravam, no cruzamento de Passos Manuel com Santa Catarina, mostrando as suas coreografias de sopro de metais e percussão, numa energia efusiva entre ritmos latinos e sons Funk contagiantes. O espírito que envolvia o festival apelava o público a mexer-se, o estar presente em grande parte dos concertos obrigava a palmilhar a rua de cima a baixo, várias vezes. O esforço de pernas era exigente, obrigando o público a não estar parado, saltando de sala em sala, de banda em banda, numa constante agitação de entradas e saídas: o importante, acima de tudo, era circular.

Neste rodopio, arranjar um lugar na sala de cinema do Passos Manuel para assistir a Norberto Lobo não foi tarefa fácil. Muita gente esperava à porta por desistências para poder ouvir as histórias contadas por um dos melhores guitarristas portugueses. Sempre muito concentrado, Norberto Lobo tocou de olhos fechados enquanto balançava o corpo sobre as luzes que o trespassavam.  Foi com o álbum “Fala Mansa” que o músico embalou a noite criando um ambiente intimista e captando a atenção de toda a sala. Mesmo ao lado, no Coliseu do Porto, os suecos Niki & The Dove davam o seu concerto para uma plateia sentada e pouco enérgica, onde o Electro Pop ritmado não preencheu as expectativas nem os lugares na sala. Talvez pela maioria da audiência mais jovem ter esperado na entrada do Passos Manuel para ir ver os portuenses Salto, com a sua animada e dançável música, tocar em cima do telhado do coliseu.

Mas era tempo para andar pelo meio do alcatrão rua abaixo, em direcção ao Sá da Bandeira para ouvir o compositor Cass McCombs, que trazia na mala o recente álbum “Humour Risk”, com sons entre o Rock, o Punk e a Folk. Reclamava por luzes baixas, para não se deixar desconcentrar na sua viagem melancólica e romântica pelos confins da América. Conseguiu a simpatia do público e de muitos curiosos que entraram na sala e acabaram por ficar.

Partimos a correr antes de acabar o concerto para ainda tentar entrar na mágica sala no Ateneu Comercial, quente de gente, que ocupava todos as cadeiras e chão, para poder ouvir a já popular Russian Red cantar com voz doce e gestos delicados temas Folk. Notório que a banda não precisou de esforços para conquistar o público português, o álbum “Fuerteventura” é um sucesso e temas como «Everyday, Everynight» e «I Hate You, But I Love You» foram cantados calorosamente. Mas não podíamos parar muito tempo. Por mais que tudo convidasse a ficar, estava na hora de seguir para o Coliseu. Na descida, ainda podíamos ouvir a voz forte de King Krule com o seu Indie Rock duro. O jovem promissor de 17 anos e cabeça afiada ruiva cantava, altivo e distante, músicas que transpareciam o dobro da sua maturidade. Ninguém ficou indiferente a esta revelação e muita gente afastava-se da multidão para poder assistir e se abanar na escura garagem dos Maus Hábitos.

No entanto, o grande momento da noite deu-se sem dúvida com o concerto de St. Vincent. Finalmente o Coliseu enchia para ver cantar a lindíssima Anne Erin Clark. Acompanhada por três músicos, a norte-americana, vestida de negro com uns curtos calções de pele e de caracóis esvoaçantes, apresentou o álbum “Strange Mercy” e surpreendeu o público com a sua presença doce e sombria. Sempre muito comunicativa, de guitarra em braços, a lindíssima vocalista superou as expectativas e preencheu a grande sala com os seus gestos fortes e vibrantes. No final deste concerto, o sentido geral da multidão parecia ser comum, tudo se dirigia para o regresso de Manel Cruz aos palcos com os Supernada, o culminar de um concerto depois de um percurso de sete anos de projecto.

Segundo dia

O céu estava nublado e os concertos já começavam, embora o público não se mostrasse muito activo. No entanto, à hora de jantar, entre umas sandes de pernil e papas de sarrabulho na Casa Guedes, Norton e The Glockenwise faziam furor para aqueles que já tinham antecipado a refeição. Com a sandes de pernil ainda a saltar no estômago, a digestão acalmou no Passos Manuel quando Dominique Dillon, de cabelos despenteados que lhe cobriam o rosto e vestida com um manto negro, tocava no teclado matizados de Hip-Hop com beats electrónicos. Com uma presença enigmática, o concerto foi elevando as expectativas à medida que o público se levantava.

Estava na hora de ir em direcção ao Sá da Bandeira, onde já actuava Josh Rouse, insinuando a voz calma quente e melódica. As canções pareciam entrar umas nas outras num encadeamento muito bem estruturado, deixando o público hipnotizado nas melodias Folk com pitadas Soul. Terminou muito bem com o tema «Love Vibration» deixando uma boa onda geral.

Saindo com uma sensação simpática e bem disposta, passámos para a grande sala do Coliseu do Porto onde já se encontrava em palco The Do, com ritmos quebrados, muita cor e batidas fortes. Foi um concerto que, embora não estando preenchido, mostrou ser um dos momentos fortes do festival.

Mais tarde, na Garagem Vodafone cheia de fumo, o Rock & Roll clássico já pulsava com Hanni El Khatib – muitos aproveitavam para largar a sua energia em alguns riffs dos bons. Este ritmo rebelde sem paragens foi ideal para ir directamente a Twin Shadow. A música, a presença e o à-vontade de George Lewis Jr. trouxe-nos o seu já conhecido revivalismo do Rock depressivo dos anos 80. Além disso, o concerto não superou as expectativas; talvez pela falta de repertório de quem já visitou o país cinco vezes em 2011. Após o concerto deste hipster dominicano, restou-nos a surpresa musical de Salto em cima do telhado do Coliseu, a festa com DJ Set de Foals nos Maus Hábitos e um fim de noite sem hora marcada no Pitch ao som de Rui Trintaeum, Freshkitos, Tiger & Woods e Beatbombers.

Nova edição do Vodafone Mexefest no Porto? É que nem duvides.

Galeria fotográfica por Igor Martins aqui.



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