Vodafone Mexefest 2016 | Antevisão

Vodafone Mexefest 2016 | Antevisão

Há rock. Há pop. Há funaná. Há samba. Há folk que cruza o oceano. Há hip-hop. Há experimentalismo. Há fado. Há electrónica. Há psicadelismo. Há R&B. Eis o Mexefest. Quando se pensava que não era possível ser mais eclético, o Mexefest volta a baralhar tudo.

Há espaços repetentes mas também há novidades. Vamos ter saudades (muitas) do Tanque. É que o espaço era único! Assim, a juntar aos já habituais Coliseu dos Recreios, Sala Manoel de Oliveira e Montepio no Cinema São Jorge, Teatro Tivoli BBVA, Garagem EPAL, Estação do Rossio, Casa do Alentejo, Palácio da Foz, Sociedade de Geografia de Lisboa e Vodafone Bus, juntam-se o Cine-Teatro, os Bastidores e o Terraço do Capitólio, ali bem no coração do Parque Mayer e o sótão do Teatro Tivolli BBVA.

Andar não incomoda e se chover… apenas digo que quem corre por gosto não se cansa. Também nunca é demais dizer que este é um festival que exige escolhas por parte do público. Não é possível ver tudo. Não é assim que funciona. Por vezes nem é possível ver tudo aquilo a que nos propusemos. Acreditem que sair 5 minutos mais tarde de um palco para o seguinte pode custar caro. A sério. Como não vai ser possível ver tudo, aqui fica uma de muitas alternativas. Porque não há um Mexefest. Há sim o Mexefest de cada um.

No dia 25 o Mexesfest arranca no Parque Mayer. É quase simbólico, visto que já não voltava lá desde a primeira edição. A honra vai caber aos CelesteMariposa. Nada como um pouco de Afro-Baile ao final da tarde, perfeito para aliviar do stress do dia de trabalho e abraçar as sonoridades oriundas dos PALOP, resultantes de um trabalho de pesquisa que teve início em 2009. Às 19h30 há Lula Pena na Sociedade de Geografia de Lisboa. Se isto não é suficiente para convencer qualquer um a ir, não sei o que mais poderá ser. Vai ser a simbiose perfeita entre a voz única, bela e magnífica de Lula Pena e a beleza ímpar do espaço. Às 20h25, Mike El Nite e Nerve vão estar no Cine-Teatro do Capitólio, naquela que tem tudo para se tornar numa noite memorável para o hip hop nacional. E aqui começam os problemas porque entretanto há Medeiros/Lucas na Casa do Alentejo e pouco depois, a meio da Avenida da Liberdade, no Tivoli BBVA, começa a tocar o Bruno Pernadas. E que merecido é este palco. Por esta altura é bom que tenha arranjado 5 minutos para meter qualquer coisa no estomago. É que andar não incomoda mas consome calorias.

Baio é um nome que assim, por si só, não diz muito, E Chris Baio? Também não. Mas se acrescentarmos que Baio é o baixista dos Vampire Weekend, então a coisa já muda um pouco de figura. O multi-instrumentista vai estar, a partir das 21h15, na Estação do Rossio a fazer desfilar as suas canções que combinam pop e eletrónica. Talib Kweli já pertenceu aos Black Star, juntamente com Mos Def e H-Tek e vai dar continuidade às sonoridades do hip hop no Cine-Teatro Capitólio. NAO é o nome de palco de Neo Jessica Joshua. Deu voz a «Superego» dos muito celebrados Disclosure e é no funk, na electrónica e no R&B que se sente como peixe na água, com se vai poder conferir, a partir das 22h20, no Coliseu dos Recreios. Howe Gelb vai trazer a grande canção americana, os blues, o folk e o country alternativo à Casa do Alentejo. A partir das 23h é lá que todos os caminhos devem ir dar. Vai ser imperdível. No meio disto tudo estava a faltar um pouco de rock mas os nova-iorquinos Sunflower Bean vão resolver isso. Foram uma das boas surpresas de 2016 e na sua sonoridade, nomes como os T-Rex, Velvet Underground ou os Beach Boys estão bem presentes no melhor dos sentidos. A noite vai terminar no Coliseu ao som do pop e do rock psicadélico dos Jagwar Ma mas se quiserem podem, um pouco antes, passar no Sotão do Teatro Tivoli, para espreitar Pedro (Itch) Coquenão e Spoek Mathambo, em formato Dj Set e combinado com a projecção de 2 filmes.

O Sábado vai levar-nos logo ás 18h para o Terraço do Cine-Teatro Capitólio. O Mecânico do Amor é alter ego de Tiago Santos, membro fundador dos Cool Hipnoise. A receita vai ser simples. Música negra; funk, soul e R&B em formato DJ Set. A Sociedade de Geografia de Lisboa já foi palco, no passado, de grandes concertos folk. Penso em Devendra Banhart ou em Bonnie “Prince” Bily, por exemplo. A partir das 19h30, Meg Baird terá tudo para se juntar a esse clube restrito e de culto. A sala Montepio vai receber as Señoritas (Mitó Mendes e Sandra Baptista) a partir das 20h. Uma abordagem feminina e singular de dois dos nomes mais talentosos que temos por cá.

Gallant tem tudo para se tornar na next best thing. Já anda nas palminhas de publicações como a Pitchfork e da Fader. A partir das 20h20, terá oportunidade de mostrar a sua leitura contemporânea do soul e do R&B e provar-nos se é, de facto, esse o caminho a seguir. O Teatro Tivoli vai receber Mallu Magalhães que nesta fase, é justo dizer, já joga em casa e ainda para mais num palco que já pisou com a sua Banda do Mar. A revolução indie-folk norte-americana vai ter mais um capítulo entre nós quando Kevin Morby subir ao palco da Estação do Rossio, mas atenção que ao mesmo tempo também vamos ter o folk das manas Catarina e Margarida Falcão na Sociedade de Geografia de Lisboa, o acordeão de Celina da Piedade no Palácio da Foz e o hip hop, reggae, cumbia e dancehall, no Cine-Teatro Capitólio, pela cubana La Dame Blanche.

Aquele que é para muitos, o nome maior desta edição do Mexefest, sobe ao palco da sala da Rua das Portas de Santo Antão às 22h10. Elza Soares só agora lançou o primeiro disco de originais, “A Mulher do Fim do Mundo” mas é daquelas obras pela qual vale a pena esperar uma vida inteira. E nós somos uns sortudos. Sortudos porque o podemos escutar agora e mais ainda porque vamos ter a oportunidade, a honra, de ver a lenda viva do alto dos seus 79 anos. Vamos poder escutar as suas lutas pessoais, a sua história de vida, a sua sabedoria, a crítica social e a defesa dos direitos das mulheres, dos negros e da comunidade homossexual. Ainda faltam alguns dias mas quase que tenho a certeza que vai ser memorável.

Os Whitney vêm de Chicago com rock na bagagem. Vão subir ao palco do Teatro Tivolli BBVA para apresentar as canções de “Light Upon the Lake”. Quase em paralelo, na Casa do Alentejo, vão estar os TaxiWars, a mias recente colaboração de Tom Barman dos dEUS, desta vez com o saxofonista Robin Verheyen. À meia-noite os Irmãos Makossa vão mandar o Sotão do Teatro Tivoli abaixo e, por fim, mas não menos importante o palco do Coliseu vai ser tomado de assalto por Branko Live e o seu magnífico “Atlas” na versão original e na versão “Expanded”. E esperemos que haja «Reserva para Dois», com a Mayra Andrade e o Kalaf.

É um mundo numa avenida.



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