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Vodafone Paredes de Coura 2013 | Dia #4 (16.08.2013)

Do pós-punk sintetizado dos The Horrors, ao clubbing dos Simian Mobile Disco e aos históricos Echo and the Bunnymen, o quarto dia do Vodafone Paredes de Coura foi um dia pouco entusiasta às margens da Praia Fluvial do Taboão.

Ao quarto dia de festival, os dois palcos abriram com dois dos projectos portugueses mais aclamados pela crítica e distintos entre si. No Palco Vodafone FM, Noiserv, com uma enchente calorosa para o acarinhar, que se manifestou triste com os “ohhh” que se ouviram no final. No palco principal, foram os The Glockenwise, familiares da portuguesa Lovers&Lollypops, que tocaram num recinto muito bem composto para aquilo que é costume ver a esta hora. Sinal claro dos seguidores que a banda de Barcelos tem captado de forma totalmente meritória. O rock n’ roll efusivo de uma bateria cavalgante, de vozes e coros rasgados e gritantes (tão necessários aos dias de hoje) e guitarras efusivas e em descruzada para nos lembrar o garage de outros tempos e o rock de amanhã. Os barcelenses, que convidaram João Vieira (dos X-Wife) e o saxofonista Pedro Sousa para uma participação especial, trouxeram alma e poder neste inicio de tarde ao palco principal. Sem dúvida que têm sabido traçar um caminho coerente na sua linha alternativa de um rock cru e poderoso que, num plano consistente para a internacionalização, pode (e deve) conseguir bons resultados lá fora.

Já depois das 20h00 e com o calor em significativo decréscimo, entram os Peace. Estes, que eram uma das nossas apostas para as bandas emergentes desta edição do Vodafone Paredes de Coura, não desiludiram, de todo, mas ficámos a achar que tinham mais para dar do que aquilo que trouxeram ao Palco Vodafone. Ainda assim, estamos certos de que mantendo o registo discográfico e a evolução na composição de álbuns futuros, o quarteto britânico com origens no indie rock foi concertante na sua deslocação à pequena localidade minhota.

Os The Horrors, que quatro anos depois voltam a Portugal – precisamente ao mesmo festival onde os tínhamos visto em 2008 -, em substituição dos londrinos Rascals, foram uma das grandes actuações da noite. Ao contrário do que, se a memória não me falha, foi um concerto que muitos consideraram como fraco e pouco dinâmico, regressaram agora para um ajuste de contas com o público português. Com fans acérrimos nas primeiras fileiras, e num cartaz fortemente composto por bandas vindas do Reino Unido, os The Horrors trouxeram a Paredes de Coura, um concerto penetrante no seu estilo mais maduro e na sua plena efervescência.

Havia uma notória presença de festivaleiros pontuais que se deslocaram em larga escala para ver os históricos do rock dos anos 80 – Echo and the Bunnymen –, que mais pareciam ter vindo à descoberta de uma roupagem que não lhes parece ter assentado bem. Um concerto muito aquém daquilo que era esperado por todos aqueles que vinham para de forma efusiva recordar.

Por volta da 01h00 da madrugada, os cabeças de cartaz, Simian Mobile Disco.

Com batidas obtusas e melodias bem ao jeito do melhor que o clubbing pode criar, a dupla inglesa de música electrónica, composta por James Ford e Anthony James Shaw, mostravam-se satisfeitos com o que apresentavam, e partilhavam a sua satisfação com um público que se mostrava fogoso num cenário idílico, que se tornou uma pista de dança ao ar livre. E se já  anteontem havíamos tido dose dançante com os The Knife, ontem os Simian Mobile Disco conseguiram ainda, com o recinto a 3/4 da sua capacidade, uma actuação que não chegou nem a uma hora, mas que bastou para trazer as batidas baixas e uma exploração de ambientes agressivos que foram impulsivos para que os braços, cabeças e pernas dos festivaleiros cambaleassem em uníssono.

Num live set firme, os dois produtores conseguiram trazer a verdade musical daquilo que se esperava dos magníficos The Knife, e que hoje, no encerramento da 21ª edição do festival minhoto, veremos se os Justice, conseguirão desbloquear o turbilhão último que falta para que esta edição termine com festa e partilha de amor ao som de um set que se espera épico.

Por agora, esse amor tem-se ficado pelo ambiente que rodeia o recinto principal do festival, com o sol, a água, e a admirável paisagem que se vislumbra nas margens do Rio Coura.

Encerra-se o Palco Vodafone, e os festivaleiros deslocam-se para o outro lado do recinto, onde no Palco Vodafone FM, começaria entretanto o concerto do aguardado catalão Delorean. Se pudéssemos eleger o “concerto da felicidade”, à semelhança do estrondoso concerto dos Crystal Fighters na edição passada, seria este o concerto.

No fim, White Haus, em substituição do cancelamento tardio de Will Saul. O mais recente projecto de João Vieira, elemento dos X-Wife, e que também é Dj Kitten, foi uma substituição que não compensará a perda do Dj e produtor inglês nascido em Glastonbury, mas que conseguiu de forma irrepreensível apresentar um projecto que aplaudimos a toda a força pela sua consistência sonora, a sua performance enquanto DJ, e o seu profissionalismo, ao responder a uma plateia mais adolescente que nunca, que isto são inevitáveis e inesperadas infelicidades (ou não) de um dj que trabalha com o vinil.

No fecho deste artigo, faz-se simultaneamente, a conferência de imprensa com o balanço final desta 21ª edição do Vodafone Paredes de Coura que, segundo João Carvalho, director da Ritmos, conseguiu este ano, em colaboração com a Vodafone Portugal, fazer “o festival mais bonito de sempre, com mais e melhores condições para todos, no festival mais caro feito em Portugal, avaliando as condições financeiras e as facilidades dos festivais que acontecem nos grandes centros urbanos”. Segundo o director do festival, as datas para a 22ª edição do festival serão avançadas dentro 15 a 20 dias, e prometido está já o acompanhamento da venda antecipada de bilhetes “se possível já com um nome confirmado, que é uma das vertentes que queremos melhorar. Antecipar a revelação do cartaz da próxima edição”.

Apesar do balanço feito, hoje ontem ainda se fez música junto ao Rio Coura, numa noite de fecho com alguns dos melhores nomes desta edição, entre eles: Justice, Belle and Sebastian, Black Bombaim, Calexico, XXXY, entre outros – a reportagem continua dentro de momentos.

 

Fotografia de Graziela Costa



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