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VODAFONE PAREDES DE COURA 2013 | DIA #5 (17.08.2013)

Para colmatar um quarto dia em águas de bacalhau, o último dia do Vodafone Paredes de Coura, trouxe horas e horas e horas a fio de música para não mais parar!

Na abertura para o último dia de música junto às margens do Rio Coura, a tarde voltou a ser dos portugueses.

Tal como acontecera no dia anterior com os irmãos de sangue, The Glockenwise, era agora a vez dos Black Bombaim se apresentarem perante o anfiteatro natural da Praia Fluvial do Taboão.

Se na abertura de portas do recinto, havíamos visto groupies adolescentes a correrem loucamente (com direito a queda e tudo) para a frente de palco, guardando um lugar privilegiado para, mais tarde, tivemos já no decorrer do concerto vários déjà vus com alguns dos festivaleiros que se davam conta de estar atrasados para o concerto dos instrumentalistas barcelenses. Da ala portuguesa, estes eram um dos que mais esperávamos nesta edição. Depois do maravilhoso “Titans”, que entre outros contou com participação em estúdio de Steve Mackay, o histórico saxofonista do The Stooges, os Black Bombaim são reis no noise instrumental e no acid de um heavy que longe dos metais pesados consegue captar o mais indie alternativo dos festivaleiros. Quem já os vira anteriormente ao vivo, sabe que este é um dos projectos maiores na cena rock da tugalândia.

A banda, que no ano de 2012 foi consagrada com a presença num dos festivais mais importantes da cena underground, o Roudburn, trouxe consigo três convidados ao Paredes de Coura, que junto de guitarras furiosas e baixo poderoso (despertador das mais baixas linhas cardíacas), nos deram o rock salivado e transpirado que tem faltado aos últimos anos do festival, e que tantos veteranos tem afastado da rota minhota. Uma prenda bem agradável neste início de tarde, que levou o público presente a descargas de energia bem avultadas, com convulsões em gémeos tensos, joelhos elevatórios e um headbanging mais terno, ora mais rápido ora mais lento, podemos até dizer, um “headbanging à Black Bombaim”.

Se no penúltimo dia, havíamos tido um dia «nem sim, nem sopas», este último dia abria da melhor forma, e se reticências ainda pudessem existir quanto ao resto da programação, os Calexico, aboliram-nas todas de uma só vez.

Por motivos de um cartaz que não nos deixava sair do palco principal, mas em que ouvimos dizer bem dos felizes Ducktails, que tocavam no Palco Vodafone FM, e que durante a tarde haveriam tocado no Monte de S. Silvestre, no âmbito das Vodafone Music Sessions, continuávamos presos ao Palco Vodafone, onde estivemos bem atentos aos londrinos Palma Violets. Com um único registo discográfico a banda que tem Samuel Fryer e Chilli Jesson como frontmans, trouxeram o seu rock efervescente com descendência ao garage e ascendência ao psicadélico. Bastou um baixo, uma guitarra, keyboards e uma bateria para proporcionarem uma dinâmica perfeita em palco e uma energia frenética na plateia, com mosh e crowdsurf iluminados ainda com luz do dia.

E se muitos já sabiam a maravilha que ia ser o concerto dos Calexico, oriundos do Arizona, nós assumimos que não os conhecíamos, mas assumimos também, que rapidamente chegaram ao top 5 das melhores surpresas desta 21ª edição.

Sete músicos em palco, e sonoridades que percorrem desde o country americano, ao Tex-Mex do Texas, ao indie – seja ele o indie rock ou o indie folk – num concerto que os acompanha um trompete mariachi e guitarras estilizadas por pedais e um desenho de luz em tonalidades laranjas, vermelhos e amarelos quentes para também nos lembrarem das sonoridades mais hispânicas ou africanas. Tudo bem outonal para nos remeter o interior de cada um de nós, mas sempre numa festa colectiva durante e no final de cada música, sejam elas os originais doces e dançáveis ou os covers como o épico “Love Will Tear Us Apart”, dos Joy Division, ou, o “Alone Again Or”, dos Love.

Tantos sorrisos, tanta gente feliz com uma música feliz por si.

E, tantas vezes, nos lembramos e brindamos a Ibrahim, Omara, Puntillita, entre outros…

Que enormes foram com “una buena vista” estes Calexico!

Já depois das 22h15, entram os Belle and Sebastian. Trazem consigo quatro músicos vimaranenses nas secções de cordas, mais concretamente nos violinos. Com quase duas mãos cheias de músicas apresentadas, aqueles que eram, junto com o imperdoável cancelamento dos Kills, uma das bandas “razão” para ir a Paredes de Coura, proporcionarão uma viagem amorosa, mas, pecaram por culpa de um péssimo ajuste na mesa de som. Se fizéssemos um exercício de gritar um “yey” a 50 metros de distância do palco, esse mesmo grito saía amplificado no P.A. e conseguia, de forma clara, interferir (esqueçam a desculpa da interacção sonora banda-plateia) na composição musical que ia sendo executada, de uma forma que nos pareceu irrepreensível, mas dos tantos ruídos que se fazem ouvir, nem isso podemos afirmar com certeza clara!

De qualquer forma, foi bom vê-los pela primeira vez, perto de árvores pujantes e de folhas verdejantes que tão bem lhes assentam por trás do palco, e que poderiam ter feito deste um concerto épico. Ficam a dever-nos uma!

E, chegamos ao fim!

Os Justice, dupla francesa de produção base no electro, foram os responsáveis por fechar a 21ª edição do festival. Em formato Dj Set (que já os viu em live act, diz que aqui foi muito mais dinâmico e interactivo). Acreditamos que sim, até porque para captar com as suas produções próprias durante duas horas de concerto só mesmo para fans incondicionais (como certamente seriam as teen hooligans da música que à tarde haviam corrido e caído no recinto).

Da eurodance dos 90’s com “Let the Beat Control Your Body”; ao estrondoso “Block Rockin’ Beats”, dos Chemical Brothers; “I’m So Excited”, das Pointer Sisters, ou até aos “clássicozorros”, como “Modern Dance”, de David Bowie; “You Can’t Hurry Love”, de Phil Collins; “I Love Rock’n’roll”, de Joan Jett, a felicidade de “Freedom”, do enorme George Michael; “Be My Baby”, das Ronettes; e o delicioso “Ain’t No Mountain High Enough”, de Marvin Gaye e Tammi Terrell.

Amplo, coerente dentro da incoerência, nunca importou os espectros com que facilmente balançavam entre géneros, mas sim, como se é ser inteligente na catação e, simultaneamente, na celebração! Foi assim o set da dupla Gaspard Augé e Xavier de Rosnay que, mais cedo ou mais tarde, captou todos os presentes iluminados.

Nem mesmo o declive do anfiteatro intimidou as danças mais impulsivas dos festivaleiros. Que atingiu o cume com “Phantom Pt.II”, dos próprios Justice, mas aqui remixado pelos Soulwax.
Como se costuma dizer, contrariando ironicamente a frase: «É que nem foi bom!».

E melhor foi, quando em jeito de saída tocam “Don’t Stop Me Now” dos Queen.

Tantas vezes nos apeteceu fechar os olhos para ouvir e baloiçar ao som de clássicos pop/ rock/ electro/ disco/ etc., mas seria uma maldade fechar os olhos a um desenho de luz quase tão bom quanto as dimensões sensoriais que a música ia causando na enchente que se abateu sobre a clareira mais conhecida da música, e que neste dia, segundo João Carvalho da organização, bateu recordes de vendas diárias.

No after-hours final que durou até perto das oito da manhã (segundo contam os resistentes), estiveram os And So I Watch You from Afar e XXXY.

Para o ano há mais, na 22ª edição do Paredes de Coura, que volta a ter naming da Vodafone. Cá estaremos em breve para anunciar e avaliar as próximas confirmações!



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