Vodafone Paredes de Coura 2015 | Dia #1 (19-08-2015)

Vodafone Paredes de Coura 2015 | Dia #1 (19-08-2015)

O festival que explode corações (a primeira parte de um diário “sobre”vivente)

Bem-vindos a mais uma edição do festival mais querido de Portugal – o Vodafone Paredes de Coura.

Para este ano, o cartaz não oferecia grandes surpresas, pelo menos no que diz respeito aos cabeça-de-cartaz. Alguns dos nomes eram repetidos por presença em outros festivais, mas que não deixam de ser figuras oníricas das quais temos sempre o enorme respeito e gosto em ver. Durante o decorrer do festival tivemos a notícia de que, para além do passe diário do dia 20, os passes gerais também tinham esgotado. Curioso, não? Nunca, em vinte e três edições, este festival tinha obtido tamanha proeza. Durante a conferência de imprensa, João Carvalho – director responsável pelo festival – mostrou-se visivelmente feliz, confirmando que esta era a “edição mais concorrida de sempre de um festival de afectos”. Também anunciou que haverá melhorias no recinto, o que equivale a ter o terreno ainda mais relvado confluindo com a presença do rio Taboão. Tudo isto porque quer que o festival se mantenha um “festival premium”, mas que não passa por trazer mais pessoas ao recinto. Só nesta edição passaram pelo anfiteatro natural cerca de 25 mil pessoas por dia, dando o total de 140 mil pessoas durante os quatro dias. Perto de 20% do público era estrangeiro, oriundo dos quatro cantos do mundo. Mas, para além de Português, a língua mais escutada era o Castelhano.

Ainda assim, Paredes de Coura perdeu um pouco a sua magia. Passo a explicar: ter muito público e esgotar bilhetes pode ser bom (economicamente), mas não é bom quando o objectivo é ver, e sublinho a palavra ver, música. Durante os concertos havia momentos em que mal se conseguia atravessar o recinto e escutar com atenção o artista que estava em palco. Havia sempre, mas sempre, alguém a fazer ruídos, ou a gritar, ou a conversar. Sim, decerto que pensas “mas isso há em todo o lado, em todos os festivais”, e admito que concordo com o teu pensamento. Contudo, e tendo em conta todas as experiências que já tivemos em outros festivais, este era o único festival em que se conseguia assistir a um espectáculo sentado com o mínimo barulho possível. Bom, ainda assim, nem tudo é mau e acompanhámos coisas muito belas. A cada ano, uma experiência marcante e inesquecível. É assim em Paradis du Coeur

Primeiro dia, ou dia 19, a magnífica recepção com sol à espreita

A viagem até Paredes de Coura pareceu uma eternidade. De expresso até Valença, percorrendo todas as cidades ao redor, chegar a Paredes de Coura foi como alcançar água no deserto. Estávamos sedentos de reviver aquele cenário natural, colocar os pés à beira-rio e avistar os insufláveis, os braços no ar e as cantorias no final de dia. Mas como a vida nos prega partidas, uma constipação impediu de assistir a alguns concertos para que pudéssemos estar em forma para outros. Portanto, as nossas desculpas e culpas de consciência!

Este ano, a própria vila ofereceu uma programação alternativa à do festival de modo a que os recém-chegados campistas pudessem usufruir da boa receptividade da vida e dar mais ânimo aos dias que se seguiam. Da nossa parte, fomos fazer a festa com Gin Party Soundsystem, o colectivo que apenas passa eurodance e que está sempre a #dartudo durante o set. Foi, também, o momento de matar saudades da vila, de reencontrar alguns amigos e fazer novas amizades. Terminada a festa, rumámos até ao campismo cuja disposição permanecia igual. Encontrámos o Antro do Atum, alguém que fazia raboterapia, entre outras curiosidades. Devidamente instalados, descemos a colina e escutámos a última canção de Gala Drop. Ao olhar para o alinhamento dos quatro dias de festival, é sempre com alegria de lemos os nomes de grupos nacionais, seja a abrir o palco principal ou o palco secundário, ou a meio do alinhamento. Isto porque os festivais são feitos para todos e nada melhor do que ocupar os lugares com os portugueses que tantas cartas dão lá fora.

Durante o primeiro de festival, apenas decorreram concertos no palco Vodafone – o palco principal do certame. A segunda actuação deveu-se aos norte-americanos Ceremony que entraram sem qualquer tipo de cerimónias e tomaram de assalto o palco. Com a tela a projectar a capa do mais recente trabalho “The L-Shaped Man”, o vocalista mostra o seu tronco nu com uma tatuagem imponente e interpretando as suas canções com melodias a fazer jus aos Joy Division, separando-se assim da abordagem do pós-punk e rock que orquestraram em discos passados. Do público avistam-se as célebres t-shirts de Led Zepplin e Joy Division que parece que vão a arejar nesta altura do ano. Contudo, o mestre de cerimónias Ross Farrar cumprimentou em mãos o público que o aclamava. Era o Rock a invadir as paredes de Coura. Mesmo sendo uma das últimas datas da tour europeia, Ceremony deram tudo o que tinha.

Aproveitámos o embalo do intervalo para explorar a zona de restauração. A fila para o multibanco merecia o “prémio paciência 2015” enquanto ao lado se elaboravam tatuagens, cortesia de uma instituição bancária – o que torna tudo muito irónico. Ainda assim, deixo umas linhas de publicidade e agradecimento: Comida de Rua e Puorto – ambos com motoretas, especialistas na tradição e petiscos gourmet, mas cuja confecção era mais do que saborosa. Foram os locais escolhidos para as nossas refeições e que nos aqueceram a barriguinha com coisas deliciosas.

Blood Red Shoes era o que se podia ler no ecrã gigante. O anfiteatro natural estava mais do que pronto para receber a dupla inglesa e os últimos receberam a multidão com doces agradecimentos, relembrando o facto de terem actuado naquele mesmo palco em 2009. Mas se na altura os olhos bonitos de Laura-Mary Carter encantaram os presentes, os seus riffs de guitarra acompanhados pela mestria da bateria de Steven Ansell culminaram num rock ruidoso com pequenos traços de pop. Ansell ainda brinda ao público, questionando “como se diz cheers em português?” deixando todos os presentes ao rubro. Durante a actuação, revisitaram o disco homónimo de onde se escutou «Cold», mas também navegaram por outros álbuns de onde se escutaram «I Wish I Was Someone Better». Têm ritmo, têm atitude, é para continuarem a visitar-nos.

Entretanto interrompemos o ‘discurso’ para mencionar que não assistimos na íntegra ao concerto dos Slowdive. Porquê? Porque reencontramos pessoas durante o caminho e estivemos a estabelecer contactos, a unir pensamentos e conectar pontos perdidos no universo. Perdoem-nos. Mas isto também é fundamental nos festivais ou não estivéssemos a falar de um festival que une as pessoas! Contudo, do que escutámos e do que avistamos, todo o anfiteatro estava bastante feliz pelo reencontro e de que o grupo é a excepção que confirma a regra – mais vale ter um reconhecimento tardio mas caloroso do que nunca se lembrarem de que existiram.

O último nome da noite prometia aquilo que conseguiu superar – o primeiro grande concerto. A sua vinda era mais do que aguardada e os TV On The Radio conseguiram enaltecer-se. A banda que dizem ser “experimental”, acompanha e bem a vanguarda do rock e distingue-se dos demais. Tunde Adebimpe e Kyp Malone embalam-nos com a sonoridade radiante de “Seeds”, disco de 2014 e com «Happy Idiot» a fazer rebentar as gargantas do público. Houve tempo para dançar ao som de «Golden Age», a magnífica «Lazerray» e pular com «Staring At The Sun». Ainda assim, foi «Wolf Like Me» do aclamado “Return To Cookie Mountain” que explodiu emoções e fez com que o público desse início ao já inevitável crowdsurfing. Houve ainda direito ao primeiro encore do festival com a música «Dancing Choose» colocando a multidão mais histérica e aplaudindo calorosamente.

Assim decorreu o primeiro dia do certame. No próximo artigo faremos a descrição dos restantes dias. Fotografias? Onde estão as fotografias? Em breve… Estão neste momento no fotógrafo a serem reveladas. Desta vez queremos proporcionar-vos uma experiência diferente… Fotografámos em analógico. Esperemos que resulte.



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