Vodafone Paredes de Coura 2015 | Dia #1 (19-08-2015)

Vodafone Paredes de Coura 2015 | Dia #2 (20-08-2015)

O festival que explode corações (a segunda parte de um diário feliz até ao infinito do bem)

Noites mal dormidas dentro de uma tenda inclinada, batuques nocturnos e gritos que se misturam com o ruído estridente do after-hours. É assim que resumimos a nossa experiência campista na primeira noite do Vodafone Paredes de Coura. Contudo, outro dos nossos agradecimentos vão para o Sport Club Courense que na época passada ficou em quinto lugar numa divisão, cremos que distrital. Ainda assim possuem umas instalações espectaculares – podia-se tomar banho de água quente por €1,50 e comer uma bifana por €2. Encontrámos ali o segundo paraíso de Coura. Havia uns supostos Shuttles a funcionar patrocinados por uma marca de automóveis a fazer-se representar no festival, mas que mal funcionavam… ou melhor, funcionavam, mas estavam sempre cheios. Portanto, estamos cheios de músculos e tonificados graças aos montes e vales que subimos até chegar à vila. Dizem que devemos fazer desporto… foi o que fizemos.

Depois de uma breve peregrinação à vila, chegámos ao recinto onde o calor não fazia prever que o mau tempo iria surgir dois dias depois. Já na zona de imprensa, demos de caras com a poetisa Matilde Campilho, que horas antes tinha participado na sessão vozes de escrita que teve lugar no palco Jazz na Relva, mesmo juntinho ao rio. Por falar em rio, é entre Rios e com palavras adocicadas de um Português de Brasil que Matilde Campilho apresentou o seu livro “Joquei” editado pela Tinta da China. Se não conhecem nem nunca ouviram falar, pesquisem! Vale muito a pena! Quer dizer… é a nossa opinião.

A inaugurar o palco Vodafone FM – ou palco secundário – estava o quarteto madrileno Hinds. As meninas espanholas que se apresentavam de rabo de cavalo e batom vermelho, desafinadas e desalinhadas, não se importaram em nada com isso e revelaram-se um brilharete perante o público (maioritariamente espanhol, diga-se!). A soar a Best Coast ou até às Anarchicks, lá trautearam algumas palavras de apresso ao público e comentaram que também estavam a acampar desde há alguns dias. Logo de seguida, os bracarençes Peixe:Avião entravam em cena no palco Vodafone. Mais um nome sonante no panorama musical português a inaugurar o grande palco. Com as suas canções encantaram os presentes, contudo, o seu cenário em palco apenas parece fazer-se sobressair em concertos nocturnos. Ainda assim, o grupo liderado pela voz de Ronaldo Fonseca fez com o público cantarolasse «Voltas Cegas» e o single «Avesso».

Ao som de Ponds fomos comer uma bola de berlim. Tentámos avistar alguma coisa, mas o mar de gente era tanto que em vez de mar mais parecia um oceano. O grupo que veio do outro lado do mundo – da Austrália – deixou a plateia em êxtase. Ouvimos apenas coisas boas a respeito do grupo, sendo para muitos, uma grande surpresa deste festival. Pelo menos, a julgar pelo som das guitarras imperiais que saiam das colunas, estas trespassaram os corpos de muitos que aplaudiam euforicamente.

Entretanto Steve Gunn, o primeiro a inaugurar as Vodafone Music Sessions, mostrou-se feliz e de forma simpática foi enaltecendo o público, afirmando que adora estar em Portugal e encantou ao apresentar canções de «Way Out Wheater».

A verdade é que temos um encanto especial por Father John Misty. De todos os nomes, este era um que causava algum respeito e curiosidade. Para não perder pitada do concerto, assentámos arraiais mais ou menos parte das grades. Não lhe tocámos, mas deu para ver que Joshua Tillman detém uma figura imponente e extremamente sexy. Este não é, de todo, um father convencional. Ele irrompe em palco com «I Love You, Honneybear» de forma lasciva, com as dezenas de fotógrafos a querer sacar a melhor foto, os telemóveis no ar para captar cada movimento cheio de destreza. Ele desliza, mexe no cabelo, mexe as ancas de forma a encantar os presentes. Resumidamente, o homem faz amor com a música que interpreta e fá-lo à vista de todos. Houve então «Strange Encounter», «The Night Josh Tillman Came To Our Apartment» e o magnífico e extraordinário «Chateau Lobby 4 (in C for Two Virgins)». Ainda houve tempo e memória para «Bored In The USA» e «The Ideal Husband». Todo o espectáculo foi de puro entretenimento, encantamento, tornando-se um dos concertos mais memoráveis e comentados nos dias seguintes. Para júbilo do público feminino, o músico ajoelhou-se perante o público, desceu até aos seus pés levando consigo uma bandeira nacional e ainda houve tempo para filmar com um telemóvel a parte final de uma canção. Foi com «This is Sally Hatchet» que Father John Misty se despediu dos seus fieis e esperamos ansiosamente que regresse, desta vez numa sala em nome próprio.

Também não fomos investigar aprofundadamente os Iceage. Perdoem-nos os nossos pecados. Contudo, à nossa audição, apenas penetraram ruídos imperceptíveis. Não nos pareceu que a plateia estivesse 100% convencida. Opiniões divididas, caminhamos de novo para o palco Vodafone.

E se há quem dê e bem a missa do rock, esse alguém é o lendário homem tigre, ou melhor, The Legendary Tigerman, a máquina de Paulo Furtado acompanhada por mais três elementos – Paulo Segadães na bateria, Filipe Costa nos teclados e o saxofonista mais conhecido no País João Cabrita. Ficámos também surpreendidos por ouvir a pergunta:”mas quem é este gajo”? E só nos apeteceu dar um calduço. Como ainda não conheces Paulo Furtado? Enfim. Gostos à parte, o concerto inaugura-se com «Do Come Home» do último trabalho “True”, seguindo-se «Wild Beast» e «Storm To Paradise». Revisitou “Femina” com «These Boots Are Made For Walking» com projecções vídeo onde vislumbrámos Maria de Medeiros e ainda encantou com a música «Dance Craze» com o melhor refrão de sempre – «Let’s do the burn all night». E foi mesmo dessa forma que Paulo Furtado e companhia culminaram o seu concerto com a versão «Twenty First Century Rock’N Roll» cujo final terminou em loop com o microfone a passar de mão em mão gritando «Rock’n Roll» – frase que acordou toda a gente que estava no campismo no dia seguinte. Se este dia esperava apenas ser recordado pelos Tame Impala, grupo que cantou logo a seguir, enganou-nos. Este concerto de Legendary Tigerman ficou igualmente no top 5. Contudo, faltou duas coisas: o striptease e o crowdsurfing de Paulo Furtado com o público. Mas qual é o mal? Rock’N Roll!

Tame Impala, ou Tame Empada para outros. Já estamos preparados de antemão para os haters deste mundo. Mas perdoem-nos. Depois de termos assistido ao concerto ao  vivo no palco secundário, em 2011, no festival Super Bock Super Rock, o grupo australiano não nos surpreendeu. Apenas aqueceu e ocupou um lugar especial no nosso imaginário. A sonoridade ao vivo é igual ao disco (nada mal!), mas os vídeos de caleidoscópicos pareciam variantes do Windows Media Player e era quase iguais ao que havíamos visto. A presença deles em palco foi monótona. Enfim. Mas sabemos que todos amaram aquele momento em que escutaram «Let It Happen», «The Less I Know The Better» e as icónicas «Feels Like We Only Go Backwards» e «Elephants». No final, Kevin Parker e companhia presentearam os fãs oferecendo as palhetas e setlists. Da nossa parte não foi o concerto do ano, tendo em conta que têm um dos discos do ano, mas aqueceram as nossas vistas.

Ainda demos um pulo ao after-hours para cumprimentar Rui Maia, ou melhor, Mirror People, mas foi no interior da tenda que cantamos «I Need Your Love». Ao fazer a retrospectiva, o dia teve momentos igualmente bonitos como tirar uns retratos e estabelecer conversa com desconhecidos. Paredes de Coura é o festival de afectos. Nunca é demais recordar.



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