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Voxels

“Para nós sucesso é fazer bem o nosso trabalho, música que consiga mexer contigo a algum nível”

Pedro Pinto e Pedro Chamorra. Conhecem? Já ouviram falar? De certeza que os nomes não vos serão estranhos, muito menos depois de ler esta entrevista a esta dupla em óbvia ascensão no mundo da música electrónica em Portugal. Voxels, é como se dão a conhecer. Vamos a isto?

Que andaram Pedro Chamorra e Pedro Pinto a fazer no mundo da música até agora?

Pedro Chamorra (PC): Trabalho no mundo da música desde sempre, já fiz de tudo, desde dj residente de uma bôite de velhotes, que fazia matinés disco aos domingos a tarde, até sound-designer para anúncios com pretensões artísticas, passando por misturar bandas sonoras de filmes e desenvolver presets para plugins de audio… isto sem contar com as dezenas de projectos que não foram dar a lado nenhum que já fiz.

Pedro Pinto (PP): Eu sou um guitarrista falhado de heavy-metal que só muito tarde acordou para o mundo da música electrónica e do dj’ing. Comecei a passar uns discos sozinho, depois com um amigo e só mais tarde com o meu irmão, com quem formei os Twin Turbo. Com esta dupla tive a oportunidade de passar por vários palcos, partilhar experiências com diferentes pessoas que me inspiraram a começar a fazer os meus próprios edits e remixes. Uma dessas pessoas foi o Pedro Chamorra, com quem me cruzei quando ele fazia parte de um outro projecto. Como não tive nenhum tipo de formação a fazer música, aprendi, e aprendo todos os dias, muita coisa com ele. Eventualmente começámos a fazer coisas juntos.

Outro lado da minha viagem pelo mundo da música é a promoção de eventos. Apesar de ter tido a oportunidade de tocar em muitos palcos com o projecto Twin Turbo, em algum ponto sentimos a necessidade de organizar as nossas próprias festas, com os djs que mais queríamos ver e ouvir, dentro das nossas limitações financeiras, claro!. Foi assim que nos associámos ao Sérgio Gomes, mentor da Breaks e promotor de festas desde há muitos anos, com quem criamos as festas MegaBass. Nestes dois anos de festas e muitos convidados internacionais, tivemos também a oportunidade de sermos convidados para organizar o palco after-hours do festival Paredes de Coura 2011 e organizar as festas oficiais do Festival Get Set no Porto.

Quais são as vossas influências?

PC: Acid house, chicago house, garage house, acid jazz, electro, rap, hip-hop, detroit techno, minimal techno, miami bass, disco, french disco, electro-rock, rock, electronica, ambient, break beat, big beat, 2 step, pop, progressive rock, Bach… basicamente a história da música de dança.

PP: Tudo acima descrito mais HEAVY-METAL!

Porquê a música electrónica? Podiam ter enveredado por qualquer outro estilo…

PC: Não, não podíamos. São estes sons e ritmos que mexem connosco, é o nosso meio de expressão. Acho que não tem tanto que ver com electrónica, tem mais a ver com o facto de ser dance. Por nós, se fizéssemos uma música de techno só com flautas e latas de salsichas, não nos incomodava, desde que nos fizesse dançar e que soasse bem. Como não temos formação musical clássica nem somos músicos a sério, estamos muito mais à vontade em explorar sons e usar elementos estranhos.

Nas vossas músicas sentem necessidade de criar canções. Porquê?

PC: Nós falamos bastante desse aspecto e chegámos à conclusão de que, pelo menos as músicas deste EP, são filhas bastardas entre músicas pop e músicas de dança por isso não as chamamos canções. O processo de criação do ep foi muito longo e confuso e elas saíram assim não por uma decisão deliberada de criar uma canção, mas por fazer algo que fosse interessante musicalmente, e que a algum nível contasse uma história. Representa-nos de alguma maneira, mas é só um aspecto do que fazemos quando estamos a trabalhar com vocalistas como a Keta e a Kate. É esse facto de serem músicas cantadas que unifica este EP e que o justifica. Por exemplo, neste momento estamos a fazer uma faixa techno épica com mais de 10 minutos que não tem nada a ver com música pop ou canções.

Remisturaram um tema dos Buraka Som Sistema, um dos grupos portugueses que tem tido uma grande projecção a nível mundial. Como surgiu a oportunidade? Como foi trabalhar com eles?

PC: Originalmente resolvemos fazer um bootleg da «Hangover (BaBa Ba)» só pela piada; não tínhamos as pistas separadas, só a música. E na altura em que o estávamos a fazer o J-Wow ligou-me para comprar uma peça de equipamento que estava a vender. Encontrámo-nos no estúdio da Enchufada e acabámos por ficar a conversar à volta de música e equipamento. Ele já tinha ouvido umas faixas do nosso EP e a certo ponto mostrei-lhes o bootleg e eles curtiram. Isto foi na altura em que os Buraka estavam a acabar o “Komba” e acabei por fazer duas misturas finais para o álbum, da «Lol & Pop» e da «Burakaton». Entretanto decidiram que queriam editar o bootleg num EP de remisturas da Ba Ba Ba ao lado do Caspa e Munchi, mandaram-nos as pistas e o bootleg transformou-se num remix. Demos-nos todos bastante bem, a comunicação é fácil e eles são gajos porreiros, acabou por ser um processo muito natural.

Vão lançar o vosso primeiro EP pela finlandesa Top Billin’. Como é que eles tiveram conhecimento do vosso trabalho?

PC: Através do nosso manager / agente / baby sitter, Sérgio Gomes da Breaks, que já tinha trabalhado com eles. Ele enviou duas demos nossas a um dos donos da label e aos 30 segundos de música estávamos contratados.

“Voxels haven’t got a defined genre or style”. O que é que esta frase significa?

PC: Que não queremos ficar presos a uma única etiqueta. É mais importante para nós que a música soe a Voxels do que pretença a um género especifico, tipo house ou techno, que são conceitos estéticos completamente subjectivos, especialmente nos dias de hoje em que está tanta coisa misturada. É um mini-manifesto de não seguir uma linha musical específica, deixar caminho aberto à exploração e aos nossos caprichos musicais. Nós ouvimos muita música e acabamos por ter muitas influências e é a única maneira que temos de lidar com a diversidade estilística que nos interessa.

Como é que vocês encaram as actuações ao vivo?

PC: Neste momento não sabemos sequer. Andamos a experimentar e a testar formatos que funcionem para nós e a tentar desenhar alguma coisa interessante a nível musical e visual que consiga englobar tanto o nosso lado de dj’s, como o nosso lado de músicos. Está a demorar muito mais que esperado, por isso, para já só dj sets.

Têm algum trunfo na manga para alcançar o sucesso e o reconhecimento?

PC: Para nós sucesso é fazer bem o nosso trabalho, música que consiga mexer contigo a algum nível, físico, espiritual ou mental. O que vier a partir dai é só um bónus. Trunfo? Mmm, trabalhar muito e fazê-lo por amor à música!

Que podemos esperar desta dupla nos próximos tempos?

PC: Escândalos sexuais em jornais do interior, definitivamente.

Musicalmente, há-de sair um EP de remixes do Synthmetric na Top Billin’, começarmos a pôr musica mais frequentemente e um ou dois singles do nosso LP que irá sair pela Enchufada em meados de 2012.

Projectos para 2012?

PC: Acabar o álbum que já está a ser feito a algum tempo, por o live-act de Voxels na estrada e aspirar o estúdio…



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