Warm-Up Vodafone Paredes de Coura | Dia #2 (13.04.2013)

Warm-Up Vodafone Paredes de Coura | Dia #2 (13.04.2013)

O segundo, e último, dia do “aquecimento” para o festival minhoto

Ao contrário do dia anterior, no sábado fazia-se sentir tudo menos frio. E, talvez por isso, a praça D. João I se encontrasse bastante mais composta do que no primeiro dia do warm-up. Muita gente não quis perder, da parte de fora da tenda, os concertos, já que era possível ouvir em condições quase perfeitas (e de forma gratuita) enquanto sentado nas escadas da praça. Até houve espaço para uma tenda da Quechua onde alguns jovens se encontravam a fazer a festa, enquanto trocavam turnos para irem dentro da tenda do warm-up ver os concertos.

Quanto a estes mesmos concertos, a noite abriu com o concerto dos Sensible Soccers. A banda portuguesa voltou a actuar na cidade do Porto, após um concerto inserido nos Hábitos Sonoros no passado domingo, apresentando o seu “rock espacial”, ainda com sol, para o algum público que já se encontrava no recinto; e não defraudou as expectativas, conseguindo dar, desde aí, bons indícios para a noite se seguiria.

Pouco depois, é tempo das inglesas Stealing Sheep subirem ao palco. O trio de Liverpool constituído por Rebecca Hawley (voz e teclado), Emily Lansley (voz e guitarra) e Lucy Mercer (voz e bateria), apresentou-se pela primeira vez em Portugal para apresentar o seu álbum de estreia, e único até ao momento, “Into The Diamond Sun”, editado em 2012. Com a sua música indie-rock a fazer-nos lembrar Warpaint ou Staves, as meninas britânicas deram um concerto interessante e que, certamente, criou mais alguns fãs no nosso País, apesar de ter sido curto e quase previsível.

Após os beijinhos e abraços ao público, chegou a altura da segunda, e última, banda portuguesa da noite actuar. Os Linda Martini entram em palco e a tenda da praça D. João I tem o seu primeiro momento (diga-se, de todo o warm-up) em que vai ao rubro. A dar o seu primeiro concerto de 2013, a banda de Hélio Morais e companhia não desapontou o muito público que se encontrava a ver o concerto, e apresentou alguns dos seus maiores hits, como «Amor Combate» ou «Dá-me a tua melhor faca». Aproveitou ainda para apresentar um novo tema, que estará incluído no seu próximo álbum de originais – o terceiro – com data de lançamento prevista para o final deste ano.

De Portugal, para a Síria. Foi assim que, seguramente, muita gente que estava presente na tenda do warm-up se sentiu a partir do momento em que Omar Souleyman começou a cantar a primeira música; o sírio, que conta com mais de 500 álbuns em estúdio, e ao vivo ganhou atenção na Síria como cantor de casamentos até a editora norte-americana Sublime Frequencies o agenciar. Via-se logo no início um grupo de jovens com um cartaz a pedir a Omar para os levar para a Síria, e o cantor não desiludiu e trouxe a Síria até ao Porto. Ritmos infecciosos enquanto Omar vai dizendo palavras em sírio, num ambiente de festa máxima. Foi assim o concerto que mais gente deixou ao rubro em todo o warm-up. Timidamente e com um sorriso maroto, Omar ia agradecendo no final de cada música ao público que cantava intensamente pelo nome dele, independentemente de qual fosse a música que se seguisse. Foi o ponto alto da noite e seguramente que quem já o tinha visto em Paredes de Coura 2011 não se sentiu decepcionado.

Em doses de animação bem mais contidas, seguiu-se Lee Ranaldo. O americano, co-fundador dos Sonic Youth, aproveitou o hiato da banda em 2011 para embarcar noutro projecto – Lee Ranaldo Band – e lançou o seu primeiro álbum em 2012 – “Between the Times and the Tides” – para alegria dos fãs dos Sonic Youth. Mas desengane-se quem pensa que Lee Ranaldo Band é uma banda centrada na abilidade do guitarrista, visto que na sua banda conta com nomes como Alan Licht, Steve Shelley e Tim Luntzel, o que perfaz uma soma de músicos incríveis.

O álbum da banda foi tocado quase de uma ponta a outra, sendo ainda possível ouvir músicas novas, que provavelmente vão figurar num futuro álbum. Músicas como «Angles» ou «Off the Wall» (se bem que esta se assimila mais a R.E.M. do que a Sonic Youth), mostraram ser conhecidas de já bastante pessoas e, na ausência de novidades da banda original de Lee Ranaldo, foi um concerto que, apesar de morno, mostrou muito talento musical.

Com as honras de fechar esta primeira edição do warm-up, o último a subir ao palco foi Matías Aguayo. Com um misto de DJ set com live performance, o chileno fez o que sabe fazer melhor – agitar as pessoas com o seu misto de house, techno e swing. Contudo, a festa não durou muito, já que, apesar de Matías Aguayo estar a puxar pelo público, poucos foram os que aguentaram a prestação do chileno até ao fim e, quando o mesmo terminou – por volta das 03:30 -, pouco mais de três dezenas de pessoas se colocavam na fila da frente (se bem que muito entusiastas, enquanto iam gritando músicas para Matías tocar).

No exterior da tenda, ao contrário do que se vivia quatro horas antes, as ruas estão quase desertas e só a entrada de uma ou outra discoteca se encontra com gente à porta. No entanto, e apesar de um primeiro dia mais “morno”, este segundo dia provou que a diversidade musical será sempre uma marca no festival Paredes de Coura e que este ano, apesar de o cartaz total só sair em Maio, não deverá ser diferente; portanto, resta-nos esperar estes quatro meses que faltam para pisar a relva do Tabuão – este ano, o festival realiza-se de 13 a 17 de Agosto – e dizer: até já Festival Vodafone Paredes de Coura.

Fotografia por Francisco Almeida. Reportagem do primeiro dia aqui.



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