“WC – Wonderful Choice” | Mariette Tosel

“WC – Wonderful Choice” | Mariette Tosel

Uma daquelas edições que reforçam a paixão pelo culto dos objectos

A iniciar o ano editorial a MMMNNNRRRG apresenta-nos “W.C. – Wonderful Choise” – “Escolha Maravilhosa” na edição portuguesa -, o segundo livro de Marriette Tosel.

Tosel nasceu a 1 de Dezembro de 1957 em Ostende, Bélgica, mas encontra-se hoje a residir nos Estados Unidos, país onde vive desde 1990. Filha de uma professora de literatura inglesa e de um pintor, a paixão tanto pela escrita como pela ilustração já estava prometida nos genes e, por isso, não será de estranhar a inclusão de ambos os elementos no seu trabalho.

Apesar de ter estado ligada às artes desde cedo, trabalhando em jornais e revistas culturais ou a desenhar cenários e figurinos para grupos de teatro, só em 1995 publicou a sua primeira obra, “O Armário Psicótico – Boas Maneiras”, editado por cá em 2008 pela Eterogémeas.

Em 2013, através do contacto estabelecido pelo artista Tiago Manuel, Tosel apresentou o seu segundo livro através da editora portuguesa MMMNNNRRRG.

Apesar de escassa, a biografia de Tosel cria-nos na mente a imagem de uma pessoa bem real. Contudo, na realidade, Tosel não tem existência física, tratando-se de mais um heterónimo de Tiago Manuel (são já cerca de 25).

“W.C.” é um livro de ilustração que, com o auxílio de palavras, vai contando três histórias distintas, interligadas na forma como abordam as relações humanas – nomeadamente a tradicional entre o casamento de um homem e uma mulher. Tudo construído de uma forma algo Dadaísta, ou não fosse Tosel (é ela que assina afinal de contas) uma amante do bizarro e do absurdo. A forma como a artista trabalha o preto nos seus desenhos, em alto contraste, surgirá como a maior pista para desvendar o nome de Tiago Manuel por detrás deste trabalho.

O facto de as siglas do título – “Wonderful Choice” – serem salientadas na capa faz-nos reflectir se a autora não o quis dotar de duplo sentido, mostrando-nos que estas maravilhosas escolhas que apresenta podem ser boas para atirar para a sanita. Talvez sim, talvez não, mas uma coisa é certa: “W.C.” é um daqueles livros que pode assumir uma série de sentidos e, nesse caso,” a verdade está na visão de quem contempla”.

Algo que também é muito importante de salientar é a edição em si. “W.C.” contém uma capa forrada a pano com um cunho prateado. Por dentro são 128 páginas A6 a preto e branco, com o texto tanto em português como inglês. É uma daquelas edições que nos reforçam a paixão pelo culto de alguns objectos. Este é para ter na estante.

 

Imagens retiradas do blogzine Chili Com Carne



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