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We Love Film

Cantinho de partilha de amor e rolos fotográficos.

No cais do Funchal, há uns anos atrás, não era anormal ver um skate no ar e um rapaz agachado ao lado de câmara fotográfica em punho a tentar captar a manobra. Também era imagem comum alguém de lápis na mão debruçado sobre um bloco de desenho ou ainda outra pessoa que tinha como companhia preferida os auscultadores do mp3.

Pode não ter sido nesse cais que tudo começou, mas a amálgama artística que lá fervilhava foi fulcral para que Carlos Sol e André Sirgado se apaixonassem pela fotografia. Eram momentos autênticos entre amigos que tinham que ficar registados.

Aos poucos, esta arte começou a assumir um papel essencial na vida deles. Uma nova fotografia pedia uma nova técnica, uma conversa trazia mais uma inspiração para cima da mesa e o digital, que veio depois, mas para eles veio primeiro, foi dando lugar ao analógico que parecia ser “o ponto forte” daqueles fotógrafos que “desejavam replicar”, como o Carlos e o André nos contam. Depois disto, a história é aquela que estarão a imaginar: “relembrar os familiares aquela máquina velha à qual ninguém liga”. Mas eles ligaram.

Em Junho de 2010 nasceu um projecto que viria a materializar este interesse. Chama-se We Love Film e, para sintetizar sem querer reduzi-lo, move-se com o “intuito de arranjar uma solução economicamente viável de partilha de consumíveis de fotografia analógica”. Se há pessoas que têm stocks excedentes de rolos fotográficos, como por exemplo, donos de antigas lojas, o Carlos e o André adquirem-nos em quantidade avultada e vendem-nos a preços competitivos. Quanto mais pessoas comprarem desse volume, mais barato fica.

Mas nunca foi só esse o plano, assim como o plano de um disparo não é só o de ser revelado. O We Love Film tornou-se, sobretudo, num promotor de “criatividade e arte fotográfica” e, hoje em dia, de acordo com o Carlos e o André, é importante no processo criativo de vários fotógrafos, desde os que o fotografam como hobby aos que fotografam de “forma mais séria”. O lucro é, principalmente, aquele que não é palpável: o artístico, o cultural e o intelectual – longe da intelectualidade de trazer por casa. É fácil constatarmos isso quando visitamos o site, que tem etiquetas que nos levam até galerias de fotógrafos, fóruns de lomografia e outras plataformas que cultivam o mesmo interesse.

“E o digital?”, perguntarão vocês. Não há qualquer tipo de atitude elitista perante este tópico. O Carlos e o André defendem que “ambos os mundos têm o seu espaço e os seus fins, cabe a cada pessoa avaliar que mais lhe agrada.“ São cliques e estéticas diferentes mas que podem coabitar perfeitamente no mesmo mundo.

Dizem que o futuro a Deus pertence, mas o da We Love Film pertence ao Portugal Camera Style, o “site português de homenagem ao famoso Tokyo Camera Style”. Com o crescimento do projecto, havia cada vez mais informação pertinente de ser publicada de forma adequada, longe de uma pequena linha escrita no Facebook, daí a criação deste novo espaço que servirá também como “boletim informativo sobre as exposições que acontecem no nosso território”, como o Carlos e o André nos deixam a saber.

Não ficam por aqui. Numa tentativa de retribuição de todo o empenho e entreajuda da comunidade We Love Film, a dupla quer estrear-se no primeiro trabalho de curadoria. A ideia é juntar trabalhos de várias pessoas que foram conhecendo ao longo do tempo e roubá-las ao ecrã para as emprestarem a uma exposição em paredes, onde devem ser vistas.

Nada iguala as páginas de um livro, um CD a tocar na aparelhagem ou uma estreia na tela do cinema e a isto se junta o rolo (ou o filme para os mais puritanos que acham “rolo” heresia) por revelar e a expectativa de saber se aqueles disparos correram bem. They (really) love film.



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