Wray Gunn

Uma das maiores certezas da música nacional.

Aquando da saída do primeiro álbum de originais, todos os meios de comunicação, e a crítica em geral, receberam o trabalho de uma forma positiva e foram dados rasgados elogios à banda, considerando “Soul Jam” como um dos melhores álbuns do ano. O álbum até lhes rendeu a presença no Euro Sonic na Holanda onde representaram Portugal.

Depois de algum tempo de interregno e após as inspirações de Paulo Furtado pelos blues do homem-tigre, surge “eclesiastes 1.11”, o segundo álbum da banda, que podia muito bem ser o primeiro.

Ao ouvir os dois álbuns ficamos com a nítida sensação que a evolução foi tremenda e que este último registo não ficava nada mal como primeiro dos Wray Gunn, não querendo com isto dizer, que “Soul Jam” seja um mau álbum, longe disso, apenas não é um grande disco como “eclesiastes 1.11”.

Uma das semelhanças entre os dois registos dos Wray Gunn é a utilização de clássicos com uma nova roupagem. Em “Soul Jam” foi “Lonely”, agora o tema escolhido foi “There but for the grace of God go I” de Kid Kreole. De resto, muito pouco existe entre estes dois discos, a não ser o génio criativo e em maré de alta inspiração de Paulo Furtado que não deve ter tido mãos para todos os instrumentos que pretendia e trouxe o Legendary Tiger Man para o formato de banda para gravar “eclesiastes 1.11”.

Mas este último disco de Wray Gunn não conta apenas com os blues de Paulo Furtado. Com um sentido claramente influenciado pela cultura negra americana, o gospel mistura-se com o rock em temas que podiam perfeitamente ser cantados numa igreja americana por um coro de negras muito gordas com vestes compridas. “Keep on Prayin” é um bom exemplo da presença constante do gospel e soul neste álbum que tende a diluir-se com o avançar dos temas, começando a sobressair o rock e os blues.

Em todo o álbum, as alusões à igreja são evidentes e a palavra “lord” é utilizada vezes sem conta. O nome do registo não foi por acaso pois “eclesiastes 1.11” trata-se de um salmo onde é colocada em causa a religiosidade dos tempos que correm. A caracteristica mais religiosa dos temas é contrariada pelas alusões a actividades menos puritanas, como é o caso do sexo e a droga (“Drunk or stoned”, “Don’t you know?”). É este choque entre o “mal” e o “bem” que torna o disco muito interessante.

Com o desenrolar do álbum, a musicalidade negra tende a diluir-se no rock e blues que surgem de uma forma avassaladora para terminar o disco em beleza com um tema, “All night long”, que podia muito bem fazer parte de uma banda sonora de Tarantino.

Este salto em frente na carreira dos Wray Gunn deve-se muito à alteração efectuada na banda no que diz respeito aos seus elementos. A presença fantástica de Raquel Ralha, que ficou conhecida pelos trabalhos nos Belle Chase Hotel, torna este registo ainda mais especial e um dos álbuns portugueses do ano.

Em Junho, podemos ver ao vivo como é que estes temas se comportam, no concerto agendado para o último dia do Festival Super Bock Super Rock, 11 de Junho. Está prometido muito rock e glamour, num concerto que irá surpreender os mais distraídos.



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