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WWE | Duplo Impacto

Diogo Beja e Jorge Botas são os responsáveis pelo "Duplo Impacto". A passagem da WWE por Portugal serve de mote para conversar sobre Wrestling.

Como o regresso da WWE a Portugal agendado para 6 de Novembro trocámos algumas impressões com dois dos maiores divulgadores do Wrestling em Portugal, seja através dos comentários da programação da WWE na Sportv (que regressa à grelha em Outubro de 2017), seja através do blog e podcast Duplo Impacto. São provenientes de Lisboa, fervorosos sportinguistas e trabalham os dois na rádio. Fiquem com as 9 respostas sobre wrestling de Diogo Beja e Jorge Botas.

RDB: Lembraste com que idade assististe pela primeira vez a um combate na televisão e qual foi o combate?

Diogo Beja (DB): Eu deveria ter 10 ou 11 anos. A RTP passava o “WWF Superstars” aos sábados de manhã, com comentários do Tarzan Taborda e do António Macedo. E lembro-me que foi a voz do António Macedo (sempre a rádio!) que me atraiu para o que estava a ver, porque eu ouvia o Macedo de manhã no carro com o meu pai. Honestamente, não me lembro de um combate em específico, mas lembro-me de ver o Shawn Michaels, o IRS ou o Tatanka. Foram as primeiras estrelas de wrestling que vi.

Jorge Botas (JB): Devia ser o ano de 1991… mas a primeira grande memória que tenho foi do Wrestlemania 8, em 92, e um combate do Undertaker contra o Jake Roberts. 

O que te fascina nesta forma de entretenimento?

DB: “Entretenimento” é a palavra-chave na pergunta… e na minha resposta. Eu divirto-me imenso (a maior parte da vezes) a ver wrestling e é por isso que continuo a ver passados tantos anos.

JB: A forma como os combates são construídos e toda a história que normalmente os envolve.

Quais os teus wrestlers preferidos do passado e do presente?

DB: Para mim, o melhor de sempre no ringue é o Shawn Michaels. Creio que é uma resposta quase consensual, o que acaba por legitimá-la. Hoje, sou muito fã do Shawn Michaels dos tempos modernos, o AJ Styles. Mas terei sempre menções honrosas para estrelas como o Randy Orton, Chris Jericho, Triple H e Undertaker.

AJ Styles

AJ Styles


JB: Undertaker, Shawn Michaels, AJ Styles e Finn Bálor

Tendo a WWE praticamente o monopólio do Wrestling nos Estados Unidos, achas que não é prejudicial para a qualidade “do produto” não existir concorrência?

DB: Durante as “Monday Night Wars”, no final da década de 90, milhões e milhões de pessoas viam wrestling todas as semanas. WWE (WWF, na altura) e WCW lutavam às segundas à noite e os grandes beneficiados eram os fãs. Com a compra da WCW, a WWE ficou numa posição “totalitária”. Durante alguns anos, acredito que isso prejudicou o produto… mas com a expansão das indies pela internet, a própria WWE viu-se obrigada a ir buscar talento que nunca pensaria contratar no passado. Isso levou a WWE a fazer concorrência à própria WWE. É interessante, e importante, que haja uma certa concorrência interna para elevar o produto.

JB: Acho que que faz com o produto WWE “relaxe” um pouco e eles fiquem um pouco desleixados. Por isso sim, acaba por prejudicar um pouco a qualidade.

Consideras que atualmente não existem superstars como antigamente? E as storylines, consideras mais ou menos interessantes?

DB: Acho que vivemos na época das mais atléticas super-estrelas de sempre na WWE. Nunca houve um leque tão completo de gente com tanto talento no ringue. Infelizmente, nem sempre esse talento corresponde à capacidade de compor uma personagem, ou ao carisma natural. E isso prejudica o produto. As storylines podem ajudar a criar essas personagens. Nem sempre acontece. Passa muito pela liberdade dada aos lutadores para poderem fazer dos ângulos (histórias) algo que seja mais deles.

JB: Penso que atualmente as Superstars não têm muito tempo serem construídas. A forma “instantânea” como a sociedade se rege nos dias de hoje, não dá muitas oportunidades. Mas, eu acho que o principal problema é falta de carisma nos lutadores. Carisma é algo que não se aprende, ou tens ou não tens!

Acredito que as storylines podem ajudar a definir uma carreira, mas parte dessa responsabilidade é do lutador e ter de saber aproveitar a oportunidade.

Não é fácil… mas muitas vezes, é a única hipótese!

Em Portugal existe ainda algum estigma por parte do grande público quando se fala de Wrestling. Porque achas que isso acontece? 

DB: Ainda existe? Talvez exista. Não é nada que uma conversa de 2, 3 minutos não resolva.

JB: Porque não é “cool”! Mais uma vez a sociedade é um pouco de modas… se algo está em alta, é seguido em massa e passa a ser “cool”. No caso do wrestling, sempre foi de ciclos. Esta não é a melhor altura em Portugal, mas certamente que voltará a atingir um pico.

O que mudarias na WWE para que fosse mais interessante?

DB: Duas coisas. Passaria o controlo criativo da companhia para o Triple H – que já o faz no NXT, e com bons resultados. Muitas das estrelas que crescem no NXT (foi para isso que foi criado), chegam ao plantel principal e entram num marasmo criativo. É um trabalho que é bem feito na fase de desenvolvimento e que depois falha onde não devia mesmo falhar. E daria mais liberdade aos performers. Podem muito bem trabalhar com alguns tópicos, em vez de seguirem um guião completo, fala a fala. Muitas vezes, a “voz” dos argumentistas não é, claramente, a voz dos lutadores.

JB: Tirava o Vince McMahon do poder e metia lá o Triple H. Podia resolver alguns dos atuais problemas da companhia!

Já alguma vez foste ao Estados Unidos assistir ao vivo a algum pay-per-view? Se sim como foi a experiência?

DB: Já fui várias vezes… vi um SummerSlam no dia dos meus anos, em Washington. Saí de lá deprimido, porque o Shawn Michaels perdeu com o Hulk Hogan. Voltei depois para um Royal Rumble em Miami e, nesse ano, fui à WrestleMania em Chicago. Foram 2 anos muito intensos, mas valeu a pena. Quando lá estamos, aquelas 3 horas passam a correr.

JB: Assisti a um Survivor Series, em Boston! Foi uma boa experiência, apesar de sentir falta da emoção dos comentadores. Naquela noite o público não foi o mais participativo e o evento sofreu um pouco. Mas no geral foi uma boa experiência.

Em relação ao Wrestling em Portugal, existe alguma atividade?

DB: Existem várias até. O Wrestling Portugal tem montado eventos com bastante regularidade em Queluz. Há uns promotores que não conheço que fazem alguns espectáculos independentes de vez em quando e a WSW tem Portugal no mapa, o que é bom. Já trouxe a Portugal estrelas como o Rob Van Dam e, tanto quanto sei, vai trazer mais uma grande estrela no final do ano.

JB: Existe o Wrestling Portugal, a CTW, a APW e alguns eventos que a WSW vai organizando, onde traz lutadores internacionais.



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