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O Festival Internacional de Cinema Jovem celebra este ano o seu 10º aniversário. Entre 26 de Setembro e 5 de Outubro o Fundão recebe os talentos emergentes do cinema e a música da ATP Recordings. O tema escolhido para a edição deste ano promete: SEXO.

Entre 26 de Setembro e 5 de Outubro, o Fundão recebe mais uma edição do IMAGO – Festival Internacional de Cinema Jovem – que celebra este ano o seu 10º aniversário. Para festejar da melhor forma, nada melhor que ter “Sexo” como tema e a ATP Recordings como editora convidada para abrilhantar as noites do festival. Quem ainda não teve oportunidade de ir ao IMAGO, tem este ano muitos motivos para descobrir um dos mais interessantes eventos dedicados às novas tendências da Música e Cinema.

De forma a ajudar-nos a descobrir um pouco mais sobre a edição deste ano, trocámos algumas impressões com Pedro Ramos (criador e director do IMAGO) e Sérgio Felizardo (director), duas pessoas que se dedicam de alma e coração a este evento e responsáveis pelo seu sucesso e afirmação.

10 anos de IMAGO

Já se tornou cliché mas a verdade é que continua a ser muito difícil programar e organizar eventos culturais com alguma dimensão no interior do país. Felizmente, quem se encontra à frente do IMAGO não desistiu e conseguiu colocar o festival ao mesmo nível de reconhecimento da Cereja do Fundão, tornando-o no mais importante foco dinamizador para a cultura da região e na possibilidade única de apresentar novos conceitos e abordagens cruzando a música com o cinema.

Para Pedro Ramos, a comemoração desta data emblemática é “por si só uma vitória”. Sem dúvida que a especificidade do festival, que aposta numa “programação dedicada a jovens talentos emergentes, destinado a uma franja de público mais alternativa”, aliada à “preguicite crónica da imprensa nacional para acompanhar tudo o que fuja de Lisboa ou Porto” são factores que valorizam o trabalho efectuado pelos responsáveis do IMAGO.

As primeiras edições do festival aconteceram na Covilhã, uma cidade que até poderia ser mais atractiva a nível de público mas, para Pedro Ramos, a “troca” com o Fundão foi um dos “mais importantes passos que o festival deu”. “Encontrámos uma das poucas Câmaras Municipais do Interior do País que entende a Cultura como uma aposta decisiva para o desenvolvimento das populações e para a sua afirmação enquanto cidade”, disse-nos.

Desde 2006 o IMAGO usufrui de instalações privilegiadas. “A Moagem – Cidade do Engenho e das Artes” é o nome do edifício onde têm lugar todas as actividades do festival e a sua utilização foi um outro passo importante para o seu sucesso.

Apesar do sucesso, a “permanente insatisfação” da equipa do IMAGO obriga também a uma “reflexão” sobre o futuro, como nos confidenciou Pedro Ramos: “as expectativas dos vários públicos do festival, as perspectivas económica, social e cultural do País, os novos formatos de exposição e divulgação do audiovisual, os novos modelos de programação para o século XXI. Estes são todos pontos que merecem reflexão e que esperamos que tenham já uma concretização prática no IMAGO 2010. Queremos que estes 10 anos sejam a comemoração das bases que alicercem a possibilidade da construção de um futuro estimulante e continuamente inovador para o festival”, conclui.

Sexo & Cinema

Ao entrar na página oficial do festival (vejam os links externos) o tema do festival salta-nos logo à vista (experimentem clicar “Não entrar” para ver onde vão parar). A edição deste ano vai ter bolinha vermelha ao canto já que o tema é tão explícito quanto possível: SEXO. Para Sérgio Felizardo a escolha de “Sexo & Cinema” deve-se ao facto do festival “comemorar o décimo aniversário” e de querer tornar “inesquecível” esta edição, embora o tema já se encontrasse numa lista criada “há vários anos”, colocado agora na prática.

A curar um programa especial dedicado à temática está o espanhol Miguel Àngel Barroso, autor de vários livros dedicados ao cinema, como “Cine Erotico en Cien Jornadas” ou “M.A. Antonioni – Tecnicamente  Dolce”. O programa inclui clássicos fulcrais como “Emanuelle”, “Garganta  Funda”, ou “La Bête”, mas também uma retrospectiva especial que tem o  italiano Tinto Brass como figura central.

A escolha de Miguel Angel Barroso foi-nos explicada por Pedro Ramos. “É um destacado ensaísta e crítico de cinema espanhol com obra publicada sobre o cinema de Passolini, Antonioni e uma contextualização histórica sobre o cinema erótico e pornográfico”. Este convite surgiu através de “amigos comuns”, e foi “fácil chegar a um entendimento para que fosse o responsável pela curadoria e apresentação desta secção”, disse-nos.

Para além da escolha dos filmes, Miguel Àngel será “o encarregado de apresentar cada um dos filmes seleccionados e explicar os critérios das suas escolhas contextualizando-os dentro deste grande objectivo que é mostrar obras de elevado valor artístico dentro de um género cinematográfico tantas vezes marginalizado sem qualquer justificação”, concluiu Pedro Ramos.

Ainda no âmbito desta secção, destaque para a projecção do projecto “Destricted”, onde pontificam filmes de Marina Abramovic, Matthew Barney ou Sam Taylor-Wood e para o Festival  Circuito Off de Veneza que é convidado pelo IMAGO a apresentar o  programa “X Femmes 1 e 2”, com curtas de realizadoras como Caroline Loeb,  Héléna Noguerra ou Laetitia Masson, entre outras.

Para além desta secção especial, o festival irá contar com as já tradicionais secções competitivas: “Competição Oficial Internacional”, com 31 curtas de 17 países (“Canção de Amor e Saúde”, de João Nicolau, é o único português em competição); “Competição Under 25”, com 15 filmes de 11 países.

“Para as competições recebemos mais de 1700 inscrições, de 78 países. Um número habitual nos últimos 3 anos. Daqui seleccionámos 31 para a “Competição Oficial Internacional” e 15 para a “Under 25”. Pelo segundo ano consecutivo entendemos que não tínhamos documentários suficientes para o nível de qualidade que gostamos de manter nas competições, pelo que decidimos mais uma vez não levar a cabo a competição “Docs in Shorts” e integrar os seleccionados deste género na “Competição Oficial””, disse-nos Sérgio Felizardo.

This is…

Como tem sido hábito no IMAGO a música estará muito bem representada no Fundão. Todos os anos é seleccionada uma editora que vem a Portugal com alguns dos seus artistas e que de certa forma faz a ponte entre o visual e o audível. A escolha deste ano recaiu na ATP Recordings. “A All Tomorrow’s Parties (ATP) é uma organização sediada em Londres com 10 anos de vida, que tem promovido eventos e festivais um pouco por todo o mundo e com cuja filosofia nos identificamos bastante. Esta coincidência de aniversários foi a razão extra que fez com que, depois de já no ano passado termos tentado trazer a ATP, este ano fizessemos um esforço extra para o conseguir. Dentro da organização ATP existe também a editora discográfica que será o destaque do programa que dedicamos às editoras independentes por esse mundo fora”, disse-nos Pedro Ramos.

Dentro da programação dedicada à ATP destaca-se a estreia em Portugal de Alexander Tucker e dos The Notwist, “uma das bandas que deviam uma visita aos milhares de fãs que têm no nosso país”. Também vai ser apresentado um programa audiovisual diversificado que culminará com a estreia nacional do “ATP Film”, produzido pela WARP Films e realizado por Jonathan Caouette e Vincent Moon a partir de centenas de gravações das mais diversas proveniências. O “ATP Film” será apresentado e debatido por Luke Morris que o produziu e pelo “mentor e motor” da ATP, Barry Hogan, “que também terá tempo para fazer parte de um dos júris do festival e nos deleitar com um dos seus DJ Sets carregados da melhor música indie dos últimos 10 anos”.

Este ano, uma das novidades do festival está relacionada com os valores dos bilhetes para as sessões. Para a Selecção Oficial, cada entrada tem o custo simbólico de um euro sendo que o open Space, como sempre, continua gratuito. Para além desta notícia, o que pode o espectador do IMAGO esperar de novo nesta edição?

Sérgio Felizardo responde: “Filmes que dificilmente podem ser vistos noutro contexto, cruzamentos inusitados entre música e imagem e uma estimulante troca de experiências com pessoas que alimentam uma mesma paixão: o cinema”. Estão convencidos? Vemo-nos no Fundão?



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