X-wife @ Lux

Danos colaterais.

Os X-Wife foram:

Em 2003, a banda certa no local certo. Fizeram-se notar, primeiro, através de um EP, meses depois, já em 2004, com “Feeding the Machine”, primeiro álbum de originais. Apanharam ondas sonoras propícias à sua sonoridade, aos crachás nos blusões de ganga, às noites Kitten, ao fenómeno LCD Soundsystem e DFA Records, à recuperação dos All-Star, desta vez a custarem para cima de €50 – é o preço que se paga pela moda. E os X-Wife também estão a pagar o seu preço. Mas já lá vamos.

Os X-Wife não foram:

Mal sucedidos, bem pelo contrário. “Feeding the Machine” era um disco apenas pontualmente interessante, algo repetitivo e, até, previsível. Mas a alma rock em corpo electro era ar que se queria respirar na altura e a coisa resultou. Mas isto foi o passado, provavelmente um passado onde um concerto dos X-Wife no Lux seria garantia de casa cheia.

Os X-Wife são:

Chegados a 2006, chega o complicado segundo de originais. “Side Effects” é um disco globalmente mais apelativo que a estreia do colectivo, pautado pelas características base do passado recente da banda mas, aqui e ali, com uma ou outra variante. “Side Effects” é o disco que pretende mostrar que os X-Wife não foram fenómeno datado – consegue? Parcialmente.

Os X-Wife, ao vivo no Lux, não foram:

Chegados ao concerto de apresentação deste novo disco, no Lux, percebemos que se calhar há mesmo um preço a pagar por, no passado, se ter estado no sítio certo à hora certa a fazer exactamente a coisa, adivinharam, certa. A reduzida assistência presente no Lux para a apresentação de “Side Effects” mostra que, se calhar, vai ser preciso árduo trabalho da parte de João “Kitten” Vieira e companhia para recuperar os adeptos conquistados em 2004. E é esse o preço a pagar. O concerto, verdade seja dita, correu bem: banda esforçada, empenhada, a destilar suor, a bateria do convidado André Hollanda (ex-Zen) a dinamizar ainda mais a coisa, Rui Maia cada vez mais nas guitarras, uma maior sujidade rock.

Recuperaram-se temas do primeiro disco mas o prato principal passou, naturalmente, por desfilar as novas composições. O disco novo, já se disse, é melhor que o primeiro. A banda está mais coesa, tem melhor material para mostrar, a bateria veio dar maior liberdade criativa e um novo poderio à máquina. O público, o público. Aí reside a dúvida. Estará ainda o público com vontade de se deixar seduzir pelos X-Wife?



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