rdb_artigo_clubbing-report

X-Wife, Metronomy & Modernaire

Clubbing @ Casa da Música, 14 de Março.

Em mais uma edição do Clubbing (14 de Março), as assoalhadas da Casa da Música enfeitaram-se a preceito; cores quentes, azáfama q.b. e, claro está, muita música. Os pretextos em destaque eram os conterrâneos X-Wife e os britânicos Metronomy e Modernaire. Mas outros por lá passaram e cumpriram as promessas de um ‘Optimus’ enlace, no Porto.

A começar no conceito, antes do pre(con)ceito, que faz querer embalar num balbuciante impulso ‘club’, como uma nova abordagem em espaços culturais contemporâneos (que a cultura também se dança), e um recém-caminho para os que reclamam outras atmosferas: menos bar, menos disco, mais ‘club’… eis um novo significado para a música, convívio, dança, gregos e troianos: Clubbing! Veio, e parece que vai ficar.

O cartaz da noite, na Casa da Música, começava por amenizar os incrédulos que ainda pudessem haver, com os (cada vez mais) fincados X-Wife. Estes, que têm vindo a provar o que valem por cá, parecem ter já atingido um patamar ao nível dos melhores palcos nacionais, onde formam equipa com os que lhes precedam, abrem caminho à aventura dos que os saibam seguir ou revolucionam cenários, sem precisar de mais ninguém.

Jogaram em casa (nasceram no Porto) e agradeceram arrebatados à cidade natal, com muito som e carinho. Are You Ready For The Blackout? Yes, we are. Achas acesas, descolaram no seu punk mais revivalista, de rock em punho e electrónica, se apetece.

Apeteceu seguir, de expectativa no ar. Sem sair da mesma Sala 2, os Metronomy chegavam para surpreender os que não os conheciam, e para satisfazer a curiosidade dos curiosos mais atentos. A banda de Joseph Mount (compositor, vocalista e guitarrista) vai no seu segundo álbum, “Nights Out”, e perde conta às remisturas de temas para nomes como Dead Disco, Ladytron ou Klaxons. Aqui eles sabem o que fazem; e fazem bem a pop fundir-se com a electrónica. Gravam samples e vozes que disparam às suas próprias, ou nem lhes tocam, e optam por deixar a melodia ganhar o seu decurso, em instrumentais bem modulados à sua imagem.

De todas as formas que assumem, musicalmente, a vontade involuntária de ‘mexer a perninha’ é uma resposta constante. E quase apetecia pedir-lhes que fossem os primeiros a pedir-nos isso. Em vez da postura robótica que assumem em palco, interrompida por alguns acessos mais eufóricos de ‘humanóides’, por movimentos quase promissores de início de incêndio posto, ou pela luz (ao fundo do palco) que carregam, incandescente e pendurada nas fardas escuras… o público queria ainda mais: dançar, mas com muita vontade.

Tanta ou tão pouca interacção com o resto da sala, os Metronomy reinventam um universo electrónico (ainda) em ascensão, acendem agitação aos que ouvem, entranham sem causar estranheza e são, sobretudo, uma boa representação do que ainda podem vir a fazer à simplicidade original com que combinam as suas fontes sonoras.

A Sala 2 rematou com a actuação dos Modernaire, um trio de Manchester, onde se aprende a experimentar versatilidades, a trocar de posto e a arriscar novas investidas musicais. Se não se consegue com a música, tenta-se com pé descalço, ou com algum arrojo forçosamente espontâneo que possa marcar diferença. Nem sempre a diferença é marcante. O desgaste já seria algum, a sala só respondia a meio gás, mas ainda assim o empenho pop da banda foi o suficiente para manter o público crente no que ainda poderia vir dali; e que nunca veio. Pelos menos elas, divertiram-se.

Enquanto tudo se passava na Sala 2, tudo e mais alguma coisa se passava pelo resto da Casa: Música. Com os bares bem minados de gente sedenta de comércio directo (rifa-contra-bebida); conversas de todos e para todos os que lá foram ver, e ser vistos; desfiles permanentes às voltas pelos corredores, à procura de onde se quer estar a seguir… houve ainda tempo e sobrou espaço para as actuações de DJ’s, música clássica, brasileira, experiências ‘cybernauticas’ e até orquestras de improviso, personificadas ou em rede.

A Casa da Música é mais que isso. Desta vez foi ‘Clubbing’.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This