Xavier Rudd e Donavan Frankenreiter @ Cascais Music Festival | 23.7.2012

Xavier Rudd e Donavan Frankenreiter @ Cascais Music Festival | 23.7.2012

Mereciam o dobro do público mas, ainda assim, os presentes entoaram em boa voz as letras das músicas mais conhecidas, respondendo de uma forma igualmente positiva ao que recebiam

Em pleno Parque Municipal Marechal Carmona, em Cascais, Xavier Rudd e Donavan Frankenreiter não podiam ter melhor enquadramento paisagístico. O dia quente e a proximidade à praia fizeram com que estes dois “compinchas” trouxessem ao Hipódromo Manuel Possolo uma miscelânea de nacionalidades e idades, prometendo um excelente ambiente.

Os que chegaram mais cedo foram recebidos pelo próprio Donavan Frankenreiter que, à entrada, distribuiu autógrafos, sorrisos e pousou para as fotografias. Acompanhado pelos dois filhos, respondeu a algumas questões sobre o novo álbum. Segundo ele, podemos esperar algo mais natural deste novo “Star Livin”, sem grandes percussões, uma vez que recorreu a instrumentos alternativos à bateria e divertiu-se com instrumentos que ainda não tinha tocado em álbum, como o ukelele ou o banjo. Diz-nos que o LP remete para o presente, do que vive hoje, da família e da saudade que sente quando anda em tour, da morte do grande amigo Andy Irons – surfista que faleceu em 2010 – a quem dedica a faixa intitulada «A.I» ou dos sentimentos vividos aquando do tsunami no Japão. No fundo, um registo que não o remete para o passado ou para o futuro, apenas para sentimentos do dia-a-dia.

Lamenta não ter conseguido surfar nas nossas ondas desta vez, mas espera voltar para matar esse bichinho. Foram curiosamente muitos os que o abordaram sobre esse tema – o surf – chegando mesmo a perguntar um fã o que fazer para ser um melhor surfista. Frankenreiter responde, com olhar sábio e mão sobre o ombro do curioso: “Surf as much as you can, man!”

Desta vez não irá em digressão com Xavier Rudd como já o fez anteriormente. O destino ditou estarem juntos agora, tal como estarão também em alguns concertos na Alemanha, mas depois seguem caminhos separados.

Ao destino pede, no entanto, a possibilidade de voltar a colaborar com Jack Johnson, um grande amigo com quem amou trabalhar, tornando-se das suas melhores experiências (“It would be a dream come true if that would happen again” – por palavras próprias). Curiosamente, pediu à RDB que déssemos a “dica” ao Jack Johnson, e nós faremos o nosso melhor, prometemos!

Uma conversa rápida e dezenas de vezes interrompida, que antecedeu os concertos, mas que deu para perceber que realmente Donavan é uma pessoa muito terra-a-terra, “boa onda” e extremamente simpático.

Mas estava na hora dos concertos começarem.

Xavier Rudd apresenta um palco bastante complexo, rodeado de didgeridoos, com uma bateria no meio e elementos étnicos, tudo numa simbiose musical digna de final de tarde de Verão. Desligaram-se as luzes que iluminavam o (pouco) público e este mostrou a ansiedade pelo início do concerto. Os primeiros acordes entoam nas colunas como badaladas precisas às 21h45!

Maestro da sua própria mestria, é incrível ver e sentir, o que consegue fazer simultaneamente – toca bateria e didgeridoo ao mesmo tempo.

O público entra no flow e deixa-se levar pelos ritmos aborígenes. Descalço, como se pertencesse a outra realidade, conquistou o público desde o início do concerto. E ao ritmo de «Fortune Teller» sacou as primeiras palmas a compasso; o ritmo reggae entrou com «Come and Let Go», e foi saltitando pelas suas influências folk e roots, ora tocando slide-guitar, ora voltanto para o tradicional australiano.

Sons que promovem a união, a paz e a liberdade aproximaram o público que se foi balanceando ao ritmo imposto. Agradeceu em bom português: “Obrigado Cascais por esta energia” – nós agradecemos de volta…

E da mesma forma exacta com que começou, também terminou; às 23 horas em ponto despede-se repentinamente, sem fade outs. Timidamente tentou-se puxar pelo encore, mas foi inconclusivo. No entanto, pouco se esperou pela entrada de Donavan Frankenreiter em palco. Acompanhado de mais cinco elementos, arranca o concerto vinte minutos depois de Rudd.

O público volta a juntar-se perto do palco, e com «Lovely Day» começa a fazer aquilo que com gosto faz melhor. Um concerto polido, uma máquina bem oleada e engrenada (a experiência tem destas coisas), mas nunca mecanizada. Frankenreiter apresenta-se concentrado, calmo, e isso é transmitido para quem assiste. Embala-nos e guia-nos por um excelente concerto. As músicas novas são apresentadas e sente-se, curiosamente, o realismo que referiu anteriormente. Um dia-a-dia que pode não ser perfeito mas que ao seu ritmo permite acalmar o mais tortuoso ser.

Como Xavier Rudd, Ben Harper, Jack Johnson ou o português Frankie Chavez (presente no público), Donavan mostra-nos um caminho de “boa onda”, positivamente palmeado, salteado de bons acordes. Merecia o dobro do público mas, ainda assim, os presentes entoaram em boa voz as letras das músicas mais conhecidas, respondendo de uma forma igualmente positiva ao que recebiam.

Meia-noite e meia, despede-se pela primeira vez depois de um longo solo de guitarra, mas rapidamente volta para o encore. Toca mais duas músicas e cada uma com uma particularidade especial. Na primeira foi acompanhado na bateria pelo filho mais novo – Ozzy – , e na segunda chama a palco três elementos do público para cantar «It Don’t Matter» que se saíram muito bem, impressionando o próprio Frankenreiter.

Notas finais, dois excelentes concertos acompanhados por um público jovem, bronzeado e cheio de “boa onda”. Sem dúvida que estes australianos são referências na música e as influências que transmitem são visíveis em novas sonoridades e novos artistas.



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