XenobladeChronicles2

Xenoblade Chronicles 2 | Análise

Não é um JRPG perfeito mas agradará, ainda assim, aos fãs do género

Tudo aquilo que resta da humanidade no mundo de Alrest, sobrevive nas costas dos Titans, enormes monstruosidades que se passeiam pelo mar de nuvens como se de continentes à deriva se tratassem. Contudo, estas enormes “divindades” estão a morrer e isso só pode significar a tragédia para todos aqueles que habitam neles. No meio do mar de nuvens de Alrest, Rex e Gramps, o dragão no qual a personagem principal do jogo navega, procuram constantemente por artefactos de destroços. A maioria daquilo que Rex consegue obter da venda destas raridades, ele envia de volta para casa onde a sua família passa dificuldades. A entrada em Xenoblade Chronicles é pacífica e sem grande ritmo, mas tudo ganha nova pedalada quando uma companhia de mercenários contrata Rex para uma missão, sem que este sequer esteja interessado em conhecer os pormenores antes de alinhar.

Os cenários de Xenoblade Chronicles estão simplesmente divinais, fruto não só da escala dos Titans (sem paralelo no mundo dos videojogos), como também da componente artística deste JRPG que está muito bem conseguida (excepção feita ao desenho de algumas personagens) e que faz brilhar cada paisagem, cada montanha, cada cidade como algo único e especial. Esta é aliás a essência da série Xenoblade, mas que está concretizada de uma forma excepcional neste JRPG exclusivo da Nintendo Switch. A história avança através de linhas concretas da história, mas os habitantes deste mundo também oferecem missões alternativas que dão ao jogador várias oportunidades de melhorar as suas personagens com novos itens.

A narrativa principal centra-se sobretudo na ligação de Rex com Pyra, uma mulher que parece ter um enorme alvo nas suas costas já que toda a gente parece ter interesse em raptá-la. Rex torna-se no seu protector e promete levá-la a Elysium, um sítio no topo de uma enorme árvore onde ficarão a salvo da morte dos Titans. O desenho de Pyra é um dos pontos negativos deste jogo, com atributos femininos desproporcionalmente exagerados e roupa que muito sinceramente não serviria grande propósito a alguém que pretendesse defender-se durante uma batalha. Contexto no qual a personagem está constantemente envolvida já que Pyra é uma Blade, uma entidade que pode oferecer poderes e energia ao seu Driver. Rex assume esse papel e é graças a Pyra que as suas habilidades ganham força. É também por isso que a história da dama em apuros, já usada até a exaustão no mundo dos videojogos, perde um pouco da sua lógica (já que é graças a Pyra que Rex ganha força) porque é ele que a tem de salvar… Tendo em conta que este cliché até já é alvo de sátira em Super Mario Odyssey, se calhar já chegou a altura de também deixar de acontecer nos JRPGs.

O número de Blades que a nossa equipa pode controlar vai aumentando e funciona quase como uma colecção em que temos de tentar “apanhá-los todos”, cada um com diferentes níveis de raridade, como é habitual nestas coisas. Quando conseguimos um número considerável e avançamos na história principal, abre-se a possibilidade de os podermos enviar em missões, através de um menu, graças às quais depois regressam com mais pontos de experiência e a possibilidade de trazerem consigo novos itens.

Tudo isto é essencial e influencia o sistema de batalha que é complicado e com uma curva de aprendizagem bastante exagerada a início. O jogo oferece inúmeros momentos de tutorial mas, se por acaso passarmos à frente sem querer, ou estivermos desatentos por alguma razão, o tutorial já não se consegue encontrar em mais lado nenhum e é complicado adivinhar como as coisas funcionam. Durante as batalhas, a nossa equipa pode ter até três membros, cada um com o seu Blade respectivo. Cada membro vai executando ataques automáticos que vão preenchendo uma barra para executar os ataques mais fortes, as denominadas Arts. Estas podem funcionar em combinação entre membros da equipa e causar danos exagerados nos inimigos, quando bem executadas. Embora complicado de se compreender, o sistema vai-se abrindo à medida que avançamos no jogo e tornando-se cada vez mais interessante. Cada Blade vem ainda com outras habilidades que são importantes durante os momentos de exploração para desbloquear caminhos ou abrir baús. Mais para a frente na narrativa, há um momento em que será complicado avançar sem termos desbloqueadas algumas destas habilidades, o que poderá obrigar o jogador a retroceder alguns passos para evoluir.

Enquanto exploramos, vários são os animais e monstros que podemos encontrar a vaguear, com comportamentos bastante interessantes, simulando uma natureza no seu estado puro. Se por vezes calculamos os nossos combates com calma, para evitar surpresas, o mais certo é que os nossos esquemas vão por água a baixo com uma intrusão de monstros que vagueiam pelo mapa. E se o nosso azar até pode correr bem por nos aparecer um monstro de nível baixo, muitas são as vezes em que surgem inimigos com discrepâncias de nível completamente exageradas. Numa das zonas iniciais, em que não podemos estar muito mais acima do que o nivel 15, vagueiam monstros de nível 80. A própria exploração também não é facilitada pela bússola que surge no topo do ecrã e várias são as vezes em que não conseguimos perceber para onde ela aponta, já que os mapas são caracterizados por vários níveis de altura sobrepostos.

A narrativa está repleta de momentos interessantes, com humor nonsense quanto baste mas também alguns momentos dramáticos. O trabalho artístico por detrás das cinemáticas é simplesmente fenomenal, assim como a banda sonora que traz sempre um tema interessante em cada um dos novos mapas. No entanto, há que lamentar o trabalho de voz em inglês da maioria das personagens, com excepção feita a algumas das principais que possuem alguns sotaques que tornam cada conversa muito mais interessante. Este aspecto acabou por comprometer bastante a minha envolvência com o jogo mas felizmente que vocês não terão de sofrer com isso, uma vez que a partir de hoje podem já contar com as vozes originais.

Este não é um JRPG perfeito, está longe disso e também não será o melhor lançamento da Nintendo Switch neste ano. Desde um trabalho de vozes em inglês fraquinho, a falta de orientação durante os mapas e ao uso e abuso de clichés que já não funcionam nos dias de hoje, vários são os factores que impedem este JRPG de atingir a glória. Seja como for, Xenoblade Chronicles 2 consegue concretizar várias das metas a que se propõe, com cenários fenomenais, uma mecânica de combate que fica cada vez melhor e uma banda sonora que não deixará ninguém indiferente. Por isso, se és fã do género e tens uma Nintendo Switch ou pretendes arranjar uma, Xenoblade Chronicles 2 não será uma má compra.



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