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Yakuza Kiwami | Análise

O Dragão de Dojima está de volta!

Que Kazuma Kiryu está a ter um ano agitado, é o mínimo que se pode dizer! Depois de Yakuza 0 oferecer um maior contexto aos veteranos da série e de se mostrar como o ponto de partida ideal para quem ainda não a conhecia, eis que chega Yakuza Kiwami, o remake de raíz que adapta a primeira aventura de Kiryu (lançada em 2005 para a PlayStation 2) para a actual geração. Acusa alguma idade mas não deixa de ser mais uma grande experiência a chegar à PlayStation 4!

Tal como acontece na versão original, o protagonismo cai sobre Kazuma Kiryu, o yakuza com coração de ouro e um sentido de justiça inabalável que vê a sua vida virada do avesso por um evento que envolve Nishikiyama, o seu amigo de infância, e que acaba por o levar para a prisão, acusado de um crime que não cometeu. A verdadeira aventura começa 10 anos depois, com o regresso de Kiryu a Kamurocho. Muito mudou durante este período em que esteve forçosamente ausente e não tarda muito até sabermos o quanto. Não se preocupem que não vos vou estragar nada.

Yakuza 0 foi, para mim, o ponto de partida ideal para conhecer a série e não me imagino a dar continuidade à aventura de Kiryu, em Yakuza Kiwami, de outra forma. O contexto que me deu sobre personagens como Nishikiyama ou Goro Majima, só ajudou a que me envolvesse ainda mais com esta história de Yakuza Kiwami, a qual considero como o ponto alto do jogo. Já o era na versão original mas agora em HD e com todo o espectacular trabalho de voz refeito, escusado será dizer qual a versão ideal para darem continuidade aos eventos de Yakuza 0. À primeira vista, a história não podia ser mais cliché mas é inegável que esta malta sabe contar uma boa história. Isto não é novidade para os veteranos mas mesmo estes vão ficar contentes por saber que esta foi ligeiramente alargada para oferecer um maior contexto, não só aos eventos do próprio jogo, mas também para estabelecer alguma relação com os de Yakuza 0.

Paralelo à história, onde vamos passar mais tempo será a percorrer as ruas de Kamurocho e é seguro dizer que fazê-lo na actual geração de consolas não fica nada aquém das expectativas. Esta é uma cidade cheia de vida. Dentro e fora dos vários bares, lojas ou casas de alterne que enchem a cidade, jovens e adultos falam uns com os outros, ao passo que outros procuram onde afogar as mágoas ou simplesmente um local onde passar um bom bocado. O mesmo se aplica a Kiryu, que tem ao seu dispôr uma série de mini-jogos para passar o tempo, como Mesuking: Battle Bug Beauties. Um jogo de cartas que coloca mulheres, disfarçadas de insectos, umas contra as outras, em combates “vertiginosos” com base num sistema de “papel folha ou tesoura”. Enquanto que uns se tentam divertir, outros escolhem viver no fio da navalha e percorrem as ruas da cidade à procura de causar sarilho. Muitas vezes cabe a Kiryu metê-los na linha.

Além das suas histórias complexas, principais e secundárias, a série Yakuza é também conhecida pelo seu sistema de combate, fortemente inspirado nos clássicos de luta de arcada. Já era assim no passado mas em Kiwami o sistema surge refinado. Nesta versão, Kiryu faz-se acompanhar pelos estilos de luta introduzidos em Yakuza 0. A cada estilo corresponde uma série de movimentos e habilidades e saber alternar entre eles é extremamente gratificante. Quanto mais combatermos e quanto melhor for a nossa prestação, mais pontos de experiência recolhemos, os quais poderão ser aplicados para desenvolver as capacidades do protagonista. Quer dizer, todos menos um. Acontece que há um estilo de luta que só poderá ser desenvolvido mediante uma nova componente introduzida nesta nova versão do primeiro título da série e que se chama “Majima Everywhere” (Majima em todo o lado). Finalmente uma personagem jogável em Yakuza 0, em Kiwami Goro Majima tem como único objectivo fazer de Kiryu o lutador que era antes de ter sido preso. Para isso, nada melhor do que surjir de onde menos se espera para nos tentar pregar umas valentes sovas! Confesso que estava com algum receio de que estes confrontos aleatórios depressa caíssem no aborrecimento mas com Goro a dar-se ao trabalho de se disfarçar de todas as maneiras e feitios e a surgir nas mais variadas sidequests, tal nunca aconteceu. Aliás depressa se tornou num dos aspectos mais divertidos deste jogo.

Graficamente este é um jogo que não desaponta mas mentia se dissesse que não começa a acusar alguma idade. Não obstante, a história envolvente, complementada por um trabalho de voz excepcional e uma jogabilidade de acção frenética fazem deste jogo uma aquisição mais do que obrigatória a qualquer fã. Se Yakuza 0 é o ponto de partida ideal para conhecer a série, Yakuza Kiwami é a versão ideal para lhe dar continuidade. Venha de lá o remake de Yakuza 2!



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