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Yo-Kai Watch 2 | Análise

Os Yo-Kai estão de volta, desta vez numa aventura que podes partilhar com os teus amigos!

Sentes que andas mais esquecido do que o normal? Colocaste um objecto num determinado ponto da tua casa e quando voltaste já lá não estava? Tens a sensação de estar numa maré de azar que parece não ter fim? Sabes de algum amigo ou familiar que esteja a agir de forma completamente estranha? Estás no pico do Inverno e sentes um calor insuportável? Se respondeste sim a uma ou mais destas perguntas, então cuidado porque isto só pode significar uma coisa. Os Yo-Kai estão de volta ao nosso mundo, prontos para fazer das suas em mais uma aventura – a cargo da Level-5 – na família de portáteis da Nintendo e é já no dia 7 de Abril, pelo que não falta muito para que lhe possas deitar as mãos!

 Yo-Kai Watch está quase aí e um pouco à semelhança do que tem vindo a acontecer com a série Pokémon, o seu regresso estará disponível em duas versões: Fleshy Souls ou Bony Spirits. O jogo é essencialmente idêntico nestas duas versões, diferindo apenas em alguns Yo-Kai específicos para cada uma mas que poderão ser trocados entre os jogadores. A decisão sobre qual versão adquirir poderá ter algum peso para os mais competitivos que irão certamente perder mais tempo a esmiuçar as respectivas vantagens ou desvantagens, entre as criaturas exclusivas destas versões, mas descansem os jogadores mais casuais. Em termos de história e do grosso do conteúdo que esta sequela tem para oferecer, a experiência pouco ou nada diverge entre uma ou outra.

Sendo esta a segunda entrada na série, seguramente que alguns jogadores se estarão a questionar sobre a relevância de terem ou não jogado o seu antecessor ou até mesmo sobre a pertinência de  acompanhar a série anime. Na medida em que o anime oferece algum conhecimento prévio sobre as capacidades de algumas criaturas presentes no jogo e tendo em conta as alusões aos eventos do jogo anterior, mentia se dissesse que o conhecimento prévio da série não oferecia uma experiência mais enriquecedora. Mas não obstante, os recém-chegados à série são muito bem recebidos em Yo-Kai Watch 2. A súbita perda de memória sobre o fantástico mundo dos Yo-Kai bem como dos eventos anteriores, levam a que o protagonista – que uma vez mais pode ser um rapaz (Nathan) ou uma rapariga (Katie) – tenha  de reaprender tudo novamente. Apesar de cliché, calha muito bem para os novatos mas não se preocupem os veteranos que esta perda de memória não dura muito e depressa estarão a explorar e a adicionar novos Yo-Kai à vossa equipa! E afinal de contas é precisamente isso que define o universo de Yo-Kai Watch: Explorar e adicionar novos Yo-Kai à nossa colecção!

 

Sem querer estragar-vos nenhuma das surpresas que vão encontrar, é seguro afirmar que tendo em conta que a história se esforça por cativar um público mais jovem, os mais velhos irão considerá-la acessória. No entanto, para combater esse efeito, a boa disposição que a acompanha, talvez até mais aprimorada do que a do título anterior, vai deixar-vos muitas vezes de sorriso no rosto. Contem com alguns laivos de mistério para garantir que o vosso interesse não se desvaneça por completo e até com viagens no tempo que seguramente irão agitar um pouco as coisas, levando-vos até 60 anos no passado numa busca pelo Yo-Kai Watch original.

A longevidade é alta, ultrapassando as 17 horas – onde e quando quiserem, graças à sua portabilidade – mas de realçar é, sobretudo, o tradicional grafismo da Level-5 e que acompanha não só os mais variados cenários como também o estilo dos vários Yo-Kai que vamos encontrar e das personagens com as quais vamos interagir. Aliás, para esta sequela, a Level-5 prometeu muito mais  de tudo o que o título original tinha para oferecer e isso traduz-se no impressionante leque disponível  de Yo-Kai que agora atinge os cerca de 450 e no aumento de locais para explorar, bem como da dimensão dos mesmos.

 

Como já devem calcular, num jogo deste género, quanto mais variados forem os cenários, mais variado será consequentemente o leque de criaturas que podemos encontrar. A exploração está uma vez mais de mãos dadas com a “captura” de criaturas e enquanto que anteriormente podíamos apenas percorrer a cidade natal do protagonista, agora, seja de comboio ou por intermédio de teleportes, podemos visitar cidades vizinhas e outras áreas como florestas. Se a isso aliarmos a viagem até ao passado de alguns dos locais mais emblemáticos da história, tudo isto irá traduzir-se numa enorme variedade não só de desafios mas sobretudo de Yo-Kai que poderemos adicionar à nossa colecção, todos eles inspirados nos dilemas do nosso quotidiano. Infelizmente, a grande maioria será encontrada mediante a concretização de um enorme leque de quests paralelas à história principal. Algumas são bem pertinentes e oferecem um maior contexto ao mundo que estamos a percorrer mas o facto é que a grande maioria acaba por cair no monótono sistema de fetch quests.

O sistema de combate pouco mudou mas surgem em Yo-Kai Watch 2 algumas nuances que conferem algum sentimento de novidade a este sistema. No ecrã superior da portátil da Nintendo os nossos Yo-Kai continuam a sua postura autónoma durante os confrontos, enquanto que o jogador assume uma posição que mais se assemelha à de um gestor, intervindo quando necessário mediante as opções disponíveis no ecrã inferior da consola. Aqui, podemos não só alternar o posicionamento dos 6 elementos que constituem a nossa equipa como podemos também aplicar um item de cura, ou optar por desencadear o ataque especial de cada um deles, mediante a concretização de um mini-jogo, recorrendo ao Stylus da DS. Até aqui nada de novo mas volta e meia, em alguns dos confrontos, vamos dar com os nossos Yo-Kai a serem alvo de condições que teremos de nos apressar a “purificar”, uma vez mais através de um mini-jogo. Já no combate contra criaturas mais fortes, nomeadamente Bosses, além de voltar a opção de podermos seleccionar um target específico para o qual a nossa equipa deverá focar a sua distribuição de pontos de dano, agora podemos também procurar por pontos fracos no nosso inimigo. Uma vez detectados é fazer-lhes target e ver o dano da nossa equipa a aumentar.

 

O combate volta mais pertinente e com um maior leque de situações que o jogador terá de contornar, acabando por ser menos o espectador que era na primeira entrada da série. Bom, pelo menos em teoria. O facto é que como os confrontos mais desafiantes (aqueles que realmente puxam por toda esta nova dinâmica entre o jogador e os seus Yo-Kai) são menos frequentes, é inevitável cair na repetição. Os combates em piloto automático, onde não é necessária qualquer intervenção da nossa parte são a ordem do dia, durante longos períodos de tempo, e só ocasionalmente é que teremos a breve mas entusiasmante (diga-se) lufada de ar fresco, num confronto mais desafiante que realmente ponha a nossa capacidade de gestão e o feliz posicionamento dos nossos Yo-Kai à prova.

Finalmente, os mais competitivos vão ficar contentes por saber que Yo-Kai Watch 2 se faz acompanhar por ainda mais outra novidade. Algo muito criticado pela comunidade, aquando do lançamento do título anterior, foi a ausência de um modo Online onde os jogadores pudessem trocar ou competir entre si. Pois bem, agora, não só poderão fazer isso mesmo como também podem juntar-se localmente com os vossos amigos num novo modo chamado Yo-Kai Watch Blasters. Muito à semelhança dos mini-jogos que temos vindo a encontrar recentemente na série Kirby, cada jogador irá assumir um dos seus Yo-Kai e em conjunto derrotar os Bosses que irão surgindo à vossa frente. Quanto melhor for o vosso desempenho, melhores serão as recompensas.

 

Yo-Kai Watch regressa pronto a fazer as delícias sobretudo dos mais novos mas também de todos aqueles estejam ávidos por mais horas de diversão a explorar e capturar as travessas criaturas deste universo. A Level-5 pega no que de bom o primeiro título da série tinha para oferecer e traz aos jogadores uma sequela bem mais aprimorada, oferecendo o impressionante leque de 450 Yo-Kai para descobrir e novas áreas para explorar, tanto no presente como no passado. O combate surge mais refinado também e propenso a momentos bem interessantes que fazem com que o jogador seja menos espectador do que no título anterior mas ainda assim é inevitável que alguma repetição se instale. Para os sequiosos fãs, sobretudo aqueles que tiverem amigos com quem partilhar a sua experiência de jogo, esse será apenas um mero inconveniente na sua busca pela equipa perfeita, pelo que a pergunta que fica no ar é: Sentes-te um Bony Spirit ou uma Fleshy Soul?



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