Yo la tengo @ Aula Magna

Uma prenda de Natal antecipada.

Englobados na programação do “Festival Radar”, os Yo La Tengo regressaram a Portugal no passado dia 3 de Dezembro para, uma vez mais, encantar e surpreender todos aqueles que quase encheram a Aula Magna em Lisboa. O concerto do trio foi uma autêntica ode à música alternativa e um fiel retrato do conceito do projecto, que se rege pela qualidade e originalidade, sempre com uma dose controlada de experimentalismo e eloquência, “navegando” por diversas sonoridades que vão desde o punk/rock ao pop. Uma noite inesquecível e possivelmente o melhor concerto do Festival promovido pela Rádio Radar.

Com mais de 15 álbuns editados, os Yo La Tengo tornaram-se uma referência no panorama alternativo mundial. Uma das suas maiores virtudes é a capacidade de, disco após disco, apresentarem sempre algo de novo, nunca rejeitando as suas “raízes”. Através do seu ecletismo musical, a banda tem também conseguido captar a atenção de novos públicos. Novos e “velhos” fãs dos Yo La Tengo não faltaram à chamada e presenciaram um excelente espectáculo da banda de Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew.

Tal como o último álbum da banda, “I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass”, editado no decorrer deste ano, o concerto de dia 3 de Dezembro mostrou todas as “faces” dos Yo La Tengo. Pelo alinhamento passaram temas tão distintos como «Watch out for Me Ronnie», um tema punk-rock que de certeza ficou no ouvido de todos devido ao volume “exagerado” com que foi apresentado; «I feel like going home», um tema triste e melancólico e «Mr Tough», uma das mais bem conseguidas canções pop do ano.

Embora o último registo da banda tenha sido o que mereceu maior destaque ao longo da actuação “regular” (todas as três músicas referidas no parágrafo anterior fazem parte de “I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass”), a banda passou por alguns dos seus registos anteriores, de onde destacamos a excelente sequência com «Deeper into Movies», «Story of Yo La Tengo» e a fenomenal «Nuclear War», tema editado em EP no ano de 2002, que fechou a “primeira parte” da actuação, com o trio a sair de palco pelo meio das doutorais da Aula Magna cantando ao som das palmas da audiência.

Obviamente que uma saída de palco em grande estilo teria obrigatoriamente que culminar num regresso ao palco em apoteose. Foi exactamente isso que aconteceu. Três vezes. No primeiro encore, a banda prestou homenagem aos Soft Boys, companheiros de editora – Matador -, com uma versão extraordinária de «I Wanna Destroy You», regressando depois ao ano de 1997 e ao álbum “I Can Hear the Heart Beating as One” (terá sido este título que inspirou o tema de David Fonseca??) com «Little Honda» e culminado este seu primeiro regresso a palco com «Rock’n Roll Santa», uma canção tradicional de Natal.

Após um curto período de tempo, o trio voltou ao palco para interpretar mais três temas, sendo que o último foi o excelente «Tom Courtenay», do disco “Electr-O-Pura” de 1995. Houve ainda tempo para um terceiro e definitivo encore composto pela extraordinária versão de «I Found a Reason» dos Velvet Underground.

Em mais de duas horas de concerto, os Yo La Tengo mostraram que ainda continuam com força para durar muitos e muitos anos. A banda está muito bem equilibrada em palco. A irreverência e eloquência de Ira Kaplan (que resultaram em alguns solos de guitarra um pouco prolongados) é balanceada com a postura mais calma de James McNew e Georgia. O público aplaudiu e saiu da Aula Magna com a sensação reconfortante de ter assistido a um excelente concerto.



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