Monsbeskuren

“Zack” de Mons Kallentoft e Markus Lutteman

Estocolmo a ferro (sexo, droga, crime) e fogo

Tudo começa quando quatro mulheres tailandesas que trabalhavam num salão de massagens em Estocolmo são brutalmente assassinadas. Tudo leva a crer que a sua atividade transcendia os cuidados corporais “tradicionais” e no ar ficam várias dúvidas. Será um ajuste de contas entre grupos rivais que dominam os círculos de prostituição; uma execução sumária de um maníaco sexual; ou uma “mensagem” clara de um xenófobo que rejeita a presença de estrangeiros?

Ainda que sejam muitas as dúvidas para a polícia de Estocolmo, a cena do crime revela um horror sem precedentes e colocou todos os agentes alerta. Um dos responsáveis pela investigação é Zack Herry, o membro mais jovem de uma unidade especial da polícia recentemente formada para lidar com os crimes mais complexos.

Mas Zack não é o polícia perfeito, longe disso. É um habitual frequentador de discotecas clandestinas, além de consumir estupefacientes, cujo fornecedor é o seu melhor amigo, uma relação que cresceu à luz dos subúrbios onde nasceram. É como refém dos seus vícios e excessos que Zack tenta lutar contra vários fantasmas, sendo os maiores a história de vida do seu pai, um homem debilitado pela doença, e o assassinato da sua mãe, uma ex-polícia que cuja morte nunca ficou devidamente explicada e que o atormenta desde criança.

É no meio deste turbilhão emocional que Zack, um lobo solitário de coração consumido pela dor que advém da violência, se depara com um dos casos mais complexos da sua ainda curta carreia e que o leva a embrenhar-se no mundo dos conflitos entre gangues de motards, a máfia turca, o tráfico de mulheres, a prostituição e a falta de moral de pessoas que se escondem por trás da figura de empresários de sucesso sem escrúpulos.

Escrito a quatro mãos, Zack (D. Quixote, 2018), é a mais recente aventura literária de Mons Kallentoft no universo do thriller policial, e, desta vez, divide a pena com o também sueco Markus Lutteman, jornalista de profissão que assim se estreia no mundo dos livros. E o resultado é uma tangente à sociedade sueca e aos perigos da criminalidade emergente principalmente associada à imigração ilegal.

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Este que é o primeiro tomo de uma ambiciosa série inspirada na figura mitológica de Hercules e dos seus 12 trabalhos, promete remeter-nos para o universo que Kallentoft já nos habituou em livros anteriores (a série Malin Fors é uma das melhores aventuras literárias de policias nórdicos da última década) onde os principais ingredientes são a ação, o suspense e uma narrativa sólida assente numa tensão  que impede o leitor de respirar um segundo, pois tudo pode mudar na página seguinte.

Além de Zack, a dupla Kallentoft/Lutteman desenha um conjunto de personagens muito interessantes, principalmente Deniz, Rudolf e Sirpa, membros proeminentes da unidade de Zack, também eles a contas com um passado repleto de fantasmas e sede de vingança, e que vão acompanhando o protagonista na sua demanda contra o crime e a injustiça, ainda que os seus métodos estejam longe da normal atuação da polícia ou métodos ortodoxos. O que, confessamos, torna este livro ainda mais (marginalmente) apetecível.



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