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Zany Dislexic Band

Dois discos por ano? É p’ra meninos.

Um disco para cada mês do ano, esta é a ambição da Zany Dislexic Band. Acesso megalómano ou a ordem natural das coisas?

No que diz respeito ao ego, a história tratou de nos ensinar duas coisas fundamentais. Um: Nunca acredites nos supergrupos, eles não existem, embora haja quem nos queira fazer crer que sim. Dois: Acessos de megalomania são sol de pouca dura – seja pela banda que acaba depois de um disco duplo (Guns N’ Roses), seja pela banda que perde o seu guitarrista/ícone depois de editar um disco duplo (Red Hot Chili Peppers), seja pelo tipo que passa a interessar-se por ficção científica, depois de ter-se falhado no objectivo de cantar um disco para cada um dos 50 estados norte-americanos (Sufjan Stevens). Ou seja, não acredites nos megalómanos, ensinou-nos a história. Mas aquilo com que a Zany Dislexic Band nos presenteia nestes 12 (!) discos, um para cada mês do ano – cinco já saíram, sete estarão para sair – é o resultado de 23 anos de aventureira comunhão, não tanto o acesso megalómano que parece nos ser apresentado logo à partida. Diz o comunicado de imprensa: “Num mundo em que quem berra mais alto e em menos tempo ganha a atenção, a ridícula banda disléxica proporciona momentos intrigantes para quem não precisa de um guião conciso. A banda que vive em Meifumado, apresenta a sua década de batalhas. Sem censura, ao longo de 2011, o trabalho de dez anos é editado sem piedade. Todos os meses um álbum novo, compilado pela Zany Dislexic Band, para representar diversas fases da sua sonoridade única”. Isto não é um acesso megalómano, isto é um trabalho de 10 anos, compilado em 12 meses. A Zany Dislexic Band, em discurso directo, na voz de Sérgio Freitas, teclista da banda.

Como gravam? Têm um ponto de partida e um outro de chegada?

Acontece que sempre tocamos no estúdio, normalmente, gravavamos. Nunca existe nenhum ponto de partida ou ideia pré-definida, a não ser o facto de tocarmos juntos há cerca de 23 anos, o que por si só garante pelo menos um entendimento ou plataforma comum, quanto mais não seja, pela música que cada um dos quatro vai ouvindo e partilhando ao longo destes anos todos. Quanto ao resto, a música arranca e lá vamos nós.

Como decidem porque caminho ir? Já têm uma ideia pré-definida quando partem para a gravação ou é um processo intuitivo?

Como nada está definido à partida, o leitmotiv pode ser um groove da bateria, uma linha de baixo, um ruído… qualquer coisa serve para começar e quem se atrever a começar pode levar as coisas para um caminho e os outros irem ao seu encontro, ou não. A piada está precisamente na incógnita de ninguém saber o que pode suceder.

Pensam na criação de um ambiente ou partem sem pensar nisso?

Não. O que pode acontecer é o nosso próprio estado de espírito ou o ambiente no estúdio influenciar o rumo da música. Frequentemente discutimos, berramos ou rimos sem articular uma palavra, usando apenas os instrumentos. Penso que isso se reflecte nalgumas sessões.

Podemos ter duas coisas absolutamente distintas ou mantêm uma certa identidade?

Existem sessões em que a formação não é a mesma. O Duarte e o PZ trocam frequentemente de papéis, guitarras pelo baixo ou bateria ou percussão, depende do dia. Talvez a sonoridade do conjunto dos instrumentos, independentemente de quem os toca, possa contribuir para a cristalização de uma identidade. Mas não tenho muitas certezas acerca disso.

Como surgiu este conceito de edição?

Temos muito material de gravações efectuadas ao longo da última década e esta era uma ideia que já tínhamos há muito, pelo simples facto de estarmos a acumular material e termos de o pôr a respirar. Chegámos à conclusão que este ano, até por fazermos dez anos de actividade, era uma boa altura para pôr mãos à obra.

Têm receio de que vos venham a acusar de megalomania ou de quererem dar um passo maior que a perna?

Não, porque fazemos o que fazemos sem rodeios. A música existe, os discos estão aí para quem os quiser ouvir, o resto é irrelevante.

Em tempos de tanta informação, acham que ao fim de alguns discos, aqueles que, porventura, tomem atenção a início, venham a dispersar?

Pode acontecer isso e o seu contrário. Claro que alguns discos agradarão mais a algumas pessoas. O propósito destes 12 discos é também registar a evolução da banda enquanto organismo autónomo de criação. Para tal, é necessário um certo distanciamento temporal, para discernir aquilo que é ou não relevante para a narrativa comum. Mesmo para nós, é engraçado descobrir gravações em que tentámos descobrir quem está a tocar o quê e em que circunstâncias.

Receiam estar a habituar os ouvintes a uma velocidade de edição que, daqui para a frente, poderá ser mais espaçada?

Não, porque continuamos a tocar, a gravar e também porque ainda existe muito material já gravado que, com certeza, ficará de fora destas edições.

E depois destes 12 discos, o que se segue para a Zany Dislexic Band?

Ainda vamos nos primeiros discos, por isso ainda temos muito trabalho pela frente. Depois de concluído este projecto ver-se-á o que acontece. Temos várias ideias que gostávamos de concretizar, mas cada coisa no seu tempo. É preciso deixar fluir.



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