Afonso Cruz – Capital

“Capital”

Apetite devorador

Entregar a um menino um porquinho-mealheiro é ensiná-lo como moeda a moeda se podem conseguir maiores lucros e, então, comprar o jogo favorito, a bola de futebol mais cobiçada, um livro há muito pedido ou outro qualquer brinquedo ou objecto de desejo. Sem palavras, Afonso Cruz ensina tudo isso e ainda mais.

“Capital” (Pato Lógico, 2014) é um novo título da coleção “Imagens que contam” e é esse mesmo o desafio: contar muito sem recorrer a uma só palavra. Dedicada exclusivamente a ilustradores capazes de contarem boas histórias, o livro de Afonso Cruz vem juntar-se a “Bestial”, de André da Loba, “Sombras” de Marta Monteiro e “Vazio” de Catarina Sobral. A aventura começa, para cada ilustrador, seguindo as regras: uma única palavra como título e 32 páginas para encher com uma história relatada exclusivamente com imagens. Há ainda um desafio adicional: recriar, de forma original, o logotipo da editora.

Na história de Afonso Cruz o mote está lançado: o título “Capital”, o porquinho-mealheiro de louça com a característica ranhura nas costas e um menino ávido para engordar o novo amigo, com moedas e moedas e mais moedas. Com o tempo, o porquinho-mealheiro engorda mesmo e o menino conhece então tudo o que vai para além das lições de poupança e contenção ensinadas, de pais para filhos, há gerações e gerações. Feitas as poupanças e alcançados os lucros, perde-se a capacidade de controlar e dosear despesas e benefícios, entrando-se então no obscuro apetite devorador do mundo do dinheiro.

Página a página “lemos” palavras como poupança, empreendedorismo, lucro, gastos, bancos, banqueiros, negócios, perdas, finanças, consumo, sem vermos uma letra que seja, deixando espaço e imaginação para se “trabalharem” ideias e ideais, para se explorarem capacidades e umas quantas fragilidades modernas.



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