Rhoma Acans – Leonor Teles

“Rhoma Acans” na competição internacional de Clermont-Ferrand

Rhoma Acans, uma curta-metragem da autoria da jovem realizadora Leonor Teles, de 21 anos, natural de Vila Franca de Xira, encontra-se inserida na competição internacional da 36ª Edição do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, em França.

Depois de ter marcado presença na 4ª Edição do Festival Internacional Cinemigrante (Argentina, 2013), no Singapore Indie Doc Fest (Singapura, 2013), IndieCork Film Festival (Irlanda, 2013) e no Munich Internacional Festival of Film Schools (Alemanha, 2013), agora chegou a vez de Clermont-Ferrand (França).

A 36ª Edição do Festival de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand teve início no dia 31 de janeiro e vai decorrer até ao próximo dia 8 de fevereiro. Em exibição estão projetos cinematográficos que abrangem os mais variados géneros. Entre eles encontra-se o documentário “Rhoma Acans”, que se apresenta como um espelho do quotidiano de uma rapariga pertencente a uma comunidade cigana. ‘’O Rhoma Acans pode representar mais do que apenas uma história, mais do que apenas uma rapariga, porque no fundo também é mais do que isso. É a minha procura por algo que poderia ser eu’’, sustenta. A realizadora foi ontem, 3, para Clermont-Ferrand e vai manter-se no festival até ao seu término. Admite estar reticente quanto à possibilidade de poder ganhar algum prémio. Contudo, ambiciona que o público goste do filme e que no festival possa assistir a outros projetos de qualidade.

Em âmbito nacional a curta-metragem presenteou o Indie Lisboa 2013, o Curtas de Vila do Conde 2013, o Festival Luso-Brasileiro 2013, o Panorama 2013 – 7ª Mostra de Documentário Português e o Córtex – Festival de Curtas-Metragens de Sintra 2013. Este percurso, além de permitir a mediatização do documentário, fez com que “Rhoma Acans” angariasse vários prémios. Destacam-se o prémio Take One!, atribuído pelo Festival de Curtas de Vila do Conde 2013, a Menção Honrosa do prémio ‘’Arvore da Vida’’ para melhor Filme Português do Indie Lisboa’13, a Menção Honrosa da competição Nacional do Córtex 2013 e, por fim, o prémio de ‘’Património Imaterial’’ para Melhor Documentário da 7ª Edição do Concurso de Video Fundação INATEL.

O conceito do documentário já pairava na mente da realizadora há algum tempo. ‘’Sempre quis conhecer a vivência das raparigas ciganas, conhecer uma maneira de viver que facilmente teria sido a minha’’, afirma. Para Leonor Teles, entrar na Escola Superior de Cinema e Teatro (ESTC) foi uma mais-valia na medida em que lhe permitiu executar o projeto que tinha em mente. Ao mesmo tempo, a realização de Rhoma Acans possibilitou o confronto entre perguntas e respostas sobre a etnia cigana que sempre a perseguiram e que remetem para as suas origens paternas.

Inicialmente, o filme foi produzido no âmbito de uma disciplina semestral lecionada na ESTC, pelo que, Leonor nunca imaginou que ‘’o pequeno Rhoma Acans’’, como lhe chama, chegasse onde chegou. ‘’Quando estávamos a montar o filme, só pensava em conseguirmos terminá-lo a tempo, porque tínhamos um prazo a cumprir e, claro, queria poder fazer algo com a maior qualidade possível, sendo que era a primeira vez que estava a realizar um documentário’’, declara. Terminada a pós-produção, o resultado agradou a equipa. ‘’Lembro-me de dizer algo como «vamos mostrar o filme», mas nunca pensei que tivesse o percurso que está a ter. Foi excelente e ainda está a ser!’’, exclama a realizadora.

“Rhoma Acans” já percorreu festivais de cinema em vários pontos do globo e, nesta perspetiva, Leonor Teles admite que ‘’mais importante do que os festivais em si é a diversidade de pessoas que puderam ver o filme’’. Ainda assim, Leonor salienta que a presença do Rhoma Acans no Indie Lisboa foi o festival que mais a marcou. Esta escolha dá-se pelo facto do Indie ‘’ter exibido o filme no Cinema São Jorge na Sala Manoel de Oliveira, que é uma sala mítica e estava cheia de gente, e por ter estado na Competição Nacional, sendo um filme de escola’’. Além disso, ‘’foi a partir do Indie que o filme começou a despertar interesse’’, acrescenta.

O documentário vai estar ainda em exibição no FICUNAM – Festival Internacional de Cine 2014, no México. Quanto a projetos futuros Leonor Teles afirma que gostaria de poder ter a oportunidade de desenvolver um projeto novo, que pudesse seguir o percurso do agora ‘’mais crescido’’, Rhoma Acans.

Fotografias de Leonor Teles (directamente de Clermont-Ferrand)

Rhoma Acans - Leonor Teles

Rhoma Acans - Leonor Teles

Rhoma Acans - Leonor Teles

Rhoma Acans - Leonor Teles

 



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