Dançarão 2025: três dias a bailar entre o Tejo e as tradições
De 11 a 13 de julho, a Praia Fluvial de Ortiga transformou-se, mais uma vez, num território vivo de música, dança e encontro. O Festival Dançarão regressou para celebrar a sua edição de 2025, levando o som dos passos e das cordas a ecoar entre a praia fluvial de Ortiga e o antigo Bairro EDP de Belver — um espaço que, durante três dias, voltou a ganhar vida, relembrando a vida de outros tempos em que ali viviam os trabalhadores da barragem e as suas famílias.
Palcos e lugares que contam histórias
O Palco Tejo, cenário abençoado pela lua cheia que se sincronizou com o festival e das noites inesquecíveis de baile e concertos, recebeu na sexta-feira dois concertos que ficarão gravados na memória coletiva dos bailadores: os portugueses Baldio, com o seu folk enraizado e poderoso, e o duo francês Brotto Milleret, que trouxe ao rio um duo de acordeonistas que envolveu todos os presentes. Ao entardecer, a luz refletida na água misturava-se com o som dos instrumentos e os risos da plateia dançante — um quadro impossível de recriar fora dali.
O Espaço EDP, cedido pela empresa, possibilitou que o terreno e infraestruturas do Bairro de Belver se transformasse numa verdadeira casa para o festival, onde várias infraestruturas fundamentais para o decorrer das atividades foram detalhadamente pensadas: desde o campismo, acantonamento, inclusivamente o Palco EDP com um novo estrado, os lavatórios, assim como os WC secos, chuveiros, bilheteira, e o secretariado.
Entre estes dois polos, existia ainda o Palco Ortiga, mais próximo da comunidade local; a Messe, onde se receberam os voluntários e se realizaram as oficinas dedicadas às práticas de bem-estar e relaxamento; e a Cantina, onde a música e a partilha de refeições se entrelaçaram.
Um sábado de corpos em movimento
O sábado, dia mais intenso do festival, começou cedo com a proposta de alongamentos e vitalidade, seguindo-se com o Yoga do Riso, oficinas de Baile Folk e Lindy Hop, práticas de conexão corporal e muitos encontros espontâneos. Ao cair da tarde, o forró do Trio Exactamente trouxe calor e cumplicidade, seguido pelo baile folk vibrante de A Salto à Rua, encerrando com a energia neo-trad dos franceses Groove Factory, prova viva de que o folk acolhe novas linguagens sem perder a raiz.
Natureza, memória e sustentabilidade
Mais do que um evento cultural, o Dançarão afirma-se como um compromisso com o território. A parceria Rotas de Mação/Dançarém trouxe a já tradicional caminhada pedestre, começando e terminando na praia fluvial, com um desafio ecológico: recolher lixo ao longo do percurso. É a dança que se prolonga no cuidado pela paisagem.
A cantina, servida pela ADRC Chão de Lopes e pela Casa Artemisia, disponibilizava refeições desde o almoço de sexta até ao jantar de domingo, sempre com opção vegan. O mercado de artesanato, as tasquinhas, o Bar NOK e o Restaurante Lena completaram o cardápio, alimentando também o sentido de comunidade.
A força das parcerias e da comunidade
Nada disto seria possível sem o apoio do Município de Mação, da Junta de Freguesia de Ortiga, da Liga de Ortiga e da EDP, que cedem não só espaços e infraestruturas, mas também memórias e afetos. A AJI Indústria de Madeiras contribuiu com serradura para os WC secos e paletes para os estrados de dança — pequenos gestos que sustentam o sonho.
Na abertura oficial, a presença ativa da Universidade Sénior de Mação e do CRIA – Unidade de Mação reafirmou que o Dançarão é intergeracional e inclusivo. Assim como o Dançarinho, uma iniciativa para os mais pequeninos, contempla a participação das famílias neste festival onde todas as idades têm lugar, e onde a tradição se reinventa no presente.
Durante três dias, a Ortiga voltou a ser um território dançante. O som do rio, o calor do verão, as vozes em muitas línguas e a música que não conhece fronteiras fizeram do Dançarão 2025 um lar temporário, mas intenso — daqueles que ficam a ecoar muito depois do último acorde.
Mais informações e programa completo em www.dancarao.pt.
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