Ifigenia 09 © Festival de Mérida _ Jero Morales

Capitólio recebe tragédia clássica «Ifigénia»

Espetáculo inspirado em Eurípides e Ésquilo chega a Lisboa a 19 de Novembro.

No dia 19 de Novembro, o Capitólio, no Parque Mayer em Lisboa, abre as portas ao espetáculo «Ifigénia», uma produção que mergulha no universo das tragédias gregas para refletir sobre a condição feminina e o peso da violência estrutural ao longo da História. A iniciativa surge no âmbito da parceria entre a Embaixada de Espanha, o Instituto Cervantes e o Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, consolidando a ligação cultural entre Portugal e Espanha através do teatro.

A peça, escrita por Sílvia Zarco, inspira-se em três clássicos da dramaturgia antiga: «Ifigénia em Áulis» e «Hécuba», de Eurípides, e «Agamémnon», de Ésquilo. Em palco, o enredo resgata o mito e a tragédia das mulheres sacrificadas pelo poder bélico e pela glória dos homens, de forma a lançar novas perguntas e despertar consciência crítica. Zarco sublinha que «Ifigénia» é um olhar contemporâneo sobre o custo altíssimo que as mulheres tiveram de suportar para que outros alcançassem feitos heroicos.

Este espetáculo estreou-se na 70.ª edição do Festival de Mérida e voltou no presente ano ao histórico Teatro Romano da cidade, considerado o mais antigo teatro em funcionamento do mundo. Lisboa recebe agora a produção num único serão, convidando o público a redescobrir textos clássicos sob uma perspetiva atual e inquietante.

A representação contará com o reencontro em palco de dois nomes queridos do teatro e da televisão espanhola, Juanjo Artero e María Garralón, conhecidos do público sobretudo pela série “Verão Azul”. Este regresso conjunto acrescenta uma dimensão emotiva ao espetáculo, ligando memórias televisivas a uma performance densa e carregada de simbolismo.

O Festival Internacional de Teatro Clássico de Mérida, responsável por esta criação, é considerado o mais antigo do género em Espanha e um dos mais reputados a nível mundial. Todos os anos, durante o Verão, leva grandes encenações ao anfiteatro romano da cidade, mas nos últimos tempos tem estendido a sua programação a outros territórios. A apresentação em Lisboa reflete esse movimento de internacionalização, reforçando laços culturais entre cidades que partilham raízes históricas.

Para Joaquim René, diretor do Capitólio e do Teatro Variedades, receber «Ifigénia» assume um caráter simbólico. Sublinha que não se trata apenas de acolher uma peça, mas de promover um encontro artístico que prolonga a tradição do Parque Mayer como espaço de circulação de companhias espanholas. Ao mesmo tempo, afirma-se como oportunidade para o público português revisitar tragédias universais à luz de preocupações contemporâneas, no cruzamento entre espetáculo e reflexão.

«Ifigénia» sobe ao palco do Capitólio no dia 19 de Novembro, pelas 21h. Os bilhetes têm o preço único de 10 euros e estão disponíveis em bol.pt e nos locais habituais. A peça, com duração de 90 minutos e classificação etária para maiores de 12 anos, convida a mergulhar num teatro que cruza passado e presente, intemporal nas suas questões e urgente no modo como ecoa nos dias de hoje.



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