Glockenwise | Entrevista
Entrevista por Patrícia Santos e fotografia por Rui de Freitas.
É no Festival Paredes de Coura, num início de tarde quente, que decorre este alinhamento de questões e respostas entre a Rua de Baixo e os Glockenwise. Um momento breve, porém, conciso – por entre a sombra das árvores e a brisa amena que corria, pudemos escutar estes quatro amigos que, a partir da música, estabelecem a sua ‘marcha’. Voltam a este festival-mor passados doze anos, encarrilhados e sem desvios entregues à sorte. São os Glockenwise e, naquele dia 14 de Agosto, pelas 18h, dariam um concerto belíssimo. Fica o registo da conversa.
Rua de Baixo [RDB]: Como é estar de volta ao Paredes de Coura, mais de uma dezena de anos depois?
Glockenwise [G]: Estamos contentes por voltar. Já passaram 12 anos e por isso, sim, estamos muito contentes por voltar. Em particular porque é, em princípio, o último concerto que estamos a dar nesta fase do “Gótico Português”, deste disco… portanto, também tem esse significado especial para nós, no sentido de ser um fim de ciclo.
Rua de Baixo [RDB]: Em quase 20 anos, os Glockenwise têm sido uma constante na música portuguesa. O que acham que vos dá essa constância?
Glockenwise [G]: Nós somos quatro amigos há muitos anos que se juntam para tocar e para fazer música, e que gostam de fazer isso em conjunto. Queremos ensaiar, queremos estar juntos e gostamos daquilo que fazemos e isso move-nos. Então achamos que isso é fundamental. Outra questão importante é que nós fazemos música há vinte anos, mas o facto de isso ser uma coisa há muito tempo, pouco tem a ver com o meio da música em si. Ou seja, nós fazemos música porque é mesmo importante para nós, porque um dia por semana vamos a uma sala de ensaios e tocamos juntos… Talvez seja o desprendimento de tentar ter, se calhar, uma carreira associada a… daí nunca nos termos separado também, se calhar, não é? Não temos essa pressão, eliminámos qualquer hipótese de nos desiludirmos e isso fez com que continuássemos sem questionar grandes coisas – isto para dizer que o facto de termos gerido as nossas expectativas de forma a não pensar nisto como um objectivo final, digamos, fez com que equilibrássemos as coisas, a par e passo com outras coisas importantes das nossas vidas, até que estamos aqui hoje, a fazer o que gostamos e nos apetece, juntos.
Rua de Baixo [RDB]: “Gótico Português”. Uma metáfora para os dias de hoje? Ou um laivo de introspecção? Ambas as coisas? | Que álbum é este e como é que o mesmo redirecciona (ou não) a vossa identidade musical?
Glockenwise [G]: A primeira parte da pergunta… nós achamos que é uma mistura de várias dessas coisas; ou seja, por um lado, é um exercício introspectivo… nós, enquanto pessoas, temos uma posição no mundo, quem nós somos, a nossa identidade e que tempo é este que habitamos… isto são questões importantes naquilo que fazemos… por outro lado, existe essa vontade de nos relacionarmos com o que está a acontecer – isso está refletido, inclusive, na forma como o disco é criado. E, por conseguinte, as pessoas identificam-se ou não com aquilo que nós estamos a dizer. | A segunda parte da pergunta… achamos que o álbum acaba por redireccionar a nossa identidade no sentido em que fizemos (ou nos propusemos a fazer) um exercício diferente daquele que fizemos anteriormente noutros álbuns…. sob esse ponto de vista, acabamos por estar constantemente a tentar afinar algumas agulhas relativamente ao que queremos propor com a nossa música.
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