Citemor | 33º festival de Montemor-o-Velho

Com o Verão regressa o Citemor! De 28 de Julho a 14 de Agosto, a 33ª edição do Festival de Montemor-o-Velho habitará a vila histórica do Baixo-Mondego e vai estender-se, pela primeira vez, a Coimbra. Considerado o festival de teatro mais antigo do país, com origem na década de 60 (Professor Paulo Quintela/Universidade de Coimbra), o Citemor teve a sua primeira edição organizada pelo Centro de Iniciação Teatral Esther de Carvalho, em 1974. É um festival de Verão, profundamente marcado pela apropriação de espaços não convencionais, de interesse patrimonial, arquitectónico ou natural.

O programa, caracterizado pela diversidade de propostas, evidencia uma perspectiva transversal de todas as artes e a intenção de promover um encontro de artistas e públicos provenientes de várias disciplinas.

Tendo como prática o acolhimento de residências de criação e  o acompanhamento de percursos, o Citemor está vinculado como produtor a sete das propostas programadas e apresenta duas produções próprias, três estreias absolutas, uma antestreia e três estreias nacionais, afirmando, claramente, a vocação produtora do projecto.

O programa arranca no dia 28 de Julho, às 19h00, com uma instalação vídeo do artista visual Luís Alegre. Play Them #2 é comissariada por José Maçãs de Carvalho e decorre até ao final do festival (14 de Agosto), no Alcáçova. “Esta instalação reúne um conjunto de trabalhos de desenho que, através da animação, especulam, entre outros assuntos, o facto de a animação e o desenho estarem constantemente a negociar o seu lugar entre o real e o fantástico no sentido em que essa relação é fundamental para a nossa experiência e, sobretudo, a nossa experiência do corpo animado”, explica o artista. Com recurso à rotoscopia, Luís Alegre cria, para o Citemor, uma nova obra a partir de registos videográficos do festival.

A noite continua no Teatro Esther de Carvalho (22h30) com o ilustrador e cartoonista  António Jorge Gonçalves que convidou o músico Pedro Lopes (dos projectos Oto, Whit, Riot Trio e Didgin’) para uma performance completamente improvisada. António Jorge Gonçalves desenha em tempo real acompanhando Pedro Lopes que manipula gira-discos, computador e diversos objectos.

O Teatro da Garagem regressa ao Citemor para estrear Sede, a partir da peça homónima de Eugene O’Neill, no Castelo de Montemor-o-Velho, nos dias 29 e 30 de Julho, às 22h30. Em Sede, o dramaturgo e encenador Carlos J. Pessoa propõe o despoletar de um “choque moral” com uma peça violenta que pretende fazer despertar “de uma sonolência, resultante de um medo induzido, que acobarda e desmoraliza”. Pessoa acredita que “o Homem é, seguramente, mais que cifrões, mercados, défices, dívidas, (…) produtividade, bom comportamento, numa síntese brevíssima: nenhum homem pode resgatar a sua dignidade de chapéu na mão”. O Teatro da Garagem é dos colectivos artísticos com uma ligação mais intensa com o festival, tendo marcado a sua programação durante oito anos consecutivos, entre 1995 e 2002.

Sílvia Real convidou Francisco  Camacho – coreógrafo e bailarino com uma relação muito próxima com o festival – para a dirigir num solo. O resultado é Lost Ride onde a intérprete dá corpo a personagens em confronto com o estado físico e psíquico que as constrange. Encontram-se num espaço artificial, onde não se distinguem o orgânico e o inorgânico. O solo vai ser apresentado no Castelo, no dia 31 de Julho, às 22h30.

Na segunda semana do festival, o programa propõe as estreias de duas obras produzidas com o Citemor. No Teatro Esther de Carvalho, Marianne Baillot e António Pedro Lopes medem a gratidão em polegadas. We measure it in inches, onde se acentua o êxtase da celebração numa cerimónia infinita, vai decorrer nos dias 4 e 5 de Agosto, às 22h30. Nas palavras dos artistas, “o poder é medido em visibilidade, aparência, reconhecimento e legitimação”.

Num universo mais grotesco, mas também sobre o poder, John Romão e Paulo Castro apresentam Massacre, uma obra que denuncia “o dinheiro como forma de comprar a dignidade humana e de fazer esquecer os massacres”, tendo como referente Timor-Leste. Esta dupla improvável propõe resolver as crises mundiais, o caos económico e os problemas de Timor-Leste, nos dias 6 e 7 de Agosto, às 22h30, na Sala B.

Na última semana do festival apresentam-se três artistas de origem espanhola. Olga Mesa regressa com El lamento de Blancanieves, projecto criado em residência artística no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia (Madrid) e em Montemor-o-Velho, em 2010, e no FRAC Alsace (França), em Maio de 2011. A obra, situada entre a Branca de Neve do escritor suíço Robert Walser e a do cineasta português João César Monteiro, vai ser apresentada na Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, nos dias 11 e 12 de Agosto, às 22h30. Durante a performance, Olga Mesa e a portuguesa Sara Vaz realizam, em directo, um filme em que a câmara se converte em cúmplice, prolongando a experiência do espaço e a experimentação do olhar.

Nos dois últimos dias do festival (13 e 14 de Agosto), Sergi Fäustino e Ana Buitrago fazem uma abordagem distinta ao corpo, questionando os limites do mesmo. Sergi Fäustino trabalha sobre o corpo cansado, auto-impondo provas que o levarão para outra fisicalidade. O artista correrá meia maratona (cerca de 21 Km), desde a praia da Figueira da Foz a Montemor-o-Velho, chegando à hora prevista para iniciar a performance. Estilo internacional. Investigación alrededor de un cuerpo cansado decorrerá nos campos da Quinta do Taipal, em Montemor-o-Velho, às 19h.

Também nos dias 13 e 14 de Agosto (Sala B, 22h30), Ana Buitrago abordará o corpo, falando no lugar dele. Em Apuntes mínimos, a performer pretende “colocar o corpo nesse limite de onde vem o corpo relacional, vinculado, em entre-corpos”. A fechar a programação, ainda nos dias 13 e 14 de Agosto (Rosa dos Ventos, 24h00), Sergi Fäustino regressa com C60 Grandes Éxitos, onde o artista se dá a conhecer numa “retrospectiva vital através da música”.

Esta edição, que reforça o Citemor como um elemento decisivo na identidade territorial, vem, mais uma vez, sedimentar uma imagem associada à criação artística contemporânea e potenciar Montemor-o-Velho, não apenas como um território de fruição por excelência, mas de uma forma mais concreta, como um lugar dedicado à criação.

Pela primeira vez, a entrada para todos os espectáculos do festival é gratuita.



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