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WOOL celebra 15 anos com programação ambiciosa na Covilhã

A 13.ª edição do mais antigo festival de Arte Urbana de Portugal decorre entre 11 e 21 de junho na Covilhã, com murais, instalações, música, cinema e ações comunitárias.

O WOOL | Covilhã Arte Urbana regressa em junho de 2026 para a sua 13.ª edição, num ano especial que assinala os 15 anos do festival. Entre 11 e 21 de junho, a cidade da Covilhã voltará a ser palco de criação artística multidisciplinar, com murais de artistas internacionais, instalações, concertos, exposições, workshops e ações comunitárias. A edição comemorativa traz artistas da África do Sul, Itália, Canadá, Espanha e Estados Unidos, além de uma forte presença de criadores portugueses. A programação reforça o envolvimento da comunidade como elemento central, com três ações artísticas comunitárias e iniciativas que vão da corrida ao almoço partilhado.

Murais e instalações de quatro continentes

O principal bloco programático do festival continua a ser a criação de pinturas murais e instalações artísticas, ações que constituem o Roteiro de Arte Urbana WOOL — hoje uma das marcas mais relevantes e autênticas da Covilhã. Nesta edição, artistas de vários pontos do globo vão marcar a cidade com obras de grande dimensão.

Da África do Sul, Ben Johnston irá pintar um mural de grande dimensão na parte baixa da Covilhã, numa primeira incursão do WOOL para essa zona da cidade. De Itália, Tellas levará a sua estética abstrata, influenciada pela paisagem e pelos ritmos da natureza, ao edifício da APAE, no centro histórico. Do Canadá, o coletivo Nasarimba fará uma intervenção em maio, integrada numa tour europeia financiada pelo Calgary Arts Development, com paragens em Berlim, Milão e Covilhã.

A representação portuguesa está a cargo do Projeto Ruído, que regressam ao WOOL com um mural alusivo aos 100 anos do Orfeão da Covilhã (1926-2026), e de Mariana, a miserável, que criará 10 painéis de azulejo inspirados na identidade local, a instalar em vários locais do Centro Histórico. Nas instalações, o coletivo espanhol Penique criará uma peça habitável de grande dimensão, e Addam Yekutieli (conhecido por Know Hope), artista e ativista dos Estados Unidos, apresentará projetos de prática social e instalações imersivas.

Música: residências, concertos e mini-concertos

A componente musical da 13.ª edição do WOOL distribui-se por residências artísticas, concertos e mini-concertos espalhados por vários locais da cidade. Em destaque, a residência artística de Noiserv com o Conservatório de Música da Covilhã, cujos resultados serão apresentados na noite de 19 de junho no Teatro Municipal da Covilhã.

O concerto de sábado à noite, a 20 de junho, ficará a cargo dos Unsafe Space Garden, banda vimaranense de rock alternativo que promete uma das noites mais energizantes do WOOL 2026. Os mini-concertos voltam a ativar três fins de tarde (16, 17 e 18 de junho), com atuações de Ema Ferreira & Marco Pereira, Patife e Entrelaçado, levando a população a presenciar de perto o processo criativo dos muralistas.

A comunidade no centro da construção coletiva

Volvidos 15 anos, o WOOL 2026 reforça a participação comunitária com três ações artísticas. “A Nossa Casa” convoca toda a comunidade a participar na criação coletiva de uma peça de grande dimensão, em crochet e tricot, que cobrirá uma casa do centro histórico. “Marcha pela Esperança”, orientada pelo artista Mantraste, reunirá alunos do 1.º e 2.º ciclos em oficinas que culminam numa marcha a 19 de junho. “WOOL Circular” dará continuidade ao trabalho de reutilização de lonas publicitárias no âmbito de um projeto europeu da Universidade da Beira Interior.

O programa inclui ainda o regresso do LATA 65 (workshop de Arte Urbana para maiores de 65 anos), a Corrida WOOL no domingo de fecho (21 de junho), o Almoço Comunitário no Jardim Público, visitas guiadas pelo Roteiro de Arte em vários formatos — incluindo com intérprete de Língua Gestual e em carro elétrico para pessoas com mobilidade condicionada — e o Quiz WOOL no Ginásio Clube da Covilhã.

Cinema, literatura, pensamento e exposições

O WOOL 2026 será palco da estreia nacional do documentário “Know Hope: the abstract and the very real”, de Omer Shamir, seguida de sessão de Q&A moderada pelo jornalista Luís Octávio Costa (Kitato). Será também exibido “Subimos Junt_s?”, documentário que regressa à Covilhã após circular por vários festivais. Em matéria de pensamento, as WOOL Talks contarão com a presença do investigador Hugo Cruz, que falará sobre “Mais do que nunca a ficção coletiva — arte e participação num mundo fragmentado”, em diálogo com Maria Vlachou, da Acesso Cultura.

Cinco exposições integram o programa: três de fotografia (incluindo “Herança Industrial” de Pedro Seixo Rodrigues, na Galeria A Tentadora, de 14 a 27 de junho), uma revisitação da identidade visual do WOOL (“ID WOOL 2011 > 2026”) e a exposição permanente “15 Camadas de WOOL”. A literatura marca presença com o jovem escritor beirão Bernardo Fortuna, em residência literária cujos resultados serão publicados em 2027.

Quinze anos, uma cidade transformada

Com 105 intervenções realizadas ao longo de 12 edições na Covilhã, 272 obras no total e a participação de 109 artistas de todo o mundo, o WOOL consolidou-se como o mais antigo festival de Arte Urbana de Portugal — e um dos mais antigos do mundo. A edição dos 15 anos é mais do que uma celebração: é um manifesto artístico coletivo que acredita na arte como “primeira linha de defesa democrática”, nas palavras da diretora artística Lara Seixo Rodrigues.

O WOOL 2026 acontece de 11 a 21 de junho na Covilhã. A programação completa e atualizações estão disponíveis em www.woolfest.org e nas redes sociais do festival.



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