Vhils regressa a São Paulo com Atrito na Galleria Continua
Quinze anos depois da primeira obra no Brasil, o artista português inaugura uma exposição individual na Galleria Continua e lança a edição cerâmica Erosion.
Quinze anos depois dos primeiros projetos no Brasil, Vhils regressa a São Paulo para inaugurar, a 14 de novembro, a sua primeira exposição individual na Galleria Continua. Com curadoria de Ana Carolina Ralston, Atrito: Arqueologia do presente reúne obras nunca antes mostradas no país e prolonga-se para a fachada do edifício, numa intervenção pensada especificamente para o local. Pelo caminho, o artista português prepara ainda intervenções de arte pública na cidade e lança, com a Underdogs, uma edição limitada em cerâmica.
Uma Torre de Babel feita de metal
Atrito: Arqueologia do presente apresenta trabalhos desenvolvidos depois de um período de viagens intensas pela Ásia, pela Austrália e pelo Brasil. No centro da exposição está uma instalação composta por 14 cubos de metal corroído, de cujas superfícies emergem retratos, sinais e fragmentos de publicidade recolhidos em cidades de vários continentes.
Dispostos em labirinto, os cubos formam uma espécie de Torre de Babel contemporânea, onde Lisboa, São Paulo ou Xangai se tornam indistinguíveis e o metal passa a funcionar como uma língua comum. Através destes fragmentos sobrepostos, a mostra explora as ligações entre lugares distantes e as tensões entre as realidades urbanas locais e globais, um território que Alexandre Farto tem vindo a escavar ao longo de toda a sua carreira.
A exposição marca um momento significativo no percurso do artista. A Galleria Continua é uma das mais relevantes galerias de arte contemporânea do mundo, com presença na Europa, na Ásia e na América Latina, e representa alguns dos nomes mais reconhecidos da criação atual. Esta estreia coloca a prática de Vhils em diálogo direto com a cidade de São Paulo.
Uma relação com o Brasil que começou em 2011
A ligação de Vhils ao Brasil começou em 2011, com um retrato esculpido na fachada da Galeria Vermelho, em São Paulo. Desde então, cresceu através de exposições e de projetos desenvolvidos com comunidades. Destaca-se a intervenção no Morro da Providência, no Rio de Janeiro, realizada com o fotógrafo Maurício Hora, que se tornou uma obra permanente no exterior do Museu de Arte do Rio (MAR), e um projeto com a comunidade da Ladeira dos Tabajaras.
Seguiu-se a exposição individual Incisão, uma instalação de grande escala com mais de 50 portas de madeira esculpidas, apresentada em Curitiba, no Recife e em Brasília. Mais recentemente, a mostra Alquimia teve lugar na Gallery Usina Luis Maluf, em São Paulo. Ao longo deste percurso, o artista criou ainda inúmeros murais por todo o país e participou no NaLata Festival, em São Paulo, em 2023.
A fachada como obra de arte
A exposição não fica confinada ao interior da galeria. Vhils concebeu uma intervenção de grande escala e específica para o local, que cobre as superfícies de vidro da fachada do edifício. Esta instalação temporária transforma o exterior numa obra de arte que dialoga diretamente com a cidade em redor.
O gesto dá continuidade à exploração que o artista faz da relação entre as pessoas, a arquitetura e o ambiente urbano. Para Vhils, a cidade sempre foi mais do que um cenário: trabalhando diretamente com paredes, fachadas e outras superfícies urbanas, a sua prática estende-se para lá dos espaços expositivos tradicionais e leva a arte aos lugares onde as pessoas vivem e circulam.
É nesse espírito que, em paralelo com a exposição, Vhils está também a preparar intervenções de arte pública em São Paulo, prolongando o diálogo com a cidade e com as suas comunidades. Os detalhes serão revelados em breve.
Erosion: a cerâmica segundo Vhils
Do outro lado do Atlântico, o artista apresenta Erosion, uma edição limitada em cerâmica desenvolvida em colaboração com a Underdogs, que é lançada a 11 de novembro. Quando se fala de Vhils e cerâmica, o azulejo português é a primeira referência que vem à cabeça, mas esta edição segue outro caminho.
Erosion leva a exploração da subtração e da transformação da matéria, tão característica do artista, numa nova direção. O que se vê à superfície é apenas parte da história, e a peça pede um olhar mais atento. A edição foi produzida nas Caldas da Rainha, um dos centros históricos da cerâmica portuguesa, e finalizada no estúdio do artista.
Embora todas as peças sejam visualmente distintas, uma seleção muito reduzida, numerada em numeração romana, foi trabalhada inteiramente à mão por Alexandre Farto, sem passar pelo processo fabril. Os interessados podem contactar a Underdogs Gallery através do endereço gallery@under-dogs.net.
Informações práticas
Atrito: Arqueologia do presente inaugura no sábado, 14 de novembro, entre as 10h00 e as 15h00, e pode ser visitada até 5 de fevereiro de 2027 na Galleria Continua São Paulo, na Rua Piauí, 844, em Higienópolis. A galeria está aberta de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 18h00, e ao sábado, das 10h00 às 15h00, encerrando ao domingo. A entrada é livre.
Mais informações sobre o trabalho do artista estão disponíveis em vhils.com, no Instagram e no Facebook.
Um novo capítulo
Entre a galeria, a fachada, as ruas de São Paulo e uma cerâmica que esconde mais do que mostra, Vhils abre um novo capítulo de uma relação com o Brasil que já leva quinze anos. Com intervenções públicas ainda por anunciar, Atrito promete ser apenas o ponto de partida de mais uma temporada em que o artista volta a escavar o presente das cidades.
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