A VARANDA de Jean Genet

Na sequência de “ELA” de Jean Genet, estreada no fim da temporada passada e em Setembro retomada para mais uma série de representações, o Teatro da Cornucópia vai estrear uma das peças mais polémicas e mais importantes do mesmo autor: A VARANDA na tradução de Armando Silva Carvalho.

Com A VARANDA, peça que várias vezes reescreveu até à versão final publicada em 1961e que agora a Cornucópia vai apresentar, Genet escreveu uma obra fundamental da moderna dramaturgia, comparável, por exemplo, ao que representa A Tempestade de Shakespeare para o século XVII. A Varanda é o nome de um Bordel onde se passa toda a fábula, mas, como acontece com a Ilha de Próspero, é também uma metáfora do Mundo, uma grande peça política sobre a civilização ocidental com uma escrita que reivindica com extraordinária modernidade, uma natureza poética para o Teatro, uma linguagem teatral totalmente metafórica. O próprio Genet diz sobre a sua peça que quis construir um conjunto de imagens falsas. Uma “féerie.” E que a sua casa de passe onde os clientes vêm viver a fantasia de Bispo, Juiz ou General não pertence à realidade. É um complexo jogo teatral que glorifica a Ilusão e o Reflexo, é uma festa. Irma, a dona do Bordel, chama-lhe casa de Ilusões, e é entre a desadequação da natureza das personagens à imagem que querem ter, e a distância que vai do teatro à vida que tudo se move. E tudo é sobretudo uma revolução falhada e a restauração de uma ordem que imita a antiga com a entronização de uma dona de bordel mascarada de Rainha.

Com o seu bordel de farsa Genet consegue, como a Filosofia contemporânea veio a fazer depois, falar de política partindo do que se passa no corpo e alma de cada um e de toda a gente. É com a mais profunda ironia, que faz com que tudo se passe como se a vida fosse um enorme Circo em que todos fôssemos palhaços. E com imagens falsas nos revela a natureza profunda de uma sociedade em que o mais difícil é ser livre e amar.

A VARANDA estreará em Lisboa no teatro do Bairro Alto no dia 10 de Novembro e estará em cena até 18 de Dezembro com um elenco de muitos dos actores que há muito tempo trabalham com Luis Miguel Cintra.

Tradução: Armando Silva Carvalho
Encenação: Luis Miguel Cintra
Cenário e Figurinos: Cristina Reis
Desenho de luz: Daniel Worm d’Assumpção
Interpretação: Beatriz Batarda, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, João Grosso, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Luísa Cruz, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Sofia Marques, Tiago Manaia, Tiago Matias e Vítor d’Andrade.

De 10 de Novembro a 18 de Dezembro no Teatro do Bairro Alto.
3ª a Sábado às 21.00h e Domingo às 16.00h



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