La Pelle dell’Orso

LA PELLE DEL’ORSO

Viaje até às montanhas de Trentino, Itália, estas escondem muito mais do que aquilo que pensa.

Quem nasce em Trento é chamado de tridentino, adjetivo que significa “pertencente a Trento” e, é assim, do qual deriva o termo trentino, indicando “morador dos arredores de Trento”.

Ano de 1950, Itália está devastada pela 2ª Guerra Mundial. O país tentava recuperar da destruição causada pelas tropas americanas e nazis. Todavia, a presença de um forte partido comunista faz com que a sua posição no cenário internacional seja incerta, e, como se já não bastasse, economicamente, Itália estava a sofrer de uma indústria e uma produtividade de trabalho muito baixa, de maneira que a população se dedicava à agricultura.

Com isto, no passado dia 7 de abril, a 10ª Festa do Cinema Italiano apresentou a vida difícil de Domenico Sieff (Leonardo Mason). Este rapaz de 14 anos, morava com o pai, Pietro Sieff (Marco Paolini), desde que a mãe tinha morrido afogada no mar, cujo corpo nunca tinha sido encontrado.

A relação entre o pai e o filho não era a mais feliz, pois Pietro tinha acabado de sair da prisão e era o alvo de troça preferido dos seus vizinhos e companheiros de trabalho, que o consideravam uma “besta”. Por sua vez, o carinho e o diálogo não era algo que Domenico conseguisse do seu pai, uma vez que este era uma pessoa muito reservada, impulsiva, que estava quase sempre bêbado e facilmente chegava ao ponto de ser agressivo com todos aqueles que o enfrentavam.

 

Com a chegada de “el Diàol” (o diabo),  um urso perigoso que tinha voltado, novamente, à aldeia, que já tinha vitimado pessoas e animais, Pietro vê uma forma para o seu filho e os seus vizinhos o verem como um herói, e, em troca de dinheiro, aposta em como consegue matar o urso e levar a sua pele como prova.

La Pelle dell’Orso, é um filme de Marco Segato, no qual pode contar com uma história exemplar de como uma relação entre pai e filho pode crescer a partir do momento em que os dois se juntam para cumprir o mesmo objetivo – matar o “diabo”.
Perdidos durante dias na natureza, é dado destaque às magníficas paisagens naturais das montanhas de Trentino, nas quais é visível a dura batalha que enfrenta Domenico para conseguir aproximar-se de Pietro.

La pelle dell'orso

Pietro e Domenico (da direita para a esquerda)

 

Esta magnífica história acaba por tornar-se numa metáfora e parábola perfeita para se perceber como um fantasma do passado (o urso) volta para atormentar o presente de um homem que tem uma relação difícil com o seu filho e que precisa de a resolver.
Assim, é no meio da natureza que são vistos os valores mais importantes da vida: entreajuda, confiança, humildade e coragem. Esta é uma aventura que conta não só com sobrevivência como também com uma grande aprendizagem, no fundo, ambos aprendem a conviver um com o outro e conhecem-se, não pela primeira vez, mas quse como se fosse.
Contudo, no final do filme percebe-se, claramente, que não existe pior “diabo” que o ser humano, porque por mais cruel e violenta que a natureza possa ser, o homem consegue ser ainda pior, quando se vê o quão arrogante e egoísta consegue ser.

La Pelle del’Orso (2016), um filme de Marco Segato, que conta com Marco Paolini, Leonardo Mason, Lucia Mascino, Paolo Pierobon e Maria Paiato.



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