AS ÁFRICAS DE PANCHO GUEDES

Está patente ao público, de 17 de Dezembro de 2010 a 8 de Março de 2011, a exposição “As Áfricas de Pancho Guedes”, no Mercado de Santa Clara, em Lisboa. Organizada pela Câmara Municipal de Lisboa / Gabinete Lisboa Encruzilhada de Mundos e comissariada por Alexandre Pomar e Rui Mateus Pereira, esta exposição reúne cerca de 500 obras da colecção de arte africana do grande arquitecto português Amâncio (Pancho) Guedes.

As chamadas artes plásticas, a arte popular e o artesanato, os objectos tradicionais com destino ritual ou de uso quotidiano coexistem na colecção de Pancho Guedes, reunida ao longo de uma intensa vida profissional passada em Moçambique e na África do Sul. É um grande acervo diferente das habituais colecções de arte africana voltadas para o passado dos “povos primitivos”, que se fazem no mercado europeu dos antiquários africanistas, e que, pelo contrário, nos aproxima da existência real e recente dos povos de África, da vida e das suas tradições e transformações culturais.

Iniciada e desenvolvida a partir dos anos 50 e 60, nas décadas em que a maioria das independências africanas se afirmam, a colecção releva-nos aspectos das várias Áfricas que então e hoje ainda coexistem e se confrontam. Abarca a tradição e a mudança, a aculturação colonial e a diferença local, em especial com atenção às originalidades culturais alternativas à uniformização moderna. Na pluralidade dos seus objectos, a colecção põe também em questão as fronteiras entre os géneros estabelecidos, da chamada “arte tribal” (que já foi “arte primitiva” e a que alguns chamam agora “artes primeiras”) às criações dos amadores e artistas “outsiders”. Com destaque especial para um grande núcleo formado pelas obras iniciais de Malangatana.

Esta é uma colecção africana, reunida ao sabor das viagens, das circunstâncias e dos encontros pessoais, feita de escolhas próprias. Uma colecção singular e idiossincrática, associada à própria actividade profissional de um grande arquitecto com inúmeras obras construídas ou só projectadas em África, que é também pintor e escultor (como se mostrou na grande exposição apresentada no CCB/Museu Colecção Berardo em 2009), e que é ainda reconhecido internacionalmente como um dos principais patronos ou impulsionadores da arte contemporânea africana nos anos 60.

Uma colecção africana vivida em África.



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