Splatoon Raiders: análise ao novo exclusivo Nintendo Switch 2
O primeiro spin-off da série Splatoon troca o PvP frenético por uma caça ao tesouro cooperativa — e os jogadores já o colocaram entre os títulos mais bem avaliados de sempre.
O primeiro spin-off da série Splatoon troca o PvP frenético por uma caça ao tesouro cooperativa — e os jogadores já o colocaram entre os títulos mais bem avaliados de sempre.
Chegou a 23 de julho de 2026 e já domina as tabelas da eShop: Splatoon Raiders, o novo exclusivo da Nintendo Switch 2, é o jogo mais falado da semana. Desenvolvido pela Nintendo EPD e editado pela Nintendo, este spin-off abandona o multijogador competitivo que definiu a série para apostar numa aventura PvE centrada no single-player. Nesta análise de Splatoon Raiders para a Switch 2, explicamos o que o torna tão especial — e porque dividiu a crítica internacional. Disponível por 49,99€ em formato digital e cerca de 59,99€ em formato físico, é já um dos lançamentos mais importantes do ano para a nova consola.
A primeira impressão: um naufrágio nas Ilhas Spirhalite
Splatoon Raiders começa com uma premissa invulgar para a série: um naufrágio. O jogador veste a pele do Mechanic, um personagem que dá à costa nas misteriosas Ilhas Spirhalite e que, para regressar a casa, terá de colaborar com os Deep Cut — o trio de músicos formado por Shiver, Frye e Big Man que os fãs conhecem de Splatoon 3. O tom é imediatamente diferente do habitual: menos arena urbana, mais expedição e mistério.
O arranque faz um bom trabalho a apresentar o ciclo central do jogo. A partir do Hideout Ship, o navio que serve de base de operações, o jogador parte em incursões pelas ilhas em busca de tesouro, enfrenta hordas de Salmonids e regressa carregado de despojos para melhorar o equipamento — e o próprio navio. É um ritmo de “splat, saquear, melhorar, repetir” que se torna viciante muito depressa, como comprova a nota de 9,3 atribuída pelos utilizadores no Metacritic, que chegou a colocar o jogo no top 10 de sempre da plataforma.
Jogabilidade
O coração de Splatoon Raiders é o seu arsenal. São 11 tipos de armas diferentes, com mais de 100 variantes para descobrir, cada uma com otimizações próprias como maior alcance ou melhor eficiência de tinta. A isto soma-se a escolha entre três tanques de tinta — Speed, Power e Tactical — que definem verdadeiros estilos de jogo, cada um com gadgets exclusivos: o Splatchet do tanque Power corta a armadura dos Salmonids, a Blast Boot do tanque Speed permite saltar do perigo e o Shot Pot do tanque Tactical funciona como torreta. Relic Powers e Skill Points completam um sistema de progressão surpreendentemente profundo para um jogo da Nintendo.
Nas incursões, um membro dos Deep Cut acompanha sempre o jogador a bordo do Exploration Bot, ajudando no combate e na recolha de recursos, com ataques especiais Showstopper — o Shark Bite de Shiver, o Moray Storm de Frye e o Manta Dance de Big Man. O jogo pode ser jogado a solo ou em cooperativo até quatro jogadores, online ou em rede local, e inclui um sistema de entreajuda em que é possível responder a pedidos de socorro de outros jogadores em troca de bónus. Nem tudo convence, porém: parte da imprensa considera que a fórmula se aproxima demasiado de um jogo de ação cooperativo genérico — o The Guardian foi ao ponto de lhe dar 4 em 10, acusando-o de perder o charme distintivo da série.

História e mundo: os Deep Cut como anfitriões improváveis
A narrativa é simples mas eficaz: recuperar o máximo de tesouro possível e desvendar o mistério das Ilhas Spirhalite, que aparentam ter albergado uma antiga civilização Salmonid. É um pretexto, claro, mas um pretexto que dá à série algo que raramente teve — um mundo coeso para explorar, de praias tropicais a cordilheiras vulcânicas e masmorras subterrâneas infestadas de inimigos.
Os Salmonids, até aqui relegados para o modo Salmon Run, assumem finalmente o papel de antagonistas principais, divididos entre os Lesser Salmonids que atacam em massa, os Boss Salmonids com desafios próprios e os raros Seasoned Salmonids que aguardam quem escava mais fundo. A presença constante dos Deep Cut dá personalidade à aventura, e a Nintendo estendeu o universo para fora do jogo com uma banda desenhada prequela, disponível na aplicação Nintendo Today.

Gráficos, som e desempenho
Visualmente, Splatoon Raiders mantém a identidade colorida e irreverente da série, agora ao serviço de cenários mais variados do que as arenas urbanas do passado. Na Nintendo Switch 2, o jogo suporta HDR em televisores compatíveis e som surround, e funciona nos três modos da consola — TV, portátil e tabletop — sem exigências excessivas de armazenamento: o download ocupa apenas 13,1 GB.
A música, imagem de marca de Splatoon, volta a ter protagonismo natural numa aventura liderada por um trio de músicos. No cômputo geral técnico e artístico, a imprensa atribuiu-lhe uma média de 81 no Metacritic com base em 73 análises — uma receção positiva, ainda que menos entusiástica do que a dos jogadores. Uma nota prática para o público português: o jogo não inclui legendas em português, oferecendo apenas idiomas como inglês, espanhol e francês.

Vale a pena comprar Splatoon Raiders?
Depende do que se procura. Para quem tem uma Nintendo Switch 2 e gosta de loops de progressão — caçar loot, otimizar builds, voltar a sair para o terreno — Splatoon Raiders é uma das propostas mais fortes do catálogo, e os 49,99€ da versão digital ficam abaixo do preço habitual dos grandes exclusivos. A possibilidade de jogar tudo a solo torna-o também o Splatoon mais acessível de sempre para quem nunca se deu bem com o multijogador competitivo.
Quem esperava a energia caótica e a cultura urbana dos jogos principais pode sair menos convencido — é precisamente aí que a crítica mais se dividiu. Mas o veredicto do público é difícil de ignorar: primeiro lugar nas tabelas da eShop e uma das melhores pontuações de utilizadores de sempre no Metacritic. Para PEGI 7, com cooperativo local e online até quatro jogadores, é também uma excelente opção familiar.
Conclusão
Splatoon Raiders é a prova de que a Nintendo ainda sabe arriscar com as suas séries maiores. Nesta análise para a Switch 2, fica claro que o jogo não agradará a todos os veteranos — a ausência do PvP clássico e a estrutura de looter cooperativo afastam-no das origens —, mas a resposta dos jogadores sugere que a aposta acertou no alvo. Se a Nintendo EPD continuar a alimentar as Ilhas Spirhalite com conteúdo e afinar o que a crítica apontou, este spin-off pode tornar-se um pilar da identidade da Switch 2. Para já, é o jogo do momento — e com razão.
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