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Kurt Vile & The Violators @ Lisboa ao Vivo (25.10.2018)

A imaginação indomável dum caixeiro-viajante de canções.

As companheiras de viagem de Kurt Vile nesta digressão, além dos habituais Violators, são Meg Baird e Mary Lattimore, que tiveram a honra de abrilhantar a abertura da noite na sala de Marvila. Duas músicas com carreiras em nome próprio, além de parcerias com diversos nomes da música alternativa, que recentemente decidiram compor em conjunto. Tão recentemente que o disco “Ghost Forests” apenas sai dia 9 de Novembro, o que tornou a ocasião ainda mais apetitosa, para poder apreciar em primeiríssima mão as composições criadas a quatro mãos. Meg ocupa-se de guitarra e voz, ao passo que Mary trouxe a sua majestosa harpa, várias vezes com pedais de efeitos acoplados à mesma. O ambiente que proporcionaram fez-se de folk bem pastoral, experimental, com laivos electrónicos aqui e ali, que aferiram originalidade ao mesmo. A toada foi sempre frágil e tímida, algo que rimou com a disposição de Meg e Mary em palco.

Relativamente à prestação de Kurt Vile, sublinhamos desde logo que a qualidade do som foi excepcional, algo que infelizmente nem sempre ocorre. Talvez tenha a ver com o prazer com que se trabalha, dado que o técnico de som de palco curtiu tanto ou mais que os próprios instrumentistas. E, dado que era devido a “Bottle It In” que nos havíamos reunido no Lisboa Ao Vivo, nada como arrancar o concerto com o primeiro single do novo disco, «Loading Zones».

Além da chancela de extraordinário guitarrista que é sempre o que mais depressa salta à vista, desta feita apercebemo-nos realmente da rica faceta de escritor de canções de Kurt Vile. Algo que neste trabalho de 2018 parece mais destacável que nunca. Quer a nível das narrativas, quer a nível sónico. Tendo dito que “Bottle It In” foi escrito ao longo das mais diversas viagens, e sendo a música de Kurt Vile perfeita para conduzir ou viajar, quase imaginamos que se terá servido das suas próprias composições para criar e refinar a sua escrita. Tiradas como «I was on the ground but looking straight into the sun, but the sun went down and I couldn’t find another one, for a while, to fill the void, until the morn», em «Bassackwards» (quiçá o momento mais alto do recente album), entoada no jeito meio desajeitado que é já marca registada, aquece-nos mais que o próprio Sol.

Sensivelmente a meio da actuação, os Violators deixaram o rocker de Philadelphia sozinho em palco, para nos embalar ao som de «Runner Ups», onde nos canta «My best friend’s long gone, but I got runner ups», demonstrando que quem viaja acaba por dobrar todas as esquinas. Acaba por existir sempre esta esperança escaparrachada nas canções do senhor Vile.

E nem Meg Baird e Mary Lattimore quiseram perder pitada da manga final do concerto, onde surgiram temas já clássicos como «Wakin’ On a Pretty Day» ou «Pretty Pimpin’», com que finalizou mais uma autêntica roadtrip invejável.

Alinhamento

– Loading Zones
– Jesus Fever
– Bassackwards
– Hysteria
– Goldtone
– Cold Was The Wind
– Runner Ups
– Wheelhouse
– Wakin’ On a Pretty Day
– Girl Called Alex
– Check Baby
– KV Crimes
– Skinny Mini
– Wild Imagination

(encore)
– Pretty pimpin’



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